quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Pobre Professor Cavaco...!!!

 Passa «dificuldades» com 9.600€ mensais!


Ai, Senhor Professor, não imagina a pena com que fiquei de si quando o senhor disse aos jornalistas da TV que a Taxa de Solidariedade que incide sobre a sua «miserável» reforma de 10.000€ o estava a obrigar a fazer contas porque o dinheiro não lhe chegava. Porque em vez de 10.000 mensais vai receber «apenas» 9.600€.

Depois de aplicadas todas as penalizações e impostos previstos para 2013, o rendimento líquido que o senhor recebe pelas duas reformas que acumula, 1.300 euros por ter sido professor universitário e 8.700 pelo cargo que desempenhou no Banco de Portugal, vai sofrer um corte superior a 4.700 euros anuais (400€/mês)

Ler mais em: http://www.noticiasaominuto.com/economia/29518/cavaco-vai-perder-cinco-mil-euros-em-2013

Coitadinho! Vieram-me as lágrimas aos olhos...!


Tenha vergonha, Senhor Professor! A sua Presidência espatifa 45.000 Euros por dia num país onde as autarquias do Norte já abrem as cantinas escolares durante as férias porque há pais que não têm dinheiro para dar de comer aos filhos. Enquanto a sua Casa gasta mais do que quase todas as casas REAIS da Europa com excepção da britânica, como já aqui foi dito. Gasta mais do que a Presidência da Alemanha que é um país cheio de dinheiro.

E o senhor chora-se porque a partir de Janeiro vai receber menos 400 Euros de pensão?

Em vez de se chorar, não será de começar a pensar em fazer economias?

Repimpado como está, refastelado a comer do bom e do melhor à custa do Zé Pagode, com todas as mordomias e mais algumas e ainda se chora? Sabe o que é isso, Senhor Professor? São lágrimas de crocodilo!

Nota explicativa: A expressão popular derramar lágrimas de crocodilo, usada para dizer que alguém chora sem razão ou por fingimento, surgiu de um facto que acontece com os crocodilos. Quando o animal come uma presa, ele engole-a sem mastigar. Para isso, abre a mandíbula de tal forma que ela comprime a glândula lacrimal, localizada na base da órbita, o que faz com que os répteis lacrimejem. (fonte: Wikipedia)


Acha que foi para isso que o Povo Português o elegeu? Para se espojar, com o círculo que o rodeia, nos dinheiros públicos que o Estado, de que o Senhor é chefe, nos vem roubar à boca? Como se fosse o dono de Portugal?

O senhor não é nosso dono, se foi eleito para o cargo que ocupa foi para servir Portugal e não para servir-se dele! Como aliás fazem quase todos os políticos sem vergonha na cara que pululam por aí há uns largos anos. Quer fazer parte da lista?

Já agora, esclareça o Povo em que é que a sua Presidência gasta 165 vezes mesmo, cento e sessenta e cinco vezes) o que gastava a presidência de Ramalho Eanes.

Só para sabermos o tipo de economista que o senhor é!

Fico-me por aqui que até já estou nauseado. Até amanhã!


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terça-feira, 18 de dezembro de 2012

PPP: Ontem já era tarde...!



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De que esteve o Governo à espera?




Teixeira dos Santos, Costa Pina e Almerindo Marques alvos de buscas


PJ investiga ex-ministro das Finanças de José Sócrates, ex-secretário de Estado do Tesouro e o antigo presidente das Estradas de Portugal no âmbito do inquérito crime às parcerias público-privadas.

Ler mais: http://expresso.sapo.pt/teixeira-dos-santos-costa-pina-e-almerindo-marques-alvos-de-buscas=f773202#ixzz2ErgdWxsW


Até que enfim! Não que eu tenha grande fé em que se chegue a algum lado. Porque durante o tempo em que o PS esteve no poder, a teia de leis e contra-leis que a Assembleia da República produziu paraliza totalmente o sistema judicial. Mesmo quando este não está contaminado.

Senão, como se compreende que tantos processos mediáticos e tantas investigações a figuras de vulto tenham ido parar ao cesto dos papeis ou não dando como provados os crimes praticados deixando os réus sair em liberdade?

Portanto vamos continuar esta crónica com uma citacão de Guerra Junqueiro que, escrita no século XIX tem plena actualidade na época actual

A sociedade portuguesa está organizada para o mal. Não é já o mal esporádico e fortuito, em casos isolados que rapidamente se combatem. Não; é o mal colectivo, o mal em norma de vida, o mal em sistema de governo. Os poderes funcionam deliberadamente com um fim: produzir o mal. Porquê e para quê? Porque o mal são eles e querem conservar-se. Um regímen corrupto só na corrupção subsiste. Mantém-se na corrupção como alguns bacilos na porcaria. O seu ódio ao bem é fundamental e orgânico.

Guerra Junqueiro in «Horas de Combate»

Posto isto, Senhor Dr. Pedro Passos Coelho, nosso digníssimo Primeiro-Ministro com maioria absoluta na Assembleia da República e com um Presidente da República do mesmo partido, permita-me que lhe faça uma pergunta:

Acha que já terá tido tempo suficiente de se documentar sobre o (des)governo do seu antessessor, para poder pôr ordem no pantanal que ele deixou e chamar às responsabilidades todos quantos se locupletaram à custa dos dinheiros dos cidadãos?

É que o país está farto de ser espremido e está ávido de ver «correr sangue»! Em sentido figurado, claro, como muito bem sabe.

  • Porque o seu sangue, o seu trabalho, a sua vida foram sugados por esse polvo imenso que o tem enganado durante todos estes anos.

  • Porque suspiram por serem pagos na mesma moeda.

  • Porque querem ver castigados os vampiros que arruinaram Portugal em proveito próprio. E o senhor sabe bem quem são!

  • Porque querem ver devolvido aquilo que lhes foi roubado.

  • E, finalmente, porque não querem ter que lhe chamar «Pinóquio» por mentir descaradamente e não cumprir as promessas feitas seguindo o exemplo que lhe deram os seus antecessores.

Pense nisto, senhor Primeiro-Ministro. Tem aqui uma oportunidade de se redimir do tempo perdido. Aproveite-a.

Até amanhã!

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segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Portugal precisa de 29 mil milhões...


 

... para amortizar dívida




As necessidades de financiamento de Portugal para amortizar a dívida pública nos próximos doze meses vão ascender a 29.100 milhões de euros, segundo a Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO).

Os técnicos de apoio à comissão parlamentar do Orçamento notam que este montante (que inclui juros) "equivale a 25,3% do stock de dívida transacionável".

Ler mais: http://expresso.sapo.pt/portugal-precisa-de-29-mil-milhoes-para-amortizar-divida=f773430#ixzz2F3AhBhWB


Senhor Primeiro Ministro:

Já ontem falámos aqui das PPP e das torrentes de dinheiro que elas representam para as depauperadas finanças do país. Francamente estamos cansados, exaustos, esgotados de tantos sacrifícios que o seu governo nos impõe para tapar as roubalheiras que foram feitas a coberto dos seus antecessores.

E estamos saturados de o ver assobiar para o lado, fazendo de conta que não vê o sofrimento alheio e espremendo sempre os mesmos. Particularmente chocante de insensiboilidade foi a sua resposta a uma repórter da TV que lhe disse que havia crianças a passar fome por causa da austeridade. A sua resposta, (com um sorriso), Sr. Primeiro-Ministro? «Minha senhora, todos temos de fazer sacrifícios». Chocante!

As suas filhas? E os filhos dos seus ministros, secretários de estado, deputados? E os filhos e netos do Sr. Presidente da República? Também passam fome?

Não há meio de o vermos ser Homem e atacar o mal pela raiz dando um exemplo motivador das nossas vontades como um líder que se preze. Pelo contrário, só o vemos a tentar escorregar como uma enguia e a esconder-se atrás de malabarismos verbais.

Vou dar-lhe duas soluções para sair do atoleiro, senhor Primeiro-Ministro. Embora tenha a certeza de que o senhor não vai seguir nenhuma delas. Não tem estaleca para isso.

1ª Solução:

Ir atrás dos dinheiros públicos desviados, doa a quem doer, vá quem for para a prisão, mas fazer todos os abutres deste país vomitar a carniça que nos roubaram.


2ª Solução:

Ir ter com a senhora Angela Merkel e recordar-lhe de que modo a Alemanha pagou as suas dívidas no século XX quando esteve insolvente em 1953. E exigir-lhe o mesmo tratamento que a Alemanha recebeu. Não se recorda? Enviei-lhe um mail sobre isso no sábado passado. Mas, admitindo que uma qualquer secretária zelosa lho tivesse ocultado, aqui vai uma transcrição parcial (se quiser mando-lhe de novo o e-mail completo):

O historiador Albrecht Ritschl, da London School of Economics, recordou recentemente à "Spiegel" que a Alemanha foi o pior país devedor do século XX. O economista destaca que a insolvência germânica dos anos 30 faz a dívida grega de hoje parecer insignificante. "No século xx, a Alemanha foi responsável pela maior bancarrota de que há memória", afirmou. "Foi apenas graças aos Estados Unidos, que injectaram quantias enormes de dinheiro após a Primeira e a Segunda Guerra Mundial, que a Alemanha se tornou financeiramente estável e hoje detém o estatuto de locomotiva da Europa. Esse facto, lamentavelmente, parece esquecido", sublinha Ritsch. O historiador sublinha que a Alemanha desencadeou duas guerras mundiais, a segunda de aniquilação e extermínio, e depois os seus inimigos perdoaram-lhe totalmente o pagamento das reparações ou adiaram-nas.

 Será que o senhor tem coragem para qualquer uma destas soluções?

Pense nisso. E arranje uma solução humana para nos tirar do buraco em que nos meteram.

Pense nisso. Até amanhã!


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domingo, 16 de dezembro de 2012

Portugal é o 5.º mais rentável da Europa...


http://jvacondeus.blogspot.pt


 

... na agricultura





Portugal é o quinto país da União Europeia onde a actividade agrícola por trabalhador mais rende em 2012.

Dados hoje revelados pelo Eurostat indicam que o rendimento do sector agrícola cresce 9,3% em 2012, com a Bélgica a liderar com um crescimento de 30%. Para além deste país, à frente de Portugal posicionam-se apenas a Holanda (14,9%), a Lituânia (13,6%) e a Alemanha (12,1%). A Espanha ficou em 14º lugar com um rendimento de apenas 2,4%.

Ler mais: http://expresso.sapo.pt/portugal-e-o-5-mais-rentavel-da-europa-na-agricultura=f773316#ixzz2Evxn2hoY

Após o 25 de Abril, a Agricultura tem sido considerada a parente pobre da economia, com a fuga generalizada dos trabalhadores para os sectores secundário e terciário esquecendo-nos de que sem comida não podemos viver. E passámos a viver alegremente de importações com o consequente desequilíbrio da nossa balança comercial que tem contribuído para o agravamento da nossa dívida externa.

A Superfície Agrícola Utilizada (SAU), composta por terras aráveis, culturas permanentes, prados e pastagens, corresponde a 13 736 milhões de hectares, ou seja, a 42% da superfície total do país, encontrando-se grande parte em zonas desfavorecidas, uma das razões para que a intensificação observada em muitos países europeus não se tenha verificado em Portugal (fonte CONFAGRI).

De acordo com os dados do Eurostat, em 2001 perto de 36% (3 milhões de hectares) da superfície total estava ocupada com floresta. A superfície agrícola útil (SAU), que ascendia a 3 838 milhões de hectares, correspondia a 42% da superfície total, representando ligeiramente menos de 3% da SAU total da UE. A maior parte da superfície agrícola localizava-se em zonas desfavorecidas (85%), 28,7% da qual se situava em zonas de montanha. Estas características constituíram sempre um obstáculo natural à intensificação da agricultura portuguesa, nomeadamente nas zonas do interior.

As terras aráveis, que representam a principal utilização da SAU, ocupam 1.610 milhões de hectares (42%), seguidas pelos prados e pastagens permanentes (1.390 milhões) e pelas culturas permanentes (767 milhões).

 




Dada a origem diversificada das fontes de informação utilizadas, nem sempre os períodos temporais considerados são coincidentes. No entanto permitem uma visão relativamente aproximada da realidade que temos vivido.

Não se pretende fazer aqui um tratado sobre a nossa agricultura, mas apenas dar uma panorâmica geral que permita a compreensão da situação e das ideias propostas. 

Assim, comecemos o nosso estudo por deitar uma vista de olhos pela Balança Comercial Portuguesa, apenas no que diz respeito aos bens:





Como é do conhecimento geral, as nossas importações ultrapassam significativamente as exportações há já muitos anos. Ou seja, estamos a viver acima das nossas posses. Como temos conseguido isso? Endividando-nos... o que, com o passar dos anos, nos conduziu à situação em que actualmente estamos.

E quais são os artigos mais responsáveis por esse desequilíbrio? Repare-se que apenas três tipos de bens são responsáveis por 40% das nossas importações:




No primeiro grupo, pouco podemos fazer. Àparte a economia de produtos energéticos e a aposta nas energias renováveis (por muito investimento inicial que seja necessário, a verdade é que o «combustível» que gastam é a água da chuva e o vento) apenas podemos contar com a reciclagem de óleos usados e a utilização de biodiesel que (sabe-se lá porquê... mas imagina-se) ainda não está devidamente regulamentada.

No segundo já podemos fazer algo, uma vez que temos muitas empresas a fabricar componentes para a indústria automóvel, linhas de montagem e até uma unidade (Auto-Europa) que é a nossa bandeira de exportação. Mas poderíamos ter mais, embora com tecnologia estrangeira. Se as firmas construtoras estiverem dispostas a investir em Portugal.

Pena foi que tivéssemos liquidado duas unidades produtoras de equipamento ferroviário (SOREFAME e SEPSA) e estejamos, nesse campo, fortemente dependentes da importação.

No entanto, no terceiro grupo há perspectivas bem positivas se as soubermos utilizar devidamente. 



Repare-se que, embora actualmente estejamos numa enorme dependência externa, a realidade é que em tempos não muito distantes já tivemos uma auto-suficiência superior a 80% que poderemos vir a retomar ou mesmo ultrapassar. Se nos dispusermos a trabalhar para esse fim.




Posto isto, analisemos as origens dos produtos importados. Fazendo o gráfico respectivo temos que 43% das importações vêm da nossa vizinha Espanha e 10% de França. Só por si, estes dois países representam mais de metade (53%) das nossas importações de bens alimentares.




Convertendo estes dados em numerário, temos:



Repare-se que, só de Espanha nós importamos perto de quatro mil milhões de Euros. E isto é particularmente importante porque se trata de um país com as mesmas características climatéricas e portanto adequado ao mesmo tipo de culturas... que poderíamos fazer em Portugal.

Certo que temos menor área de terrenos de aluvião, mas, em muitas áreas, os nossos produtos são de qualidade muito superior aos espanhois.

Nos cereais a produção parece estar a aumentar. No entanto há muitos produtores que abandonaram a produção, por exemplo, de trigo já que os preços de importação deste cereal (embora de qualidade inferior - trigo mole) são preferidos pela indústria, mais preocupada com os preços do que com a qualidade.




As diferenças de importância da agricultura nas diferentes regiões também são muito acentuadas. Em termos de emprego, a agricultura é especialmente importante na região Centro, ao passo que, em termos de valor acrescentado, a percentagem mais elevada cabe ao Alentejo, onde esse valor é superior a 10%.

A região onde a importância da agricultura na economia é menor é a de Lisboa e Vale do Tejo, que é também aquela onde se concentram os pomares e as vinhas mais produtivas de Portugal.





Um dado interessante que pode lançar alguma luz sobre a situação é a distribuição dos empresários agrícolas por faixa etária:




Como se constata, ao contrário do que acontece no resto da Europa, a incidência das faixas etárias mais idosas em Portugal é mais acentuada, o que poderá significar uma maior resistência à mudança.

Seria interessante cruzar estes dados com a escolaridade adquirida, mas, infelizmente, não conseguimos os elementos indispensáveis para esse estudo.

No entanto os dados do Eurostat indicam que o nível de instrução dos empresários agrícolas portugueses é baixo. Só 1% declaram ter recebido formação agrícola, para uma média de 5% na UE-15. Estes dois elementos colocam dificuldades ao processo de modernização da agricultura portuguesa.

Para mais elementos aconselha-se a consulta do site
http://ec.europa.eu/agriculture/publi/reports/portugal/workdoc_pt.pdf

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A agricultura, que em toda a parte se estima o nervo principal das nações, aqui olha-se como insignificante ou inútil. Além do mais, os portugueses vivem adormecidosde alma e corpo na indolência e gastando acima das suas posses.

Deana Barroqueiro in «D. Sebastião e o Vidente»

Postos estes dados em cima da mesa (mesmo tendo em linha de conta que poderão não ser totalmente exactos), é possível tirar algumas conclusões que julgamos pertinentes.

1. Temos possibilidades de aumentar significativamente a nossa auto-suficiência em produtos alimentares reduzindo as importações e melhorando o estado da nossa balança comercial.

2. As razões que estão por detrás da situação actual são diversas, mas parecem-nos assentar fundamentalmente em três vertentes:





  • Governo (ou melhor, os diversos governos dos últimos 40 anos): negociação da Política Agrícola Comum (PAC); extinção de projectos em curso (açúcar de beterraba, cultura de tabaco); deficiente apoio financeiro e técnico aos agricultores (ao contrário dos nossos parceiros da União Europeia); deficiente legislação laboral (convidando os trabalhadores agrícolas à ociosidade); normas e regulamentos impeditivos (permitindo às sanguessugas locais a colocação de todo o tipo de entraves na mira de «luvas); etc, etc.

  • Agricultores: que não procuram cultivar-se e aprender; que não frequentam cursos de formação (que também não são devidamente preparados e adequados); que não tomam a iniciativa de trilhar caminhos novos; que, pelo facto de serem proprietários, acham que não precisam de aprender a lidar com os trabalhadores; que preferem ter os terrenos ao abandono a cedê-los a alguém que os queira rentabilizar; etc, etc.

  • Trabalhadores agrícolas: que preferem viver na ociosidade de um subsídio; que fazem exigências desmesuradas que sabem de antemão não poderem ser satisfeitas; que não procuram aprender para irem mais além na vida; que apenas fazem o mínimo possível quando trabalham; etc, etc.
O que pode ser feito? O que acima foi dito já dá muitas pistas para actuação a quem o queira fazer. Por exemplo, abrir as fronteiras a famílias de agricultores que queiram trabalhar as terras abandonadas. Por isso:

USEM A IMAGINAÇÃO (sem ser para arranjar maneiras de enganar o fisco nem burlar o próximo).

Vão pensando nisso. Até amanhã!



P.S. Certamente a Senhora Ministra da Agricultura, com os dados e meios a que tem acesso, poderá fazer um estudo muito mais exacto e produtivo do que este. Desde que não confie cegamente em quem possa ter interesse em varrer o lixo para debaixo do tapete. Só que nós fazemos o que fazemos com os meios de que dispomos: fazemos omoletes sem ovos! Por isso se apresentam aos leitores as nossas sinceras desculpas por algum erro cometido. No entanto, entendemos que é mais vale uma informação relativamente incorrecta mesmo com uma margem de erro de 50% do que uma informação nula com uma margem de erro sem limites...!


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sábado, 15 de dezembro de 2012

O exemplo de Ramalho Eanes



Um Presidente impoluto!

Quando cumpria o seu segundo mandato, Ramalho Eanes viu ser-lhe apresentada pelo Governo uma lei especialmente congeminada contra si.


O texto impedia que o vencimento do Chefe do Estado fosse «acumulado com quaisquer pensões de reforma ou de sobrevivência» públicas que viesse a receber.

Sem hesitar, o visado promulgou-o, impedindo-se de auferir a aposentação de militar para a qual descontara durante toda a carreira.

O desconforto de tamanha injustiça levou-o, mais tarde, a entregar o caso aos tribunais que, há pouco, se pronunciaram a seu favor.

Como consequência, foram-lhe disponibilizadas as importâncias não pagas durante catorze anos, com retroactivos, num total de um milhão e trezentos mil euros.

Sem de novo hesitar, o beneficiado decidiu, porém, prescindir do benefício, que o não era pois tratava-se do cumprimento de direitos escamoteados - e não aceitou o dinheiro. Num país dobrado à pedincha, ao suborno, à corrupção, ao embuste, à traficância, à ganância, Ramalho Eanes ergueu-se e, altivo, desferiu uma esplendorosa bofetada de luva branca no videirismo, no arranjismo que o imergem, nos imergem por todos os lados.

As pessoas de bem logo o olharam empolgadas: o seu gesto era-lhes uma luz de conforto, de ânimo em altura de extrema pungência cívica, de dolorosíssimo abandono social.

Antes dele só Natália Correia havia tido comportamento afim, quando se negou a subscrever um pedido de pensão por mérito intelectual que a secretaria da Cultura (sob a responsabilidade de Pedro Santana Lopes) acordara, ante a difícil situação económica da escritora, atribuir-lhe. «Não, não peço. Se o Estado português entender que a mereço», justificar-se-ia, «agradeço-a e aceito-a.

Mas pedi-la, não. Nunca!»

O silêncio caído sobre o gesto de Eanes (deveria, pelo seu simbolismo, ter aberto telejornais e primeiras páginas de periódicos) explica-se pela nossa recalcada má consciência que não suporta, de tão hipócrita, o espelho de semelhantes comportamentos.

“A política tem de ser feita respeitando uma moral, a moral da responsabilidade e, se possível, a moral da convicção”, dirá. Torna-se indispensável “preservar alguns dos valores de outrora, das utopias de outrora”.

Quem o conhece não se surpreende com a sua decisão, pois as questões da honra, da integridade, foram-lhe sempre inamovíveis. Por elas, solitário e inteiro, se empenha, se joga, se acrescenta- acrescentando os outros.

“Senti a marginalização e tentei viver”, confidenciará, “fora dela. Reagi como tímido, liderando”. O acto do antigo Presidente («cujo carácter e probidade sobrelevam a calamidade moral que por aí se tornou comum», como escreveu numa das suas notáveis crónicas Baptista-Bastos) ganha repercussões salvíficas da nossa corrompida, pervertida ética.

Com a sua atitude, Eanes (que recusara já o bastão de Marechal) preservou um nível de dignidade decisivo para continuarmos a respeitar-nos, a acreditar-nos - condição imprescindível ao futuro dos que persistem em ser decentes.

(Fernando Dacosta)

Nota: Já escrevi algures no Expresso um comentário sobre Ramalho Eanes, mas sinto-me na obrigação de dizer algo mais e que me foi contado por mais que uma pessoa.

Disseram-me que perante as dificuldades da Presidência teve de vender uma casa de férias na Costa de Caparica e ainda que chegou a mandar virar dois fatos, razão pela qual um empresário do Norte lhe ofereceu tecido para dois. Quando necessitava de um conselho convidava as pessoas para depois do jantar, aos quais era servido um chá por não haver verba para o jantar. O policia de guarda em vez de estar na rua de plantão ao frio e chuva mandou colocá-lo no átrio e arranjou uma cadeira para ele não estar de pé. Consta que também lhe ofereceram Acções da SLN-BPN, mas recusou.

Já várias vezes este texto de Fernando Dacosta circulou na internet. No entanto nunca é demais realçar a postura de um Homem que, passando pela cadeira do Poder, tendo ocupado o posto mais elevado da Nação, soube sempre manter uma postura honesta e digna a exemplo de Teófilo Braga, nosso primeiro Presidente da Primeira República e de Mouzinho de Albuquerque em tempos um pouco mais recuados.

Também Ramalho Eanes foi o primeiro presidente eleito desta nossa actual República. Só que os seus sucessores não souberam (ou não quiseram) seguir-lhe o nobre exemplo, por desgraça nossa.

Por «estranha» circunstância (ou conveniência de uns tantos) todos estes factos foram escamoteados ao conhecimento do grande público, pelo que, mais uma vez, ouso prestar sentida homenagem ao seu carácter e ao seu sentido do dever.

Aproveito a oportunidade para prestar igualmente a minha homenagem à Drª Manuela Eanes que, durante todo o tempo em que foi primeira-dama, soube sempre assumir uma postura elegante, aristocrática, sóbria e discreta, ao contrário de sucessoras suas que, pelas suas atitudes, mais parecem ter sido elas a quem o Povo confiou a chefia do Estado.

A ambos o meu sincero Bem-Hajam.

Até porque, ao contrário de muitos, não procuraram nem concederam benesses nem cargos públicos a familiares e amigos.

Dadas as amostras posteriores que os partidos nos têm proposto para escolha eleitoral, pergunto a mim mesmo se não será mais sensato procurar o candidato à próxima Presidência no seio da hierarquia militar.

Desde que não seja um louco como alguns personagens que vieram à baila após o 25 de Abril.

E porque não de novo Ramalho Eanes?

Pensem nisso. Até amanhã!


«Somos uma nação de gente invejosa que dá aos medíocres o reconhecimento que nega aos mais merecedores e de maior valia.»
(Deana Barroqueiro) 


P.S. Se os Portugueses decidirem rejeitar esta República vergonhosa e resolverem restaurar a Monarquia, este Homem, pelo seu carácter, seria o tutor ideal para um futuro soberano. Mas isso são contas de um outro rosário...

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sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Há quase 150 anos...

 

... Eça de Queirós escreveu:

 



"Nós estamos num estado comparável apenas à Grécia: a mesma pobreza, a mesma indignidade política, a mesma trapalhada económica, a mesmo baixeza de carácter, a mesma decadência de espírito. Nos livros estrangeiros, nas revistas quando se fala num país caótico e que pela sua decadência progressiva, poderá vir a ser riscado do mapa da Europa, citam-se em paralelo, a Grécia e Portugal"

(in As Farpas - 1872)

“Em Portugal não há ciência de governar nem há ciência de organizar oposição. Falta igualmente a aptidão, e o engenho, e o bom senso, e a moralidade, nestes dois factos que constituem o movimento político das nações. A ciência de governar é neste país uma habilidade, uma rotina de acaso, diversamente influenciada pela paixão, pela inveja, pela intriga, pela vaidade, pela frivolidade e pelo interesse. A política é uma arma, em todos os pontos revolta pelas vontades contraditórias; ali dominam as más paixões; ali luta-se pela avidez do ganho ou pelo gozo da vaidade; ali há a postergação dos princípios e o desprezo dos sentimentos; ali há a abdicação de tudo o que o homem tem na alma de nobre, de generoso, de grande, de racional e de justo; em volta daquela arena enxameiam os aventureiros inteligentes, os grandes vaidosos, os especuladores ásperos; há a tristeza e a miséria; dentro há a corrupção, o patrono, o privilégio. A refrega é dura; combate-se, atraiçoa-se, brada-se, foge-se, destrói-se, corrompe-se. Todos os desperdícios, todas as violências, todas as indignidades se entrechocam ali com dor e com raiva. À escalada sobem todos os homens inteligentes, nervosos, ambiciosos (...) todos querem penetrar na arena, ambiciosos dos espectáculos cortesãos, ávidos de consideração e de dinheiro, insaciáveis dos gozos da vaidade.”

(in 'Distrito de Évora” - 1867)
     

Passaram quase cento e cinquenta anos sobre estas linhas escritas no Século XIX, época para a qual Portugal regrediu sob as batutas «iluminadas» e «esclarecidas» de todos os crânios políticos que nos conduziram nestes quarenta anos de «democracia».  

Porque o espírito que hoje em dia impera na clique oportunista e corrupta que se senta em todos os lugares de Estado, seja no poder central, seja nas autarquias, com poucas e altamente honrosas excepções (amanhã referiremos uma delas), continua a chafurdar na lama pútrida dos arranjinhos, das cunhas, das imunidades e da sofreguidão a todo o custo pelo lucro fácil.

E a legislação contra o enriquecimento ilícito, que tanta falta faz, continua a ser travada sob os mais diversos pretextos já que não interessa a muita gente grada a hipótese de ser chamada a prestar contas dos seus actos.

Cada vez são mais as vozes autorizadas que nas televisões se erguem contra a fantochada política a que assistimos diariamente. Infelizmente, salvo o caso do Prof. Marcelo Ribeiro de Sousa, todos os demais são relegados para os canais por cabo (SIC Notícias, TVI24, RTP-N), esmagadoramente assistidos por uma classe média cada vez mais espoliada, empobrecida e revoltada, enquanto os canais generalistas são preenchidos por programas imbecilizantes como concursos, Casa dos Segredos, telenovelas e outros que tais.

No entanto, quando essas vozes se tornam por demais incómodas, inventam-se umas peripécias ignóbeis e caricatas como aquela de que foi recentemente vítima o Dr. Medina Carreira.

«Pane et Circensis» (pão e circo) já era a receita que os Romanos aplicavam para adormecer o povo há dois mil anos atrás. E isto agora é a reformulação da velha receita dos três FFF (Fátima, Fado e Futebol) com que Salazar embrutecia e anestesiava Portugal no tempo do seu consulado.

E entretanto os corruptos continuam a corromper-se, os imbecis continuam a «botar faladura» e a darem-se ares de importantes, os inúteis continuam a pavonear-se nas revistas cor-de-rosa como se valessem alguma coisa.

E prossegue o Circo Portugal no seu brilho efémero de estrela cadente a caminho do seu destino final... até que os tigres e leões saltem da arena e devorem a boçal assistência que só ganhará consciência da realidade quando se fecharem sobre si as fauces das feras.

E não aparece jamais um novo D. Sebastião embora não tenham faltado manhãs de nevoeiro...

Até amanhã!


P.S. Um aceno de simpatia aos agentes do SIS ou do DCIAP que já terão certamente sido encarregados (em bom português «encarregados» e não «encarregues») de passar estes meus escritos a pente fino. Desagradável tarefa a vossa. Mas, pelo menos, ficam a saber em primeira mão aquilo que um Português como vós pensa do estado a que reduziram o país que é NOSSO! Um abraço.

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