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sábado, 26 de janeiro de 2013

Liderança e austeridade


Abraham Lincoln





“Praticamente todo o ser humano
consegue suportar a adversidade,
mas se quisermos testar o seu
carácter é darmos-lhe poder”



Vivemos actualmente numa época de crise. Uma época conturbada que exige uma liderança competente e uma chefia forte.

Dito de outro modo, necessita-se de


«Uma luva de veludo sobre uma manopla de aço»


Será que o nosso Governo está a saber lidar com a situação?

Para darmos pistas para chegarmos a conclusões, vejamos algo do que se diz a respeito do exercício do Poder.

Comecemos por referir que habitualmente distinguem-se cinco tipos principais de poder

  • poder legítimo
  • poder informacional ou pericial
  • poder carismático ou de referência
  • poder coercivo
  • poder premiador ou de reforço

Vamos recordar o que se entende por cada um deles:


1) PODER LEGÍTIMO

Fundamenta-se na organização ou na cultura, na medida em que, uma ou outra, por normativo estatutário ou por assentimento social, reconhecem a legitimidade do poder.

As organizações definem funções sociais e estabelecem uma hierarquia de exercício de poder institucionalizando a dicotomia da autoridade. Formam-se assim "grupos de dominação" e "grupos de sujeição",

Os indivíduos que estão situados nos níveis mais baixos reconhecem e aceitam o poder e influência dos que estão regularmente investidos em cargos. É importante notar que:

Quanto mais hierarquizada estiver uma organização, mais o poder está ligado ao CARGO e não à pessoa.

Por exemplo, o juiz tem o poder de aplicar penas e o presidente da câmara o poder de adjudicar obras, independentemente do titular que exerce o cargo. O cargo em si dispõe de um conteúdo próprio de poder bem definido.

O possuidor do poder legítimo não tem de explicar a razão porque deseja um determinado tipo de actuação.
A pessoa com poder legítimo tem influência, não porque diga as coisas certas, mas porque tem o direito de o exercer.

No entanto, o exercício da legitimidade acaba por depender sempre da sua aceitação pelos indivíduos, pela sociedade, pelos grupos de influência ou pela cultura dominante. Se se criar uma distância acentuada entre o titular e o contexto, podem ocorrer reacções que adiante estudaremos.


2) PODER PERICIAL

Fundamenta a sua autoridade no saber, na especialização ou na experiência,

Assume particular importância nos sectores da economia, da indústria ou nos pontos fundamentais que controlam os fluxos relacionais ou os circuitos administrativos. O indivíduo é encarado pelo grupo e pelo poder legítimo como "o perito", ou "aquele que sabe" e portanto "aquele sem cuja opinião se não pode decidir".
Nas organizações complexas ou de elevada tecnologia, o poder pericial tende a ganhar proeminência. É comum em muitas empresas que o alto especialista aufira salários mais elevados do que o próprio poder legítimo já que a importância do poder que exerce cresce na razão directa da complexificação social ou organizacional.

Numa reunião de vários tipos de poder, o especialista pode ser aquele que centralize mais poder, pelo facto de ser o único que dispõe de conhecimentos/informação necessária sobre o funcionamento e potencialidades da matéria objecto da decisão. Ele torna-se a mola real da estratégia da organização.

No entanto esta forma de poder caracteriza-se por uma grande volatilidade. De facto, uma vez a informação prestada o poder desaparece pelo que é indispensável a quem o exerce uma continuada pesquisa de informação de modo a manter a sua imprescindibilidade como perito. É o caso da constante evolução tecnológica que torna obsoletos, cada vez com maior rapidez os conhecimentos adquiridos.


3) PODER CARISMÁTICO

O poder carismático é determinado por um conjunto de qualidades de que são portadores (ou se acredita que são portadores) determinados líderes.

Conduz a uma admiração e adesão dos seguidores, que consideram essas qualidades como "mágicas" ou "sobre-humanas". O carisma manifesta-se por uma atracção motivante, que desencadeia uma atitude de identificação relativamente ao líder, tomado como referência.

Uma das grandes vantagens deste tipo de poder é de não requerer vigilância para ser eficaz. As pessoas desejam assemelhar-se ao modelo e estão auto motivadas para seguirem o comportamento deste.

O poder carismático pode ter ou não ter a ver com o poder legítimo. Homens que marcaram uma época como Ghandi ou Martin Luther King nunca exerceram qualquer cargo na hierarquia do estado; no entanto dispuseram de poder em tão larga escala que as suas orientações tiveram adesão generalizada e estiveram na origem de profundas transformações sociais.

Uma chefia legítima que consiga uma liderança carismática sobre os seus subordinados consegue galvanizar a sua equipa e levá-la a alcançar resultados considerados impossíveis.


4) PODER COERCIVO

O poder coercivo assume duas vertentes:

A faculdade de poder forçar a execução e dispor dos meios para o efeito

A faculdade de poder aplicar punições

Nas organizações o poder coercivo manifesta-se na aplicação dos regulamentos e, em último caso, no despedimento.

Note-se todavia que:

O PODER COERCIVO NUNCA É ABSOLUTO

De facto, a sociedade que aceita e regulamenta a existência da punição reage quando o poder coercivo ultrapassa determinados níveis sociológicos de tolerabilidade.

No entanto, essa mesma sociedade sente a necessidade do poder coercivo já que a simples convicção dos princípios não é suficiente para que as regras sejam cumpridas.

Na prática, se não existe possibilidade de punição, não existe o cumprimento das regras aceites. A própria sociedade estabelece o equilíbrio entre o "nível de intolerabilidade" e o "nível de indispensabilidade"
 


Um exemplo concreto dos nossos dias terá sido a actuação das forças policiais em algumas situações recentes.

Conquanto a necessidade de existência das forças de segurança não possa ser posta em causa, o exagero da sua actuação em certas circunstâncias pode provocar a revolta dos indivíduos atingidos e da própria sociedade.


5) PODER PREMIADOR OU DE REFORÇO

O poder premiador ou de reforço deriva da capacidade o líder em recompensar o trabalho do indivíduo ou satisfazer as suas aspirações e expectativas. Nas organizações está frequentemente associado ao poder legítimo já que é este que decide sobre salários, evolução nas carreiras e benefícios extra.

Está muitas vezes ligado à posição-chave desempenhada num circuito de produção ou num fluxo de trabalho. Em igualdade de circunstâncias pode satisfazer-se mais depressa um pedido do que outro.

Na utilização deste tipo de poder, é indispensável conhecer as motivações dos subordinados já que as suas escalas de valores podem ser diferentes e o prémio motivador para um pode ser absolutamente indiferente para outro.

E não esquecer NUNCA que o dinheiro é um mau motivador já que a sua motivação se esgota no pouco tempo em que as pessoas se habituam ao novo nível remuneracional.

Por outro lado, a utilização de reforços não conduz à interiorização de atitudes pelo que a modificação de comportamento só terá lugar enquanto existirem reforços para serem distribuídos.


O exercício da autoridade

Conforme a forma em que se fundamenta a autoridade, podemos distinguir três tipos de chefia, que se indicam no esquema seguinte:



O Chefe

Exerce a sua autoridade com base na chamada autoridade tradicional (poder coercivo, poder legítimo e poder premiador). É o protótipo do chefe tradicional, paternalista, do “patrão”.

Convém dizer que em si, a autoridade tradicional não é má. Na realidade é a base sobre a qual assentam os outros dois tipos, esses sim, exclusivos entre si. Sê-lo-á se for o único sustentáculo da autoridade de uma chefia. Por esse motivo deverá ser guardada de reserva e só devemos recorrer a ela quando não houver outra hipótese.

Nessas circunstâncias, seguindo o esquema, devemos começar a utilizá-la de cima para baixo, ou seja, devemos começar por utilizar o poder premiador, seguidamente o legítimo e, só em último caso, o coercivo


O Gestor

Exerce a sua autoridade com base na experiência e no conhecimento, ou seja, no poder informacional ou pericial.

Dado que a sua autoridade se fundamente no facto de saber mais do que os seus subordinados, o gestor é extremamente cauteloso na forma como os treina. Em caso algum partilha os segmentos mais significativos dos seus conhecimentos, já que é a própria essência da sua autoridade que ficaria exposta. Se alguma vez o faz, isso significa que, entretanto já adquiriu novos conhecimentos que sustentam a sua posição de chefia.

Dada a base de sustentação da sua autoridade estar no poder do conhecimento, o Gestor procura incessantemente adquirir novos conhecimentos a fim de não ser ultrapassado pelos seus colaboradores.


O Líder

Exerce a sua autoridade com base no carisma pessoal, no estímulo e na motivação. Procura incessantemente colaboradores que o libertem do seu trabalho rotineiro, lançando-se para desafios de criatividade cada vez mais elevados.

Tem a preocupação constante de incentivar o desenvolvimento pessoal e a formação dos seus colaboradores, assumindo um papel marcado de generalista, coordenador e incentivador da sua equipa.

Postas estas considerações sobre o Poder e o seu exercício, alguém conseguirá classificar o tipo de poder exercido pelo nosso Governo?

Que tem poder legítimo, não haverá qualquer dúvida. Venceu as Eleições Legislativas, tem maioria absoluta na Assembleia da República, esse poder não pode legalmente ser contestado.

No entanto, como vimos acima, no caso de deficiente uso do poder, ele pode deixar de ser aceite pelos indivíduos a ele subordinados. E este é um risco sempre presente e que já sentimos nas contestações dos últimos tempos, em particular na de 15 de Setembro.

Também podemos constatar que o Governo utiliza o poder coercivo. Mas, como vimos, este poder não é absoluto e oscila entre dois níveis. E, neste momento, com as medidas de austeridade tomadas sem sensibilidade, aproxima-se perigosamente do nível de intolerabilidade.

Poder premiador, não se vislumbra. A não ser que esteja a ser reservado e utilizado para os apaniguados do aparelho do Estado, os «boys» e «girls» que sempre esvoaçam em redor de quem tem poder como moscas em volta de um pedaço de mel. Mas nada que atinja ou beneficie o eleitorado.

Poder pericial! Alguém tem reconhecido competência inatacável na (inexistente) linha de rumo de um governo que anda ao sabor das marés?

Quanto a poder carismático, não vale perder tempo a falar. Tem mais carisma o treinador do Benfica ou o Presidente do FCPorto do que qualquer dos membros do governo...

Sintomas de recuperação (externa) vão aparecendo alguns. Mas fica a dúvida se serão por mérito de quem nos orienta ou dos talentos impostos pela «detestada» e omnipresente «troika».

E quando se assiste à emigração diária dos nossos licenciados, a nata da nossa sociedade, rumo a países mais desenvolvidos, ou à fuga das nossas empresas do Norte para a vizinha Galiza, pergunta-se que loucura se apoderou dos nossos governantes para deixarem fugir aquilo que nos poderia reerguer...


Para onde nos está a levar, senhor Primeiro-Ministro?


Ou, para si e para os demais políticos amadores deste país, não passamos de gado que se conduz às cegas para o matadouro?

Fiquem bem. Até amanhã




domingo, 11 de novembro de 2012

Os «fidalgos» dos transportes públicos...

É só amor... ao dinheiro!

(e os utentes que se danem)


Vai haver greve geral! E, como sempre, os Transportes Públicos estão na primeira linha dos manifestantes.

Mas, por uma questão de esclarecimento, deitemos uma olhada pela «justiça» das reivindicações dos salários destes «fidalgos» comparados com a média nacional:


Convém dizer que o que está aqui ilustrado refere-se apenas aos salários base, não estando portanto incluídas nenhumas das as benesses e alcavalas de que esses «trabalhadores» e suas famílias beneficiam.

A título de exemplo, para que se entenda melhor:
De acordo com a folha salarial da CP a que o SOL teve acesso, um inspector-chefe de tracção recebe 52,3 mil euros, há maquinistas com salários superiores a 40 mil euros e operadores de revisão e venda com remunerações que ultrapassam os 30 mil euros por ano.


Quando estamos numa crise monstruosa, quandos todas estas empresas acumulam prejuízos astronómicos, será que esta gente tem direito a fazer greve?

Ao menos façam a «greve da mala»:

Circulem mas não cobrem nem validem bilhetes

Os senhores dos sindicatos, da CGTP e quejandos, na sua luta cega por protagonismo e poder num país às portas da miséria, deviam meter a mão na consciência (que não têm) e pedir perdão de joelhos aos utentes e ao país pela sua ganância, pela sua soberba, pela sua inveja e pelo seu egoísmo!

Eles não estão a defender os interesses dos trabalhadores, dos utentes, de Portugal. Eles estão a defender os tachos e as gamelas dos seus apaniguados, uns privilegiados sem vergonha de prejudicar a vida de quem trabalha.

O que eles mereciam era uma tomatada nos piquetes de greve para os ensinar a não brincarem com as dificuldades e a pobreza alheia.

Vão trabalhar, malandros!


E por aqui me fico. Até amanhã!


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Já passamos as 3 mil visualizações.

Vamos fazer um esforço para chegar às 4000?


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P.S. A sugestãozinha do costume...


 

sábado, 10 de novembro de 2012

O que «eles» têm na mira...

As 382,5 toneladas de ouro do Banco de Portugal!






O valor atual das reservas de ouro nacionais ronda os 16,2 mil milhões de euros, sendo que, desde o início do ano, as mesmas já se valorizaram em 1,4 mil milhões, devido à subida das cotações no mercado internacional. Um fenómeno provocado pelo “valor de refúgio" que o ouro continua a ter junto dos investidores em tempos de incerteza e crise financeira.

“Ter uma elevada quantidade de ouro é positivo e pode-se alavancar o ouro, utilizando-o para emitir dívida e fazer face às necessidades de refinanciamento”, declarou ao Económico Natalie Dempster, diretora de assuntos governamentais do World Gold Council.

Por outras palavras, a proposta do WGC é que Portugal utilize o ouro como garantia nas suas operações de emissão de dívida soberana. Se os investidores estiverem confiantes de que não perdem dinheiro, exigirão juros mais baixos para emprestar dinheiro ao país.


Pois é, as reservas de ouro do Banco de Portugal estão entre as 14 maiores do mundo e, tendo em conta a dimensão do país são as terceiras.

De facto:

As reservas de ouro do Banco de Portugal ascendem a 382,5 toneladas. Estão entre as maiores do mundo e valem 16.300 milhões de euros, o equivalente a 7,5% da dívida pública.

(Ler mais em: http://www.agenciafinanceira.iol.pt/economia/ouro-reservas-de-ouro-banco-de-portugal-exportacoes-minas-producao/1342599-1730.html)

Daí a cobiça internacional e a pressão que tem sido feita para o Governo garantir a dívida com o nosso ouro.

Com efeito, em todo o mundo, só 11 estados e 2 organizações (FMI e WGC) têm mais ouro que Portugal.

E é em Portugal que o ouro tem mais peso no total das reservas monetárias: 91,5%. Na generalidade dos outros países, a grande maioria das reservas é constituída por divisas estrangeiras.

Só há mais um país em que as reservas de ouro constituem mais de 80 por cento das reservas monetárias. E esse país é a Grécia (83,3%).

Será apenas coincidência que Portugal e Grécia sejam os países mais pressionados pela crise?

Não temos dúvidas de que, se fizéssemos o que «sugere» o WGC, a pressão internacional ainda iria aumentar mais no sentido de termos mesmo que alienar as nossas reservas.

E, infelizmente, o nosso povo, pressionado pela austeridade, tem vindo a vender as suas arrecadas aos inúmeros negociantes de ouro que por aí têm aparecido a comprar «ouro usado» a particulares. 

Isto a ponto de estarmos a exportar TONELADAS de ouro que fariam bem melhor em reforçar as nossas reservas.
Exportações em crescendo

As exportações do metal precioso cresceram muito rapidamente nos últimos anos, tendo atingido no ano passado os 519 milhões de euros, segundo dados do INE. É, de resto, um valor muito superior ao que se registava ainda em 2007. Nesse ano, as exportações estavam nos 6,9 milhões de euros (75 vezes menos).
(mesma fonte)


Estes números correspondem a mais de 12 toneladas de ouro. E isto sugere uma pergunta:

Porque razão o Governo, através da Casa da Moeda ou do Banco de Portugal, não promove a aquisição desse mesmo ouro aos particulares para aumentar as nossas reservas?

Seria uma medida sensata trocar Euros (que não são mais do que papel) por ouro que se tem vindo a valorizar com a crise internacional dando às famílias portuguesas o apoio de que precisam e evitando que estejam a entregar o «nosso» ouro aos abutres internacionais...

Esse ouro poderia, em parte, ser amoedado (como faz o Reino Unido com as libras de ouro) e colocado no mercado para captação de fundos. E as pessoas, em vez de comprarem libras de ouro para aforrar, comprariam «escudos de ouro» ajudando a controlar a crise com aquilo que é nosso.

Mas atenção! Para essa medida ter sucesso, as moedas teriam de ser pequenas de modo a estarem ao alcance de bolsas pouco recheadas. Porque as belas moedas de ouro comemorativas emitidas pela Casa da Moeda, pelas suas dimensões, são demasiado dispendiosas e só ao alcance de bolsas abonadas.

Ideias loucas? Talvez. Mas uma contribuição para o «brainstorming» que ninguém faz.

Vamos pensar nisso? Até amanhã!


P.S. A sugestãozinha do costume



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NOTA:

Ontem atingimos o número histórico de 3000 visualizações de página. Vamos continuar a crescer? A sua ajuda é indispensável. Partilhe!

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sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Andaram a jogar na Bolsa...

... com as nossas reformas

(cartoon JN de 07/11/2012)

O Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social (FEFSS), onde está colocado o dinheiro para pagar as pensões no futuro, perdeu, no ano passado, mais de 1,5 mil milhões de euros na Bolsa. Com um valor de 8,8 mil milhões de euros, uma redução de quase 8% face a 2010, o FEFSS tinha verbas para pagar reformas apenas durante oito meses e meio.

(Ler mais em: http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/exclusivo-cm/seguranca-social-perde-15-mil-milhoes-na-bolsa)
 
Quando vi esta notícia nos jornais fiquei quase em estado de choque. Andarem a jogar na Bolsa o nosso dinheiro? E a perdê-lo?


Senhor Ministro do Trabalho e Solidariedade, o senhor fica impávido e sereno com mais esta brincadeira dos seus rapazes? Mas afinal por onde anda o dinheiro que andou a ser descontado durante todas estas dezenas de anos?

Eu digo-lhe Senhor Ministro:

FOI MAL GASTO!


Em subsídios a qualquer bicho-careta, em subsídios de desemprego a quem não quer trabalhar, em subsídios de inserção social, em subsídios a estrangeiros. E em luxos, tachos e gamelas para os muitos que pululam na Segurança Social e no IEFP e que não estão a fazer nada de útil.

O NOSSO DINHEIRO foi mal gasto, nas nossas costas, ABUSIVAMENTE, e não há quem nos preste contas?

E o senhor não faz nada? Não mete os culpados atrás das grades? Não põe os inúteis no olho da rua? Nunca ouviu falar em processos disciplinares?

Pois, venha dizer-me que a Lei não permite. Mas quem é que faz as leis? Quem tem a maioria absoluta? E o que andam a fazer com ela?

O senhor sabe o que vai acontecer quando o proletariado descobrir que já não tem as reformas para que andou a descontar a vida inteira?

É que aí não é a desgraçada da classe média que vos vai pedir pedir contas. A si e aos políticos de meia-tijela que infestam a Assembleia da República e as Autarquias.

São uns MILHÕES de Marias da Fonte que vão sair à rua e que vos vão acuar(*) a todos e não há Corpo de Intervenção, Comandos ou Paraquedistas que vos acudam. Porque provavelmente todos eles também estão ou têm familiares que estão na mesma situação e a FOME é muito má conselheira, Senhor Ministro.

Por isso, façam alguma coisa enquanto é tempo! Acabem com as vossas mordomias, as PPP, os privilégios, as sanguessugas que infestam o aparelho de Estado e que lá foram colocadas por vós e pelos que vos precederam.

Acabem com as despesas faraónicas em obras que para nada servem, cortem a direito onde têm que cortar, peçam contas a quem têm que as pedir e

SEJAM HOMENS!


Não pensem só nas vossas barrigas porque, quando forem forçados a agir como deve ser, já será tarde demais... para vós!

Pensem bem nisso! Até amanhã!


P.S. (*) acuar: v.t. Perseguir a caça com os cães até que ela se refugie na mata ou no covil.


P.P.S.: Só para recordar...


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Não é preciso dizer nada, pois não?

Já sei que V. partilhou e difundiu este blogue.

Obrigado em nome de todos nós!


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quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Ensino profissional: será desta vez que...

...voltam as Escolas Comerciais e Industriais?




Nuno Crato assina acordo em Berlim para reforçar ensino profissional

O ministro da Educação, Nuno Crato, garante que tem o "maior interesse" em reforçar e desenvolver o ensino profissional em Portugal com vista a reduzir o desfasamento entre a formação escolar e as necessidades do mercado de trabalho.
Ler mais: http://expresso.sapo.pt/nuno-crato-assina-acordo-em-berlim-para-reforcar-ensino-profissional=f764357#ixzz2BNeoY8Ix
(foto: antiga Escola Industrial Infante D. Henrique - Porto)

Uma das (muitas) barbaridades cometidas na febre revolucionária pós 25 de Abril foi a extinção das Escolas Comerciais e Industriais onde era dada a oportunidade de formação a todos quantos não conseguiam aprovação no Exame de Admissão aos Liceus.

Recorde-se, em benefício dos mais novos, que o programa dos liceus era incomparavelmente mais exigente e abrangente do que o ministrado nas actuais EB2.3 que são uma anedota em comparação. Tanto que com o 5º ano (9º ano actual) os alunos já se podiam candidatar aos cursos dos Institutos e tirar uma formatura em 4 anos.

Tratava-se de um ensino paralelo em que os alunos poderiam prosseguir os estudos através dos Institutos Industriais e Comerciais se tivessem vocação para ir mais além e até podendo no final ter acesso às Universidades se o seu percurso escolar a isso aconselhasse.

Caso contrário, a partir dos 15 anos já tinham uma profissão certificada!

Mas tudo isso acabou nas fantasias pós-revolucionárias de Abril. Criaram-se muitas coisas boas mas deitaram fora o bébé junto com a água do banho. Porque antes de Abril havia também coisas boas. Mas não soubemos separar o trigo do joio. E agora, finalmente, após quase quarenta anos, estamos a tentar corrigir os erros que cometemos... na nossa bebedeira de liberdade.

Quais as vantagens destes cursos paralelos? Bem, por muita vontade que as famílias e as pessoas possam ter, a verdade é que nem todos têm um Q.I. que lhes permita alcançar uma licenciatura. E muitos jovens também não têm grande apetência pela vida intelectual preferindo, desde muito novos, enveredar por uma carreira mais profissional e, para eles, mais motivadora e gratificante. Que mesmo assim, se mais tarde o desejarem, lhes permite atingir altos voos.

Não me parece sensato, em nome de uma escolaridade mínima obrigatória (mas nem sempre adequada), obrigá-los a estudarem sem qualquer entusiasmo matérias que não lhes dizem nada e que não irão utilizar na vida futura. E que eles não irão assimilar porque a passagem de ano é automática.

Assim sendo, parece-me muito mais lógico e adequado encaminhá-los desde o 5º ano para um rumo que lhes seja mais atraente, libertando-os de esforços inúteis e fazendo avaliações periódicas da respectiva aprendizagem.

Certo é que essa lacuna tem sido parcialmente preenchida pelos Centros Protocolares de Formação Profissional (CENFIM, MODATEX, CICCOPN, CEQUAL, CECOA, CFPIMM, etc). Mas essa solução não invalida o mau aproveitamento que tem sido feito das potencialidades desses jovens que, à falta de estímulo, acabam (quantos deles?) por mergulhar em actividades marginais que os conduzem a submundos que não deveriam existir.

Ainda iremos a tempo? Se houver boa-vontade e lucidez... porque não?

Mas antes tarde do que nunca. E este pode ser um primeiro passo na direcção certa.

Pensem nisso. Até amanhã!


P.S. Brindemos ao futuro. Que seja melhor que o passado recente...


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Já sabe o que lhe vou dizer, não sabe?


Até amanhã!


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quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Universidades... para quê?

 

Para exportar talentos?

Orçamento 3013: Cortes deixarão universidades "abaixo da linha de água"
O corte adicional da ordem dos 10% na dotação para as universidades, deverá deixar as instituições numa situação difícil. Reitor da Universidade de Coimbra espera "bom senso."

Ler mais: http://expresso.sapo.pt/cortes-deixarao-universidades-abaixo-da-linha-de-agua=f764356#ixzz2BLgXsNks

Há cerca de dois meses atrás, teci comentários bastante críticos sobre o tratamento que está a ser dado ao Ensino Superior no nosso país (Enjeitar o ouro, acolher o lixo).

As famílias portuguesas, na ânsia de criarem melhores condições de vida para os seus rebentos, têm vindo a fazer esforços inauditos para lhes darem uma formação superior, contribuindo para uma melhor preparação dos jovens que um dia iriam ser a nata intelectual da nossa sociedade.

É através deles que se iria formar uma classe média-alta, competente e sabedora, habilitada a criar riqueza e a gerir as nossas organizações no sentido do desenvolvimento e do progresso do País.

Mas afinal a que estamos a assistir?

Para além da enorme dificuldade de colocação dos jovens recém-formados, a sujeitarem-se a trabalhos inferiores e a receberem vencimentos de miséria (há engenheiros a receber o salário mínimo e contratados a recibo verde), vem agora o nosso (des)governo aumentar as dificuldades na obtenção dos cursos que tanta falta fazem ao nosso desenvolvimento reduzindo ainda mais a dotação das Universidades públicas e Institutos Politécnicos.

Se actualmente um dos recursos que os jovens têm é a emigração (e quantos estudantes Erasmus têm ficado nos países para onde vão estagiar!), é bom que se tenha consciência de que estamos a exportar os nossos maiores talentos, malbaratando os sacrifícios das famílias e dotando países terceiros de técnicos e cientistas altamente classificados em cuja formação esses países não dispenderam um cêntimo que fosse.

Repare-se que os estudantes que conseguem entrar para o ensino superior público são aqueles que obtiveram as melhores notas no secundário, são portanto aquilo que de melhor o País criou.

Sabe-se que o Estado está sedento de recursos, que deita a mão a tudo o que pode... sobretudo na classe média!

  • Porque no proletariado quase não toca... porque é daí que vem a grande percentagem dos votos.
  • E no grande capital também não, porque é ele que alimenta a corrupção.
  • E nas «gorduras» de que tanto se fala também não convém porque são o ganha-pão dos inúmeros «boys» e «compadres» que vivem à nossa custa e o refúgio de muita gente quando abandona os cargos oficiais.
E assim, alegremente, se vai hipotecando Portugal, delapidando o futuro, e entregando ao estrangeiro o esforço e o investimento das famílias Portuguesas. Não bastavam os impostos que temos que pagar aqui, ainda vamos subsidiar a economia de quem é mais abastado do que nós!

Claro que eles recebem os nossos jovens de braços abertos. Pudera, não!

Se, no entanto, pretenderem realizar poupanças no Ensino Superior, três sugestões no sentido de desencorajar os maus alunos de se «distraírem» das suas obrigações escolares e conduzi-los a concentrarem-se nos seus estudos poupando despesas às famílias e ao País: 
1. Reintrodução das prescrições: Cada aluno não pode ter mais de três reprovações em cada disciplina (quatro se a terceira fôr na época de Julho).
2. Introdução de propinas progressivas: Aluno que transite ou não de ano e que tenha de se inscrever novamente numa disciplina pagará mais uma percentagem significativa do respectivo valor.
3. Irradiação da respectiva Escola caso não apresentem aproveitamento, pelo menos em 50% das disciplinas em que estiverem inscritos em cada ano

Por outro lado, eu sei (como muita gente também sabe embora não haja provas) que nos fornecimentos ao Ensino Superior público se fizeram (e fazem) muitas negociatas à custa dos contribuintes... como em todos os outros sectores do Estado. E isso pode significar uma elevada fatia das despesas das Escolas e, consequentemente, no orçamento do Ministério.

Mas aí a culpa não é do Ensino Superior em si mas de um deficiente controlo da Administração Central sobre o modo como as verbas são utilizadas. E disso, os alunos e as suas famílias não têm culpa.

Fiquem bem e vão pensando como corrigir isso. Afinal para que vos elegeu o País? Até amanhã!

P.S. Como não podia deixar de ser, a sugestão do costume:

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Ainda que mal lhe pergunte...

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terça-feira, 6 de novembro de 2012

Austeridade? Para quem?

 

Bem prega Frei Tomás!

(faz o que ele diz e não o que ele faz)




Bem, se o Primeiro-Ministro se quer descredibilizar de vez, se quer que Portugal inteiro lhe volte as costas, se anseia por tomates e ovos quando sair à rua, então está no bom caminho.

Só que ele deveria lembrar-se de que tem família que não tem culpa dos seus disparates. Não se diz que as culpas dos pais recaem sobre os filhos até à terceira e quarta geração?

A notícia de «o Diabo» não é nova, na realidade é de Quarta-feira, 23 de Novembro de 2011 mas só hoje chegou às minhas mãos. Quase um ano. Mas a verdade é que naquela data já o Governo nos andava a apertar o cinto (e de que maneira).

A nós, não a si próprio e aos seus, digamos, «apoiantes».

Porque, entretanto, o Dr. Vítor Gaspar gasta 5 mlhões de Euros em estudos, o Governo admite mais 6496 funcionários (isso mesmo, quase seis mil e quinhentos) e mais o que adiante ainda virá.

Com o país na penúria, o Governo propunha-se entregar a "consultores externos" 100 milhões Euros de estudos que poderiam ser executados por técnicos do Estado. Estudos sobre a CP, a REFER, a TAP, etc.

Senhor Primeiro-Ministro, onde anda V.Exª a gastar o dinheiro dos portugueses, o dinheiro que nós lhe entregamos com o nosso suor e o nosso sangue?

O senhor não se anda a comportar como um rapaz assisado, preocupado com o bem-estar dos portugueses. Porque nós temos vindo a apontar o dedo a factos dos últimos tempos, mas parece que as tropelias já vêm de longe...!

E por hoje ficamos por aqui. Até amanhã!

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Vamos continuar esta campanha?

Os políticos - todos eles - têm que entender que o País não anda a dormir, que não é um rebanho de carneiros, que não aceita de olhos fechados tudo o que vem de Lisboa.

Vamos continuar a divulgar este blogue, a fazer os vossos comentários já que este espaço é de quem o quiser ler e opinar.

Conto consigo!

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P.S. Em tempos de austeridade, um vinho de qualidade... mas em conta!





segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Juízes... ou criminosos?

Desembargadores suspeitos de vender sentenças

O Departamento de Investigação e Acção Penal (DCIAP) tem metido numa gaveta um processo em que estavam a ser investigados vários juízes desembargadores do Tribunal da Relação de Lisboa por alegada corrupção

(Ler mais em «O Crime» de 01.Nov.2012)

Como é possível? Que a Justiça em Portugal anda pelas ruas da amargura é um facto que ninguém nega. Mas, até agora, o que vinha a público eram os atrasos sistemáticos dos processos mais mediáticos em que firmas de advogados de alto coturno conseguiam sucessivos adiamentos até prescrição dos processos. Isto porque a Lei portuguesa o permitia. Concebida para dar a máxima protecção ao criminosos e a mínima ajuda e compensação às vítimas. Os legisladores que expliquem a razão porque o fizeram... só que não será fácil!

Mas agora, pelos vistos, chegámos a um nível mais elevado: a corrupção dos próprios juízes. E não são juízes comuns, são juízes de Tribunal da Relação, juízes de segunda instância. Qualquer dia chegamos ao Supremo e ao Constitucional.

O «preço» de uma decisão favorável (segundo o mesmo jornal)? A «módica» quantia de

CEM MIL EUROS!

Senhora Ministra da Justiça, mau grado ataques que lhe têm sido dirigidos, consta, cá por fora do mundo que a rodeia, que a senhora é uma pessoa honesta e de carácter, empenhada em fazer um bom trabalho. Que acredito não lhe tenha sido fácil até agora.

Será possível que um processo desta gravidade, que põe em causa, no país e no estrangeiro, a credibilidade do nosso sistema judicial, esteja metido numa gaveta do DCIAP? À espera de quê?

Num momento crítico como aquele em que vivemos, em que se deseja que o investimento estrangeiro se derrame em Portugal como um maná, é esta a garantia que damos a quem nos poderia ajudar? Uma justiça alegadamente corrupta?

Sem querer, de modo algum que se faça justiça na praça pública (e no sentido de o evitar) seria do maior interesse levar rapidamente esta investigação até às últimas consequências até para limpar o bom nome de quem não esteja envolvido em tão torpes esquemas.

Recorde-se que, uma vez que não são referidos nomes específicos (estão em segredo de justiça) todos, mas TODOS SEM EXCEPÇÃO, os juízes do Tribunal da Relação de Lisboa têm a sua reputação enodoada pela suspeita. Mesmo aqueles cuja conduta seja absolutamente impoluta.

Ouso esperar (oh, santa ingenuidade!) que estas linhas não caiam em saco roto e que algo se possa fazer um breve no sentido de corrigir esta «pequena» anomalia.

Pensem nisso. E leiam a notícia no jornal: vale a pena. Até amanhã!



P.S. Homenagem a Ruy de Carvalho. Afinal o grande actor não podia ter recebido a Ordem Militar de Santiago da Espada... porque já a tinha recebido anteriormente. Por duas vezes: a Comenda e o Grande Colar. Com sinceras desculpas fica corrigida a falha informativa. Com os nossos renovados parabéns.

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P.P.S. Para não mostrar apenas garrafas, aqui fica uma foto parcial da «fonte» dos néctares de Lubazim: