quinta-feira, 6 de junho de 2013

Madrugada suja...

 de Miguel Sousa Tavares


Hesitei profundamente antes de me abalançar a escrever esta crónica. Até porque tive uma elevada consideração pelo autor (MST) e custa-me apontar o dedo a quem escreveu algumas das melhores páginas que li na vida. Mas entendi que deveria fazer os meus comentários para que outros leitores desprevenidos não comprem gato por lebre.

Se, numa escala de 0 a 20 eu colocaria «Equador» no topo,  «Rio das Flores» lá bem próximo e a «No teu Deserto» daria igualmente uma classificação elevada pela sensibilidade, humanidade e ternura com que foi escrito, não posso dar uma classificação mais do que «suficiente» a uma obra que só será um best-seller (se o chegar a ser) pelo prestígio granjeado por MST nas suas obras anteriores. Ou seja, se as pessoas forem ao engano.

Devo dizer, em abono da verdade, que o enredo é interessante como tal, denuncia situações verídicas e, infelizmente, frequentes no nosso país e que eu não enjeitaria o talento de escrever uma história semelhante. Mas isso sou eu, um zé-ninguém ao lado do autor. De MST seria de esperar muito mais.

Mas vamos por partes. Por interessante que o enredo seja, tal como foi trabalhado, ele está ao nível das telenovelas brasileiras. Que também têm o seu público fiel, não o nego, mas que não é do mesmo nível intelectual dos leitores do «Equador». E, para começar, MST deveria ter um pouco mais de cuidado na sua pesquisa para escrever este livro.

Senão vejamos:



Página 39 - «São Berliets - informou-me o Francisco que conhecera aqueles blindados em Moçambique, em 63». Haja Deus. Blindados? As Berliets? Senhor Dr. Miguel Sousa Tavares, as Berliets são camiões militares, não são blindados. Anda a fazer confusão com as Chaimites? Ai a sua cultura geral...

Página 75 - «Imagino o que lhe não terá custado falar para alguém encarregue...» Haja dó, senhor MST, já alguma vez ouviu dizer que um camião está carregue ou que alguém está sobrecarregue de trabalho? Encarregar e sobrecarregar são verbos compostos do verbo carregar e conjugam-se do mesmo modo. Para alguém que recusa utilizar o novo acordo ortográfico (e muito bem na minha opinião) deveria abster-se de utilizar um neo-neologismo criado nos últimos anos pelos betinhos da capital. A palavra «encarregue» existe, sim, mas é o presente do conjuntivo (que eu encarregue...) e não o particípio passado. Assim aprendi eu na escola, há muitos anos. O senhor não?

Página 313 - «Quero que faças um teste de sangue e um teste de esperma». Senhor doutor, sou casado com uma professora de Genética Humana da Universidade do Porto, mas não é preciso tanto para ver o enorme disparate que aqui está.  Não costuma ver as séries dos CSI na televisão? Face ao relatado na página 343 («-O teu sangue corresponde às amostras que encontrámos no carro, o esperma não») e para esclarecimento da situação dos intervenientes dentro do carro o percurso a seguir seria a determinação do perfil do DNA das manchas de sangue e esperma encontradas e comparação com o perfil do DNA do suspeito, neste caso, do Filipe Madruga. Para a determinação deste último perfil, o que se seria de fazer, porque é o que se faz na prática, seria um simples teste realizado a partir de um esfregaço bucal. Note-se que tratando-se de um assunto criminal tal processo teria que ser conduzido num Instituto de Medicina Legal.

Mas há mais.

Página 16 - «... o falso Alexandre assistiu... aos movimentos compulsivos com que o seu amigo João a obrigou a engoli-lo até ao fim... derramando sobre a cara e o incipiente peito adolescente...» e mais abaixo « ...viu depois como a mesma cena se repetiu com o boçal do Zé Maria...»

No entanto, mais adiante, a versão já não é a mesma. Na

Página 253 - «- E ela fez isso a todos de livre vontade? - Pareceu-me que sim, embora estivesse bêbada...» «- ...E fez o mesmo exactamente a todos? ... - Não: ao Zé Maria foi até ao fim»

Página 254 - « -  E tem a certeza de que foi só ele? - Tenho.»

Mas ainda há mais.

Página 143 e seguintes: Veja-se o estilo de linguagem e as palavras eruditas da avó no seu diálogo com Filipe. São de uma pessoa de baixa instrução de «Medronhais da Serra» ou de uma pessoa com a cultura de MST? Haja congruência

E, já agora, como é que uma pessoa sem conhecimentos jurídicos como um arquitecto paisagista, sem as capacidades de um hacker nos domínios da informática e sem conhecimentos financeiros, pôde seguir os percursos sinuosos das finanças do Dr. Luís Morais e da Terramar até às Ilhas Cayman, até Angola e deslindar todos os esquemas de corrupção subjacentes? Das duas uma: ou MST não sabe do que está a falar e está a enganar os leitores, ou sabe e, como advogado, deveria fazer a denúncia dos casos que conhece tal como fez o seu herói Filipe Madruga.

Não vou aqui tecer comentários à recuperação da vítima Eva Ribeiro nem ao parecer técnico de Filipe Madruga sobre o empreendimento da Blue Ocean. Não tenho conhecimentos sobre essas matérias e não posso aventurar-me em águas desconhecidas. Mas, se MST se aconselhou junto de profissionais dessas áreas, teria sido elegante redigir-lhes um agradecimento. Como faz José Rodrigues dos Santos.

E, para terminar, porque razão nem num epílogo se dá a João Diogo e ao Comendador o tratamento de crápulas que eles merecem? Afinal a Eva e o Filipe ficaram com a faca e o queijo na mão. E, já agora, embora no texto haja uma sugestão de um final feliz, em benefício das leitoras não ficava mal ir um pouco mais além.

E por aqui me fico. Oxalá Miguel Sousa Tavares consiga inverter a curva descendente do seu percurso literário e voltar a brindar-nos com obras primas como as do passado.

P.S. Diz-se que um escritor, quando começa, escreve para o seu próprio prazer, mais tarde, para agradar aos amigos e, por fim, apenas para ganhar dinheiro. Será este o caso?


sábado, 6 de abril de 2013

Deus é branco?








Desde 22 de Fevereiro que aqui não vinha com as minhas crónicas. No entanto chegou-me às mãos um artigo de Isomar Pedro Gomes que, pelo seu conteúdo, mereceu a minha maior atenção pela sua frontalidade e oportunidade.





(quote)

Há dias a caminho do Hojy-yá-Henda, a bordo (como habitual) de um dos machimbombos da TCUL Viana vila – Cuca, (privilegio este meio de transporte por ser o mais barato e acessível aos pobres para rotas longas, mau grado a ‘sardinhada e a catingada’), um dos vários azulinhos que ‘palmilham’ as nossas estradas, os nossos emblemáticos táxis colectivos, chamou a atenção do público, exibindo no seu ‘traseiro’ o seguinte dístico; DEUS È BRANCO, MULATO É ANJO, PRETO È DIABO.
Tal dístico é obvio levantou as mais diversas celeumas entre os passageiros do machimbombo e creio entre todos os ‘observadores’ e transeuntes por onde o dito azulinho (mini mbombó) ‘rasgava’ o seu ‘popó-show’.
Raciocinei com os meus botões e os meus botões comigo, as causas que levaram o proprietário do ‘popó’ ou do ‘chauffeur de praça’ a mencionar e exibir tal ‘desgraçado ou ditoso (?!)‘ rótulo. Na busca mental das ‘causas’, não pude deixar de comparar o modo de vida de hoje e o da administração colonial, quando o País e a grossa maioria dos países do continente Africano, era administrado por indivíduos maioritariamente de raça branca, provenientes da Europa, “os tais colonos”, poderia Africa ser comparada a um paraíso? A quem diga que sim, e eu não discordo dele!
“Colonialismo caiu na lama!” Lembram-se deste célebre estribilho 1974-1977?
A JOÌA COLONIAL 
Angola, era mundialmente conhecida como a Joia do império Português e exibia majestosa, todos os pergaminhos de tal título, o Quénia a par da Africa do Sul, a joia Africana do império Britânico, Algéria a joia Africana do império Francês e o antigo Congo-Belga a joia do mini-imperio Belga. Tais países Africanos – no contexto do outrora - prosperavam a olhos vistos (a maioria deles encontravam-se ainda na idade da pedra), as respectiva comunidades autóctone idem em aspas, os índices de desenvolvimento humano dos autóctones inegavelmente estavam lenta e seguramente subindo, as obras dos colonialistas ainda perduram pela Africa adentro.
Verdade seja dita, o esclavagismo e as guerras de “kwata-kwata” fizeram irremediáveis estragos em África. Mas também não é menos verdade, que a falta de unidade, ambição, irresponsável individualismo e a sempre necessidade de estupida e insanamente guerrearem, fazerem verter sangue (entre nós Africanos), tornaram bem-vinda “la pax romana” isto é promulgado a força do chicote e da bala, pelos Europeus.
As então, gerações de jovens africanos instruídos (pelas respectivas franjas ou instituições da administração colonial) organizaram-se politicamente e fizeram soar a acusação de que os Europeus estavam a sugar as riquezas do solo pátrio em benefício exclusivo das nações colonizadoras, desconsiderando totalmente os interesses dos nativos e das colonias, transformando os autóctones em miseráveis na sua própria terra; “eles vieram com a Bíblia, nós tínhamos as terras, no fim eles ficaram com as terras e nós com a Bíblia” disse Robert Mugabe, nacionalista e guia da libertação do Zimbabwe.
Organizaram-se contra o invasor, protestos, revoltas, guerras, chacinas, a história regista que o movimento e actuação dos ‘mau-mau’ liderado pelo indomável Jomo Keniata, foi um dos mais cruéis de Africa e o que chamou a atenção da comunidade internacional, para a necessidade da urgente descolonização de Africa. Claro a violência gera violência, os resultados hoje fazem parte da história.
A resposta colonial a violência nacionalista africana, sempre foi comedida, por exemplo, se a força policial Portuguesa no 4 de Fevereiro e posteriormente no 12 de Março de 1961, respondesse com o mesmo demonismo com que o MPLA ‘respondeu’ ao chamado Fraccionismo do 27 de Maio 1977, muitos dos actuais dirigentes, não existiriam, e provavelmente não haveria movimentos de libertação, durante muito tempo.
O ÊXODO:  
Passado cerca de meio seculo, que a maioria dos países Africanos ‘arrancaram’ na ponta da espingarda a independência das potências colonizadoras (seguindo a lição do camarada Mao Tsé-Tung), se fizermos o balanço, quais foram os ganhos que os respectivos países e povos obtiveram, poucos são os Países Africanos que diremos, saíram indiscutivelmente a ganhar.
“Quando é que a independência afinal vai acabar?”- Indagou desesperado/desapontado um septuagenário angolano nos idos anos 78-80, fatigaderrimo da guerra estupida, de tanta crueldade e injustiça praticada pelos seus patrícios (do regime e da oposição), denominados de nacionalistas de primeira água.
Poderia Africa ser hoje comparada ao Inferno ou ao Purgatório? Qualquer um deles serve, Paraíso; NUNCA. Pouquíssimos países Africanos (menos do que os dedos de uma mão) podem aproximarem-se a tal eleição.
“HOJE até a Bíblia tiraram-nos, e as terras continuam a não pertencer ao povo” – sintetizou Morgan Tchavingirai, descrevendo a desgraçada e extrema penúria do povo zimbabweano, respondendo ao guia imortal ainda vivo, que diz ter ressuscitado mais vezes que o próprio Jesus Cristo. Zimbabwe no período citado por Bob Mugabe, era o celeiro de África, o povo era detentor de um dos mais elevados IDH do continente.
Por exemplo em Angola. Por vezes quando nas datas históricas, oiço e vejo pela TV, indivíduos a mencionarem o que o ‘colono nos faziam’, sinceramente não sei se, choro de raiva ou se me mato de ‘risada’, “porque o colono fazia…blá-blá-blá” – dizem eles - hoje faz-se o pior. O colono se fez, quase que o desculpo, é ou foi colono, é branco não é meu irmão de raça, etc., agora quando o meu irmão Angolano, preto como eu, (ex-companheiro da miséria e das ruas da amargura) faz o que viva e denodadamente repudiávamos do colono, esta ultima ação dói muitíssimo mais do que a ação anterior, dilacera e mutila impiedosamente a alma.
Por isso, logo após as independências Africanas, verificou-se o segundo êxodo – o primeiro foi dos brancos a abandonarem África - milhões de Africanos, abandonaram com angústia na alma e os olhos arrebitados de descrença a Africa, a maioria arriscando literalmente as suas vidas (o filme continua até aos nossos dias), seguindo os outrora colonos, porque chegaram a conclusão que afinal não é verdade o que apregoa o político Africano; “eles prometeram-nos o paraíso e dão-nos o inferno a dobrar” disse um jovem africano em Lisboa nos anos 78-80 num programa da RTP.
Há mais africanos hoje na Europa do que Europeus em Africa, porque?!
A JUSTIÇA EUROPEIA
Os Europeus, muitos deles depois de chacinados em Africa pelas revoltas africanas, de regresso aos respectivos países embora destroçados de dor e amargura, receberam de braços abertos muitos dos antigos carrascos, dando-lhes um lar e emprego decente e uma vida digna, que jamais tiveram nos países de origem; Paz e sossego duradouro.
O contrario era possível?...  Se ainda hoje 37 anos depois do fim da colonização, os dirigentes Angolanos (por exemplo) ainda desculpam-se na presença colonial Portuguesa em Angola, para justificar a Pobreza e outros pesares que “estamos com ele” eles não são, nunca serão culpados, mas o colono (37 anos depois), SIM, estou seguro que, quando Angola festejar o 50º aniversário, os dirigentes Angolanos, ainda estarão a rogar pragas ao colono Português.
HOJE ouvimos falar de relatos arrepiantes de governação de ‘preto-para-preto’ em muitos países africanos; Incompetência criminosa, bajulação estupida como doutrina, ganância e egoísmo exacerbado (primeiro eu - sempre), mentira como regra, assassinatos indiscriminados, prisões em massa, inexistência de liberdade de expressão – a ‘Bíblia’ citado pelo Morgan Tchavingirai. - (inclusive, gritar; “estou com fome” é crime passível de perder a vida. Kamulingue e Kassule, são a prova viva do facto), vida miserável, falta de empregos, corrupção endémica, justiça injusta e totalmente parcial, cadeias (horrorosamente infernais) a abarrotar de jovens provenientes das classes desfavorecidas, hospitais que mais parecem hospícios, escolas que mais parecem pocilgas etc. etc.
O paradoxo, é, se HOJE em África, usufruímos de um bocadinho de liberdade com sabor a vida, é precisamente graças aos Europeus, isto é aos brancos, que desenvolveram uma nova ordem de conduta internacional e instituições internacionais que vigiam sobre o globo incluindo obviamente Africa. As sanções internacionais e outras medidas de contenção paira sobre os dirigentes Africanos, e então, estes por sua vez, fingem praticar a democracia, não porque eles gostam da democracia, porque temem o “deus branco e o seu braço punitivo”. Porque se dependêssemos totalmente dos governos de “preto-para-preto” seguramente, não seria possível viver, na vasta maioria dos países Africanos.
O protótipo Africano da UE (União Europeia) a chamada UA (União Africana) é uma mentira descabida, a UA é uma instituição falida, decrépita, débil e ‘estaladiça’ (como a bolacha ‘chinesa’ de água e sal) que ninguém leva a sério, uns poucos países africanos esforçam-se por dar credibilidade a UA e ao continente, houve até quem propusesse a seguinte designação DUA (DesUnião Africana), por exemplo quando teremos um Tribunal Internacional Africano? Se os tribunais da maioria dos Países membros é do “faz de conta”, os Africanos instituíram também uma espécie risível de Parlamento Africano, que ações pratica tal PA já desenvolveu em beneficio dos Africanos?
A UA é um club de “compadres” velhacos ditadores, egoístas que sonham com Paris, Londres, Estocolmo etc, ao mesmo tempo que transformam os respectivos países em autênticos ‘buracos negros’. As independências em Africa foram ‘feitas’ para algumas centenas de indivíduos africanos, em detrimento de centenas de milhões, cada vez mais miseráveis.
Nunca a Europa ‘recebeu’ tanta riqueza de Africa como após a chamada “independência dos Países Africanos”, os novos-ricos africanos, apressam-se a ‘esconderem’ os produtos da sua criminosa delapidação na Europa para o gaudio dos Europeus, contrariando aquilo que eles próprios evocaram e prescreveram na convocação para a luta de libertação nacional.
“Eu ir a Portugal algum dia?.. NUNCA!.. Nem morto!”.- (1980 na idade de ouro do partido único) Disse, erguendo o punho direito bem alto em sinal de sacro-juramento, em pleno comício em Benguela, um dos então carismáticos dirigentes da “Revolução Angolana” que prescindo de citar o nome, hoje ele próprio, não só é frequentador assíduo e brioso de Portugal e “empresário português” como também é o orgulhoso presidente de uma agremiação desportiva portuguesa em Angola.
Quase meio século depois, podemos dizer que o IDH dos povos africanos subiu ou regrediu? Somos melhores tratados hoje pelos nossos irmãos dirigentes? Os ideais que nortearam a luta de libertação colonial ainda estão vivos e recomendam-se? Muitos dos nossos jovens usam orgulhosamente tecnologia de ponta os ipod, ‘aichatissa’ e ‘aipad’ fazem a banga da juventude, mas o meio que lhes rodeia é nauseabundo e desolador. O Stress agudo e o AVC matam tanto quanto a malária.
FILANTROPOS DA HUMANIDADE 
A mais recente iniciativa de alguns dos milionários do planeta, comoveu muita gente. Há algum Africano entre os homens que protagonizaram tal feliz iniciativa? Todos eles (os citados filantropos) são homens que dedicaram a maior parte da sua vida na produção de riqueza, não o ‘tiraram’ de algum saco azul, nem tão pouco delapidaram o erário público nacional, mas, sentiram-se na necessidade de “repartir com o necessitado” de todo o mundo.
Ontem, os milionários Africanos orgulhavam-se de ‘aparecerem’ na revista forbes e congéneres, hoje face a iniciativa acima mencionada, publicam como que envergonhados; “não somos milionários” chegam ao ponto alguns de dizerem que o que têm é produto do salário.
AFRICA DO SUL:  
Fiquei arrepiado com as imagens da actuação da polícia Sul-Africana em Dobsonville (será esta a cidade?!) que vitimou o jovem moçambicano Mido Macia (MM), na flor da sua juventude (27 anos). Imagens próprias de uma ‘cena’ do Faroeste no seculo XIX ou da era do Drácula no país da Draculândia.Quando vivi na Africa do Sul, tinha um medo atroz e justificado da polícia Sul-africana, principalmente dos pretos. A maioria do polícia Sul-africano preto chega a ser muito mais impiedoso e selvático que o mais impiedoso policia Sul-Africano branco. O polícia preto (na sua maioria) é absolutamente xenófobo, perverso, contra a lei, corrupto e desalmado.O policia branco, estou certo não faria tal coisa, e muito menos os tais policiais pretos fariam isso se MM fosse branco.A xenofobia na Africa do Sul, é extremamente incentivada e alimentada pela polícia Sul-africana e é planificada nas esquadras de polícia, um dia hei-de descrever as minhas experiencias com a corporação policial daquele País, que apesar dos pesares amo muito sinceramente.Fizeram certamente Nelson Mandela, banhar-se em lágrimas. O único Preto que chegou aos patamares dos ‘deuses’. 
AFINAL QUEM CAIU NA LAMA? 
Há em algum país da Europa, a amálgama descriminada e promiscua, esgoto a céu aberto, suja e podre de ‘bairros’ que vimos e vemos principalmente nas periferias das capitais Africanas (quase todas elas) principalmente dos chamados; País Especial.
Os dirigentes Africanos, nem conseguem combater eficazmente o mosquito, causa do paludismo e malária que dizima á meio século, diariamente milhares de almas (principalmente crianças) pelo continente adentro, as doenças diarreicas (produto da falta de sanidade básica) faz de igual modo uma ‘ceifa’ aterradora. Doenças que o colono quase já tinha debelado como a mosca do sono, ameaçam ‘engolir’ povos inteiros.
Tudo isso acontece perante a pecaminosa insensibilidade de um grupinho de “iluminados africanos” (abençoados pelas igrejas) que preferem comprarem castelos de milhões de Euros na Europa e em orgias depravadas (preferem dar de comer os cães), do que ajudar os seus irmãos, que não lhes pede mais do que apenas: BOA GOVERNAÇÃO... Gerirem o erário público para o bem de TODOS e da nação.
E há quem tem o desplante de vir a público protagonizar uma perversa peça teatral, choramingando; “O colono blá-blá-blá”.
Quanto ao anjo, prefiro não comentar. Deus é Branco?.. Até posso aceitar, porem de uma coisa estou certo, preto, é que não é de certeza ABSOLUTA!

Isomar Pedro Gomes   

http://www.club-k.net/index.php?option=com_content&view=article&id=14520%3Adeus-e-branco-isomar-pedro-gomes&catid=17%3Aopiniao&Itemid=124

(unquote)

Atendendo à divulgação que este blogue atingiu, sendo lido em mais de 50 países, tomei a iniciativa de promover a sua divulgação pela oportunidade e manifesto interesse do seu conteúdo.

Bem-haja, Isomar!

P.S. Para respeitar a autenticidade do autor, abstive-me de converter para Português de Portugal o texto original de Isomar Gomes.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

A cegueira ou a ganância...

Beatriz Talegón







...das cúpulas partidárias?



Alguém perguntou a Seguro por Beatriz?
Há dias, num hotel luxuoso de Cascais, uma jovem socialista de cabelo à la garçonne e voz insinuante partiu os pratos num encontro entre os seus. A espanhola Beatriz Talégon, de 29 anos, líder internacional dos jovens socialistas, baralhou o tradicional calendário - "revolucionário, aos 20 anos, social-democrata, aos 40" - e, a meio caminho, interpelou, com ganas radicais, os velhos socialistas: "A sério, queremos falar aos cidadãos a partir de um hotel de 5 estrelas de Cascais e chegando em carros de luxo?!" 
 
Ler mais: http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=3058375&seccao=Ferreira%20Fernandes&tag=Opini%C3%A3o%20-%20Em%20Foco

Finalmente! Até que enfim alguém com projecção internacional dentro dos partidos tem a coragem e a honestidade de partir a loiça toda e chamar os bois pelos nomes.

Claro que a socialistada toda, de Soares a Seguro, de Costa a Carrilho (e mais toda a comandita de arrivistas que se arrastam atrás) não gostou nem um pouquinho. Nem é de admirar. Porque lhes seria difícil, para não dizer impossível, explicar a moral e a ética de todo o luxo em que se espojam os apregoados defensores de uma sociedade mais justa e equitativa.

Há muitos, muitos anos atrás, pouco depois do 25 de Abril e na campanha eleitoral para as Constituintes, ouvi Maria Barroso arengar num comício que «o PS sabe desta e daquela dificuldade e das necessidades desta e daquela faixa da população». Infelizmente não me deram a palavra pois teria gostado muito de perguntar «se sabem, o que vão fazer com essa "sabedoria"». Porque, como bem se sabe, não fizeram nada a não ser engordar as suas contas bancárias. À custa de quem?

Mas esta lição não é apenas válida para os xuxas! Todos os demais partidos que se dizem defensores do Povo, desde o CDS ao Bloco de Esquerda deviam pôr os olhos nisto e arrepiar caminho antes que seja tarde. Porque o «olha para o que eu digo mas não olhes para o que eu faço» não liga bem com a propaganda eleitoral quando se quer conquistar votos. E o resultado está à vista nas «reduzidíssimas» abstenções que temos tido.

E não se esqueçam que, segundo a aberração que é a Lei n.º 19/2003 de Financiamento dos Partidos Políticos, as vossas receitas como políticos dependem do número de votos conseguidos. E a fuga de votantes tem reflexos nas vossas contabilidades... Não é verdade?


Consultar: Financiamento dos Partidos Políticos e das Campanhas Eleitorais
Lei n.º 19/2003, de 20 de Junho com as alterações introduzidas pelo Decreto‐Lei n.º 287/2003, de 12 de Novembro 
(http://www.parlamento.pt/Legislacao/Documents/Legislacao_Anotada/FinanciamentoPartidosPoliticosCampanhasEleitorais_Simples.pdf)

Vamos lá ganhar o respeito dos Portugueses, meus senhores. Ou a vossa voracidade e falta de vergonha são um saco sem fundo?

Pensem nisso enquanto é tempo. Até amanhã...!


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P.S. Recomendação de leitura para aprendizes de políticos de pacotilha:


«Estrela Dupla» (Double Star) de Robert Heinlein
(Edição Livros do Brasil - Colecção Argonauta, nº 39)



Procurem na biblioteca pública mais próxima já que o livro há muito se encontra esgotado.



"Sobre a nudez forte da verdade, o manto diáfano da fantasia
Eça de Queiroz in «A Relíquia»

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Ele não se cala...

... nem tem vergonha na cara!



Relvas pede a portugueses que esperem pelos resultados até ao fim do mandato

O ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, pediu hoje aos portugueses, num debate promovido pelo Clube dos Pensadores, que esperem pelo fim do mandato do Governo para verem resultados. 
"Peçam-nos os resultados no fim do mandato", afirmou o ministro, durante o debate no Clube dos Pensadores, que decorre num hotel em Vila Nova de Gaia, distrito do Porto, e que tem sido marcado por frequentes protestos de pessoas na audiência. 
Ler mais: http://www.ionline.pt/outros/relvas-pede-portugueses-esperem-pelos-resultados-ao-fim-mandato


Miguel Relvas vaiado em directo na TVI




Um grupo de manifestantes interrompeu a conferência comemorativa dos 20 anos da TVI e vaiou o ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares. Perante a agitação, Miguel Relvas não conseguiu iniciar o discurso e abandonou as instalações onde decorria a cerimónia, escoltado por seguranças. 
Ler mais: http://www.jn.pt/PaginaInicial/Politica/Interior.aspx?content_id=3062045

«Porque no te callas?»
Rei Juan Carlos a Hugo Chavez


Já não é só ao Primeiro-Ministro que se canta a «Grândola, Vila Morena» como sinal de rejeição. E esta canção corre o risco de voltar a ser o mote revolucionário de desagrado pela opressão «democrática» do Povo Português perante a sobranceria do Governo e o constante desrespeito pelas necessidades das camadas «plebeias» da população.

Em resposta ao pedido do senhor ministro Miguel Relvas para se aguardar pelo fim do mandato, ouso perguntar-lhe:


«Porque há-de esperar pelo fim do seu mandato para abdicar das suas mordomias obscenas pagas com os dinheiros dos contribuintes?»


Não há necessidade disso, pois não? O senhor já foi apupado em Mafra, escapou por uma unha negra aos apupos no Coliseu aquando da entrega dos «Dragões de Ouro» do Futebol Clube do Porto, foi vaiado no ISCTE com transmissão em directo na TVI  e agora, no Clube dos Pensadores em Gaiateve a prova final do agrado com que é recebido: com gritos de «fascista» e «gatuno». Com transmissão pela RTP1.


E cada vez vai ser pior, agora que os Portugueses lhe tomaram o gosto!


O senhor não tem vergonha nenhuma pois não? Sujeita-se a todos os vexames para estar no poleiro até ao fim da legislatura para sair com o papo recheado, não é?

Sabe qual é o preço dos seus desaforos, senhor Ministro? É que para o resto da sua vida o senhor vai ser um prisioneiro do seu dinheiro, vai ser obrigado a viver numa gaiola que, por muito dourada que seja, não deixa de ter grades. E a sua liberdade de movimentos já era. Nunca mais vai poder sair à rua em paz. Se sair...

E vai ser apupado e apontado a dedo pelo Povo a quem o senhor anda a espezinhar. No mínimo, porque arranjar ovos e tomates podres é bem fácil...

Bom proveito, Senhor «Doutor». Essa sua vida de leproso não a quero nem coberto de diamantes.

Fique bem. Até amanhã!


quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Ladrões, LADRÕES, L-A-D-R-Õ-E-S !!!!

danielpires93.blogspot.com




Vão roubar a quem o tem!



Governo estuda corte permanente de pensões 
O Ministério das Finanças está a estudar a hipótese de tornar definitivos os cortes aplicados este ano às pensões de reforma. O projeto, no entanto, só avançará se o Tribunal Constitucional avalizar a Contribuição Extraordinária de Solidariedade, que permitiu a redução das reformas acima dos 1350 euros. 
Ler mais: http://expresso.sapo.pt/governo-estuda-corte-permanente-de-pensoes=f787551#ixzz2LCBEwCdZ


Nem Salazar ousou ir tão longe!

Anda uma pessoa a trabalhar uma vida inteira e, quando julga poder acolher-se à sombra protectora de uma reforma para a qual contribuiu dezenas de anos a fio, vem agora um governo de tíbios e incompetentes roubar-lhe, digo bem, ROUBAR-LHE uma grossa fatia daquilo que ele julgou ter amealhado e confiado a uma pessoa de bem!

E porque é que o nosso estimado (des)Governo anda a precisar de tanto dinheiro, de tantos cortes nos direitos das camadas menos favorecidas da população?

Porque não tem coragem, não tem o brio, não tem a hombridade, não tem a nobreza, não tem a decência de o ir buscar às camadas mais favorecidas, mais ricas, mais abonadas (e também mais influ€nt€s) do nosso país

É difícil? Dá arrepios? Não tenho a menor dúvida. Sobretudo para quem possa eventualmente ter algumas obrigações para com os alvejados (o que quero acreditar não tenha nada a ver com os nossos actuais e insuspeitos governantes).

Querem umas sugestões alternativas para não terem que esmagar mais o Povo? É que o Governo está actualmente sentado sobre um barril de pólvora e parece ainda não se ter dado conta disso.

Aí vão:


  • Taxar as entidades financeiras (banca, sociedades de investimento, seguradoras) com os mesmos impostos e taxas aplicados a todas as demais actividades empresariais.

  • Taxar a 20% as mais valias em Bolsa;

  • Aprovar legislação a permitir o resgate dos PPR nas mesmas condições dos depósitos a prazo. 


  • Elevar a remuneração dos Certificados de Aforro para 5% ao ano.

  • Elevar a Contribuição Extraordinária de Solidariedade dos vencimentos e pensões acima de 10.000 Euros para o dobro, acima de 50.000 Euros para o triplo, acima de 100.000 Euros para o quádruplo, acima de 250.000 Euros para o quíntuplo (estejam tranquilos que eles não ficam pobres, de modo algum).

  • Reduzir as despesas faraónicas do aparelho do Estado com Presidência da República, Governo, deputados (reduzindo o seu número para o mínimo constitucional), carros e refeições de luxo, fundações, institutos públicos e mil e uma outras inutilidades balofas que oneram o Orçamento do Estado.

  • Cortar radicalmente os vencimentos obscenos de gestores das empresas públicas

  • Disciplinar as empresas públicas de transportes, remunerando os seus funcionários ao nível das empresas privadas congéneres não prejudicando quem trabalha para o rendimento do país.

  • Acabar com os contratos leoninos das PPP, reduzindo-os a termos razoáveis de rentabilidade.

  • Deixar ir à falência os bancos que não tiverem uma gestão sensata em vez de lhes servirem de almofada para os seus desvarios com o dinheiro que os contribuintes vos confiam (as demais empresas também vão à falência... e todos os dias há mais).

  • Etc, etc (usem a imaginação e consultem as crónicas anteriores deste blogue.


E depois de fazerem todos estes esforços (que, sinceramente nem acredito que façam), se o dinheiro ainda não vos chegar, então venham pedir sacrifícios ao Povo Português.



Mas comecem por dar o exemplo, CARAGO!



Antes que apareça por aí uma Maria da Fonte ou uma Padeira de Aljubarrota que vire tudo de pantanas...

Quem estudou Matemática sabe bem que 

Uma soma infinita de infinitésimos NÃO É um infinitésimo.


Um abraço. Até amanhã!




«Aqueles que enterram a unha na fazenda do pobre 
e arrecadam ou consomem com suas pessoas 
o muito que cobram, são dos tais de quem está escrito: 
devorant plebem mean sicut escam panis, 
devoram o meu povo como se fosse bolo de açafate.

Aquilino Ribeiro - «Dom Frei Bertolameu», Cap XI



terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

A selvajaria continua...





Governo tem estudo para cortar subsídio de desemprego aos mais velhos

Numa altura em que o desemprego acaba de vencer um novo máximo histórico de 16,9% da população ativa, o gabinete de estudos do Ministério da Economia e do Emprego (MEE), liderado por Álvaro Santos Pereira, e o gabinete de planeamento do Ministério das Finanças, de Vítor Gaspar, publicaram um artigo que defende "uma dissociação entre a idade e o período de concessão" do subsídio de desemprego.
Leia mais na edição e-paper ou na edição impressa do JN de 18.Fev.2013


Meus senhores, onde é que isto vai parar? Não há maneira de o Governo parar com a sangria dos Portugueses? 

A vossa voracidade (ou a de quem manda em vós) não tem limites?

Ainda não entenderam que a vossa margem de manobra já é tão estreita como o fio de uma navalha?

Ou acreditam nas patacoadas do Ulrich de que o povo aguenta?

Olhe que não, Dr. Passos Coelho, olhe que não! como diria o falecido Dr. Álvaro Cunhal (que apesar de comunista, tinha muito mais valor do que o senhor).

O senhor vive fechado no seu gabinete, protegido por guarda-costas e pelo Corpo de Intervenção da PSP, completamente alheado das realidades do país e vivendo num mundo de ilusões.

Há pouco teve mais uma amostra na Assembleia da República quando nas galerias começaram a cantar o «Grândola, Vila Morena». E o senhor, em vez de entender o sintoma, reagiu com uma piada de mau gosto como se tudo fosse uma brincadeira.

O Povo não anda a brincar, senhor Primeiro-Ministro. Não brinca quando tem fome, quando tem necessidades, quando está doente e o vê em conluio com os nababos a espatifar o dinheiro que o senhor lhe vem tirar aos bolsos e à boca.

Vossa Senhoria anda preocupado com a troika, com o FMI, com o seu mundozinho particular e não vislumbra as nuvens de tempestade que se aproximam no horizonte. Mas nas ruas e nos blogues (que não estão acorrentados nem a interesses económicos nem partidários), aquilo que se diz é muito diferente dos sonhos dourados em que o senhor vive.

Cresça, Senhor Doutor! Torne-se adulto e deixe de ser um pau mandado de interesses que não são os do Povo Português. Que o elegeu e a quem o senhor vai ter que prestar contas.

Mais cedo ou mais tarde...

Pense nisso. Quem me avisa meu amigo é!

Até amanhã!






segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Tudo bon$ rapaz€s...



PPR: Um anzol iscado!


Fui fazer uma poupança
Pr'acautelar a velhice
Procurei a confiança
Fui encontrar malandrice.

Desde o Salgado ao Ulrich
E do Tomé ao Rendeiro
É tudo uma malta fixe
P'ra cuidar do teu dinheiro.

(Zé Pitosga)



Chegou-me há dias às mãos uma extensa exposição de uma cliente de um dos principais bancos que operam na nossa praça sobre a forma como foi esbulhada de uma grossa fatia das suas poupanças em PPR por ter tido necessidade, fruto da crise e do desemprego, de levantar antecipadamente essas mesmas poupanças para fazer face à situação em que se encontrava.

Nela contava as diligências que tinha empreendido junto do banco, tudo em vão. Apenas acabou por receber uma extensa carta repleta de explicações incompreensíveis para ela para justificar o banco por se ter apoderado de cerca de 90% do saldo que ela pensava ainda restar  após os restantes levantamentos.

Nela narrava igualmente o drama do seu recurso à DECO, igualmente baldada já que esta organização, embora dando-lhe razão, se manifestou impotente para solucionar o problema mau grado as suas diligências junto do banco, acabando por a aconselhar a recorrer a um advogado.

Só que nenhum advogado aceitou representá-la e enfrentar o banco por uns escassos milhares de Euros, valor que, sendo importante para a lesada, não justificava o empenho de quaquer causídico.

Face a esta situação, dirigi-me a alguns bancos da nossa praça como se estivesse interessado em realizar um PPR. Para o efeito, solicitei junto dos respectivos balcões a correspondente documentação, contratos tipo, etc, para os estudar e poder tirar conclusões a respeito do caso que me tinha chegado às mãos. E pasmei!

Em todos os contratos analisados, as cláusulas de protecção dos interesses do banco são de tal modo que permitam considerar como leoninos esses mesmos contratos, remunerados a um juro baixíssimo e que só uma propaganda tendenciosa de pseudo-redução do IRS pode tornar atractivos...a curtíssimo prazo.


Senão veja-se:


1. Juros


  • Um depósito a prazo é remunerado a uma taxa de 2,7% a 4%.


  • Um PPR é remunerado a um juro que tem variado entre 1,75 e 2,5%

2. Prazo


  • Um depósito a prazo tem um periodo fixo renovável de 3, 6, 12 ou 24 meses

  • Um PPR tem que ter um período mínimo de 5 anos tendo uma duração total estabelecida de modo que no final a pessoa tenha uma idade igual ou superior a 60 anos.

3. Resgate

  • Um depósito a prazo pode ser resgatado em qualquer altura que seja conveniente embora com perda dos juros vincendos mas sem perda de capital.

  • Um PPR tem regras muito rígidas de resgate antes do fim do contrato. Só pode ser reembolsado sem penalização nos seguintes casos:
  • Reforma por velhice
  • Desemprego de longa duração (devidamente comprovado pelo IEFP)
  • Incapacidade permanente para o trabalho
  • Doença grave devidamente comprovada
  • Morte do contratante ou conjuge

E isto é apenas uma amostra. As condições ocupam QUATRO PÁGINAS escritas em letra miúda que as pessoas normalmente não lêem encandeadas pelos benefícios fiscais.

Estes «benefícios fiscais», pagos pelo Estado com o dinheiro de todos nós, acabam por não ser mais do que um engodo para entregarmos à Banca as nossas poupanças até aos 60 anos a um juro mais baixo do que a Banca pagaria em condições normais.

Claro que, se tivermos uma necessidade e precisarmos de um reembolso antecipado, cai em cima de nós todo o peso das condições contratuais que nos foram apresentadas e que confiadamente assinámos. Ainda convencidos de que a Banca é uma pessoa de bem.

Note-se que esses benefícios fiscais são decrescentes à medida que aumente o rendimento anual dos subscritores, acabando por anular-se. O que indicia que o engodo é intencionalmente dirigido às classes baixa-alta e média-baixa cuja cultura será insuficiente para detectar os vícios do contrato que estará prestes a assinar.

No entanto tudo isto, embora éticamente reprovável, é estritamente legal, sustentado por diversos diplomas que podem ser consultados na net por quem tiver paciência para isso.

Resta perguntar a quem legislou estes proteccionismos:

1. O que ganhou por prejudicar deste modo os Portugueses a favor de quem tem dominado (e de que maneira) a vida financeira em Portugal? 

2. Quanto investiu em PPRs? Sem receio de errar, apostaríamos que nem um cêntimo

Fiquem bem. Mas leiam com atenção redobrada todos os contratos que vierem a fazer com entidades financeiras. Até os perceberem bem.

E não se esqueçam:

 "There's no such thing as a free lunch" 

Até amanhã!