sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Já todos sabíamos disto...

... menos ELE!


Passos assume culpa do Estado na morte de "demasiadas" empresas

O primeiro-ministro admitiu na quarta-feira que as instituições do Estado não estão a cumprir a sua parte de agente facilitador no Processo Especial de Revitalização (PER), em vigor desde Maio, inviabilizando a recuperação de empresas em iminente situação de insolvência, que até já tinham um acordo com os restantes credores privados. 

Ler mais em: http://www.jornaldenegocios.pt/economia/detalhe/passos_assume_culpa_do_estado_na_morte_de_demasiadas_empresas.html

Senhor Primeiro-Ministro, há quanto tempo foi o senhor eleito? E foi preciso todo este tempo para o senhor chegar a esta «brilhante» conclusão?

Há muito que o mais comum dos Portugueses sabe que o Estado, seja governado por quem fôr, da esquerda à direita, é o grande responsável pelo esmagamento da Economia.

É preciso ser-se cego (ou não se querer ver) para não se chegar à constatação a que agora (e tardiamente) o senhor vem anunciar ao País.

E o senhor já teve imenso tempo para começar a pôr a casa em ordem. Só não o fez porque não quis ou porque não lhe convinha. A si ou a outrem.

E agora... 
  • quem vai pagar os gigantescos prejuízos que o seu desleixo causou às empresas que fecharam
  • quem vai ressarcir os inúmeros desempregados a quem a sua incúria arruinou a vida?
Será que o senhor ainda consegue dormir à noite? Francamente, se eu tivesse a centésima parte das suas culpas, passava toda a noite a rebolar-me no leito sem conseguir dormir.

Mas isso sou eu, que tenho consciência e responsabilizo-me pelos meus actos. Não fui educado para cometer desvarios e assobiar para o lado.

Sabe que mais, eu já tenho na ideia quem daria um excelente Primeiro-Ministro para ocupar o seu lugar. Já deu provas de que é MUITO competente, tem a visão empresarial que tanta falta lhe faz, é rico e não precisa de nos roubar. E não é para brincadeiras!



BELMIRO DE AZEVEDO AO PODER!

JÁ!

Pensem nisso. Até amanhã!



quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

TAP e CGD são filhos...



 

 

... todos os demais são enteados…


   

Alegrai-vos ó gentes, que continua a haver quem fuja às obrigações que o nosso Governo decreta serem PARA TODOS!   Há sempre alguns priveligiados que conseguem, por artes mágicas, descobrir uma escapatória de modos que sejam os «plebeus» a pagar os custos da crise de que eles são os beneficiários.  

Mas a «festa» não fica por aqui. Também o Metro de Lisboa quer entrar em greve alegando «má gestão» por parte da respectiva Administração.  

Numa coisa eles têm razão: há de facto uma má, uma péssima gestão de uma administração que deveria ter mão de ferro para pôr cobro aos desvarios de uma comandita remunerada principescamente e que não tem o menor pudor em prejudicar, tanto quem trabalha, como a economia do País.  

Alguma dúvida? Vejam-se as nossas crónicas...
... e face a isto digam-me se os imbecis não têm razão? Claro que têm, a Administração é incompetente, faz uma gestão vergonhosa à custa de todos nós.

Mas a priveligiar escandalosamente esses desavergonhados.

E de quem é a culpa, ao fim e ao cabo?

Na CGD e na TAP é de todos nós que somos incapazes de fazer ouvir a nossa voz e que, pela nossa abstenção às urnas eleitorais, permitimos que sejam sempre os mesmos barões a ocupar as cadeiras de São Bento. Ora uns, ora outros, mas sempre farinha do mesmo saco.

No caso do Metro de Lisboa, além de todos nós, pelos motivos apontados, também os «alfacinhas» que não têm pelo na venta para pôr cobro aos desmandos desses desmiolados.

Pobre Portugal que te deixaste arrastar para esta pasmaceira pantanosa!

Hoje é o dia 31 de Janeiro! Esta data diz-vos alguma coisa?

Fiquem bem. Até amanhã!

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Os direitos dos pensionistas...


 

Portugal:

um Estado de direito?

uma «pessoa de bem»?

Por se revestir de pungente actualidade e se tratar de uma flagrante injustiça, tanto para os pensionistas e reformados actuais como para aqueles que um dia o hão-de ser, transcrevo uma carta recebida, cujo signatário se identifica no final.

(quote)

Estimados Amigos,

Como os jornais não publicam as cartas que lhes remeto e preciso de desabafar, recorro aos meus correspondentes "Internéticos", todos os amigos que constam da minha lista de endereços. Ainda que alguns não liguem ao que escrevo.

Não sei a que se refere o Senhor Primeiro-Ministro quando afirma ser a penalização fiscal dos pensionistas resultante de todos aqueles que, em Portugal, "descontaram para ter reformas, mas não para terem estas
reformas".

Pela fala do Senhor Primeiro-Ministro fica-se a saber da existência de pensões de aposentadoria que estão acima daquilo que resultaria da correcta aplicação do Cálculo Actuarial aos descontos que fizeram.

Sendo assim - e não há razões para admitir que o Senhor Primeiro-Ministro não sabe o que diz - estamos perante situações de corrupção. Porque o Centro Nacional de Pensões e a Caixa Geral de Aposentações só podem atribuir pensões que resultem da estrita aplicação daqueles princípios actuariais aos descontos feitos por cada cidadão, em conformidade com as normas legais.

Portanto, o Estado tem condições de identificar cada uma dessas situações e de sancioná-las, em conformidade com a legislação de um Estado de Direito, como tem de sancionar os agentes prevaricadores, que atribuíram pensões excessivas.

Mas, é completamente diferente a situação face aos cidadãos que celebraram contratos com o Estado. Esse contrato consistia em que, ano após ano, e por catorze vezes em cada ano, o cidadão entregava ao Estado uma quota das suas poupanças, para que o mesmo Estado, ao fim dos quarenta anos de desconto lhe devolvesse essa massa de poupança em parcelas mensais, havendo dois meses em que era a dobrar, como acontecera com os descontos.

E tem de ser assim durante o tempo em que o cidadão estiver vivo e, em parte mais reduzida, mas tirada, ainda, da mesma massa de poupança individual, enquanto houver cônjuge sobrevivo.

E esta pensão tem o valor que o Estado, em determinado momento, comunicou ao cidadão que passava a receber. Não tem o valor que o cidadão tivesse querido atribuir-lhe.

Portanto, o Estado Português, pessoa de bem, que sempre foi tido como modelo de virtudes, exemplar no comportamento, tem de continuar a honrar esse estatuto.

Para agradar a quem quer que seja que lhe emprestou dinheiro para fazer despesas faraónicas, que permitiram fazer inumeráveis fortunas e deram aos políticos que assim se comportaram votos que os aconchegaram no poder, o Estado Português não pode deixar de honrar os compromissos assumidos com esses cidadãos que, na mais completa confiança, lhe confiaram as suas poupanças e orientaram a sua vida para viver com a pensão que o Estado calculou ser a devida.

As pensões que correspondem aos descontos que cada qual fez durante a vida activa nunca poderão ser consideradas excessivas. Esses Pensionistas têm de merecer o maior respeito do Estado. Têm as pensões que podem ter, não aquelas que resultariam do seu arbítrio.

E é este o raciocínio de pessoas honestas. Esperam que o Estado sempre lhes entregue aquilo que corresponde à pensão que em determinado momento esse mesmo Estado, sem ser coagido, lhes comunicou passariam a receber na sua nova condição de desligados do serviço activo. Ou seja a partir do momento em que era suposto não mais poderem angariar outro meio de sustento que não fosse a devolução, em fatias mensais, do que haviam confiado ao Estado para esse efeito.

Os prevaricadores têm de ser punidos, onde quer que se situem todos quantos permitiram que, quem quer que seja, auferisse pensão desproporcionada aos descontos feitos, ou mesmo, quem sabe, sem descontos. Sem esquecer, claro está, os beneficiários da falcatrua.

Mas, é impensável num Estado de Direito que, a pretexto dessas situações de extrema irregularidade, vão ser atingidos, a eito, todos aqueles que, do que tiraram do seu bolso durante a vida activa, recebem do Estado a pensão que esse mesmo Estado declarou ser-lhes devida.

Como é inadmissível que políticos a receberem ordenado de função, acrescido de benesses de vária ordem proporcionadas por essa mesma função, considerem que pensões obtidas regularmente, com valores mensais da ordem de 1.350 Euros proporcionam vida de luxo que tem de ser tributada, extraordinariamente.

António Alves Caetano

(unquote)

Esta carta é suficientemente eloquente e é uma bofetada sem mão em toda a cáfila de despudorados oportunistas que, sob os mais ignóbeis artifícios e manobras de bastidores, vieram tirar o pão da boca de quem descontou honradamente durante uma vida de trabalho para ter uma velhice minimamente tranquila apoiada naquilo que entregou regularmente ao Estado confiando que, em democracia, ele continuaria a ser, nesse aspecto, a pessoa de bem que sempre foi durante os tempos que precederam o 25 de Abril.

Pessoalmente, e porque como reformado me identifico com a situação descrita, subscrevo na íntegra cada uma das palavras da carta supra, instando o Governo (se se considera honesto e pessoa de bem) a tomar as devidas providências para detectar os abusos e desvios havidos dos descontos efectuados, punir exemplarmente os prevaricadores e fazer regressar aos cofres do Estado as verbas indevidamente distribuídas.

Claro que lhes dou sempre a alternativa de decidirem que, afinal, os governantes não são pessoas de bem...

Fiquem bem. Até amanhã!



terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Será mesmo o fim...





... das ligações aéreas regionais?


Todos sabemos que o nosso país é pequeno.  Mas será sensato torná-la ainda mais exíguo limitando-o à faixa das provincias litorais desde o Minho ao Algarve? Sobretudo sendo, como é no Norte e Centro, recortado por cadeias de montanhas.

O fim recente da última ligação regional que ainda sobrevivia (Lisboa-Bragança) vem lançar ainda mais dúvidas sobre a sensatez de quem se senta nos arredores do Terreiro do Paço e que tem uma visão míope (para não dizer vesga) das realidades do Portugal que se não vislumbra do topo da torre Vasco da Gama.

Trás-os-Montes não tem comboios para além dos poucos quilómetros do Metro de Mirandela. Depois que encerraram as linhas de via reduzida (como já aqui foi comentado) parece que já não é Portugal.

Fizeram-se auto-estradas mas o túnel do Marão (peça chave da A4) continua inacabado.

E viajar de Chaves, Bragança ou Vila Real até Lisboa para tratar de negócios ou de afazeres oficiais é gastar dois ou mais dias de uma viagem que se poderia resolver em um dia de trabalho.

E o mesmo se poderia dizer da Guarda ou Covilhã, pois, muito embora a Beira Interior disponha de comboios Intercidades e auto-estradas, as deslocações à capital demoram horas infindas se quisermos respeitar (como é da mais elementar prudência) os limites de velocidade.

Nos tempos da TAP-Regional, na década de 70, salvo erro, todas aquelas cidades tinham ligações aéreas regulares a Lisboa com aviões de 5 ou de 9 lugares (Beechcraft Baron e DHC - Twin_Otter). Hoje estamos pior do que há 40 anos atrás.

Sabemos que estamos em crise e com os dinheiros contados. Mas há que ter sensatez naquilo que se anda a fazer e manter linhas aéreas regionais fica bem mais em conta do que construir auto-estradas... para não falar na loucura dos TGV. Veja-se o exemplo da Suíça, país muito menor que Portugal em extensão territorial (41.285 contra 92.090 Km2).

E ocorre perguntar:

A Suíça investe nestes meios de coesão territorial porque é rica ou é rica porque investe nestes meios de coesão territorial?

Pensem nisso. O interior profundo precisa de ser e de se sentir Portugal.

Até amanhã!


Fotografia: Aero Vip

P.S. Devido a um problema de software, hoje não é possível enviar a habitual divulgação por correio electrónico. Espera-se que esse problema seja ultrapassado nas próximas horas. Do facto se apresentam as mais sentidas desculpas. Muito obrigado pela vossa compreensão.


segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Voaram 1715 milhões de euros...


Imagem: Voz do Acre (BR)


 

 

... em Certificados de Aforro!




O Estado ficou sem 1715 milhões de euros em Certificados de Aforro ao longo de 2012, cerca de 4,6 milhões por dia.

A crise económica e a fraca remuneração terão levado os portugueses a desmobilizar as poupanças. De acordo com o Boletim Mensal do IGCP, o instituto que gere a dívida pública portuguesa, a 31 de Dezembro de 2011, os portugueses tinham aplicados 11 384 milhões de euros em Certificados, um valor que caiu para os 9669 milhões no final do ano passado (-1715 milhões de euros).

Ler mais: Correio da Manhã (edição impressa) de Sábado, 26 de Janeiro de 2013

O Governo não deixa de nos surpreender pela incompetência! Faz uma festa de arromba por ter conseguido colocar títulos de dívida pública no estrangeiro a uns 6% e não consegue reter as poupanças dos Portugueses porque as remunera a menos de 3,3 %.

Segundo se pode ler na edição de 26 de Janeiro do Expresso:

Os portugueses chegaram a ter mais de 18 mil milhões de euros aplicados nos certificados de aforro, no início de 2008. Em novembro do ano passado já só tinham 9.667 milhões.
 
Senhor Primeiro-Ministro, senhor Ministro das Finanças, podem vosselências informar-me porque favorecem a alta finança internacional em detrimento da poupança dos Portugueses?

Acham que os Portugueses não corresponderiam se lhes colocassem ao dispor Certificados de Aforro a 5 ou 6% ao ano? Dinheiro NOSSO?

A não ser que a vossa intenção seja proteger a Banca nacional de uma corrida aos depósitos que detêm, remunerados miseravelmente a valores irrisórios ou nulos como nos depósitos à ordem.

A verdade, Senhorias, é que, perante uma acção vossa nesse sentido, os banqueiros portugueses ver-se-iam obrigados a alargar os cordões das suas (recheadas) bolsas e remunerar mais significamente quem neles coloca as suas poupanças.

E isso seria altamente lesivo dos opulentos rendimentos da aristocracia bancária, não é verdade?

Além de que as respectivas acções sofreriam uma quebra em bolsa... e isso iria desagradar a muita gente detentora dessas acções.

Pois é, Doutor Passos Coelho, mais um tiro no pé, igual aos muitos que já deu.

O curioso é que, já em Janeiro de 2010, o então Ministro das Finanças Teixeira dos Santos tivesse anunciado que estava a ser preparada uma emissão de Obrigações do Tesouro (OT) para particulares. Operação que afinal não chegou a concretizar-se.

Razões? Desconhecem-se, mas na mesma notícia (Diário Económico de 27-Jan-2010) se dizia que:

«As emissões de Obrigações do Tesouro são, normalmente, operações dirigidas a investidores institucionais, ou seja, estão blindadas aos particulares. »

Não custa a crer que os ditos «investidores institucionais» tenham manifestado ao Governo o seu desagrado pela hipótese de ser permitido aos particulares o acesso a algo que, até então, era terreno considerado exclusivo seu.

Quer que lhe diga mais, Senhor Primeiro-Ministro? O senhor pode ter legitimidade para governar, mas quem o elegeu não sabia o que andava a fazer.

Mas também não admira.

Desde 1974 que os sucessivos governos não têm feito mais do que embrutecer o Povo à custa da degradação do Ensino...!

Fiquem bem. Até amanhã!



domingo, 27 de janeiro de 2013

Consumismo...

Vamos ganhar juízo?

Estamos em fim-de-semana e, portanto, em ocasião para uma crónica mais substancial e mais digna de uma reflexão aprofundada.

Realizou-se há tempos a conferência Rio+20 (A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável - CNUDS), que reuniu Chefes de Estado e Governo de 190 países e latitudes.

Nessa conferência assumiu particular relevância o discurso do Presidente da República do Uruguai, Sr. José Mujica que vos convidamos a visionar e a reflectir sobre ela antes de prosseguirmos:




Embora a CNUDS não tivesse especificamente como alvo o nosso país, a verdade é que aquilo que o Sr. José Mujica disse pode ser entendido como um retrato daquilo que sucedeu em Portugal e nos conduziu à crise que actualmente vivemos.

Com efeito, vivemos actualmente numa época de consumismo desenfreado em que cada qual almeja possuir e exibir bens materiais acima das suas possibilidades, numa ânsia mais de impressionar os vizinhos do que por real necessidade pessoal.

E, para isso, muitos não hesitam em mergulhar numa espiral de dívidas que se vão acumulando até atingirem proporções insustentáveis.

O número crescente de famílias sobreendividadas que já não conseguem satisfazer os seus compromissos é disso testemunho eloquente.

A responsabilidade maior desse estado de coisas é, sem dúvida, da imprudência dessas próprias famílias que, por preguiça, negligência ou cegueira, não tiveram o cuidado de se informarem devidamente dos riscos e das consequências de assumirem responsabilidades acima das suas posses e de não acautelarem os respectivos futuros.

Mas também não pode, de modo algum, ser negligenciada a responsabilidade da Banca e das instituições de crédito que, na ânsia gananciosa do lucro, não hesitaram em conceder créditos exagerados a quem não tinha meios de os honrar a médio ou longo prazo. Tudo foram facilidades, encandeando os incautos e escamoteando os riscos numa competição encarniçada pela maior fatia do mercado. E foi o que se está a ver.

Por isso, o caminho que nos resta, a todos, estejamos endividados ou não, para equilibrarmos as nossas vidas e acautelarmos o futuro, (independentemente daquilo que o Governo nos obriga a fazer), é procurarmos fazer um esforço sério para sobrevivermos com o mínimo indispensável, privarmo-nos de luxos supérfluos e irmos amealhando o que nos sobra para acudir a uma aflição em tempos difíceis. Porque a ajuda com que contávamos dos organismos oficiais... já era ou está a caminho disso!

E exigirmos aos nossos governantes a mesma contenção a que voluntáriamente nos obrigamos já que eles, por si sós, são incapazes de se privar de ostentações e de uma vida de luxos e privilégios.

Vamos a isso? Até amanhã!



P.S. Nota sobre José Mujica

Mujica é casado com Lucía Topolansky, sua companheira há quase 40 anos. Mujica recebe 12.500 dólares mensais pelo seu trabalho à frente do país, mas doa 90% do seu salário para ONGs e pessoas necessitadas. O seu carro é um VW Carocha. Mora na sua pequena fazenda nos arredores de Montevideu e para ele o restante que sobra do seu salário (cerca de 970 €) é o suficiente para se manter.

“Este dinheiro me basta, e tem que bastar porque há outros uruguaios que vivem com bem menos”, diz o presidente.
(Fonte: Wikipedia)

(igualzinho ao que se passa entre nós!)

sábado, 26 de janeiro de 2013

Liderança e austeridade


Abraham Lincoln





“Praticamente todo o ser humano
consegue suportar a adversidade,
mas se quisermos testar o seu
carácter é darmos-lhe poder”



Vivemos actualmente numa época de crise. Uma época conturbada que exige uma liderança competente e uma chefia forte.

Dito de outro modo, necessita-se de


«Uma luva de veludo sobre uma manopla de aço»


Será que o nosso Governo está a saber lidar com a situação?

Para darmos pistas para chegarmos a conclusões, vejamos algo do que se diz a respeito do exercício do Poder.

Comecemos por referir que habitualmente distinguem-se cinco tipos principais de poder

  • poder legítimo
  • poder informacional ou pericial
  • poder carismático ou de referência
  • poder coercivo
  • poder premiador ou de reforço

Vamos recordar o que se entende por cada um deles:


1) PODER LEGÍTIMO

Fundamenta-se na organização ou na cultura, na medida em que, uma ou outra, por normativo estatutário ou por assentimento social, reconhecem a legitimidade do poder.

As organizações definem funções sociais e estabelecem uma hierarquia de exercício de poder institucionalizando a dicotomia da autoridade. Formam-se assim "grupos de dominação" e "grupos de sujeição",

Os indivíduos que estão situados nos níveis mais baixos reconhecem e aceitam o poder e influência dos que estão regularmente investidos em cargos. É importante notar que:

Quanto mais hierarquizada estiver uma organização, mais o poder está ligado ao CARGO e não à pessoa.

Por exemplo, o juiz tem o poder de aplicar penas e o presidente da câmara o poder de adjudicar obras, independentemente do titular que exerce o cargo. O cargo em si dispõe de um conteúdo próprio de poder bem definido.

O possuidor do poder legítimo não tem de explicar a razão porque deseja um determinado tipo de actuação.
A pessoa com poder legítimo tem influência, não porque diga as coisas certas, mas porque tem o direito de o exercer.

No entanto, o exercício da legitimidade acaba por depender sempre da sua aceitação pelos indivíduos, pela sociedade, pelos grupos de influência ou pela cultura dominante. Se se criar uma distância acentuada entre o titular e o contexto, podem ocorrer reacções que adiante estudaremos.


2) PODER PERICIAL

Fundamenta a sua autoridade no saber, na especialização ou na experiência,

Assume particular importância nos sectores da economia, da indústria ou nos pontos fundamentais que controlam os fluxos relacionais ou os circuitos administrativos. O indivíduo é encarado pelo grupo e pelo poder legítimo como "o perito", ou "aquele que sabe" e portanto "aquele sem cuja opinião se não pode decidir".
Nas organizações complexas ou de elevada tecnologia, o poder pericial tende a ganhar proeminência. É comum em muitas empresas que o alto especialista aufira salários mais elevados do que o próprio poder legítimo já que a importância do poder que exerce cresce na razão directa da complexificação social ou organizacional.

Numa reunião de vários tipos de poder, o especialista pode ser aquele que centralize mais poder, pelo facto de ser o único que dispõe de conhecimentos/informação necessária sobre o funcionamento e potencialidades da matéria objecto da decisão. Ele torna-se a mola real da estratégia da organização.

No entanto esta forma de poder caracteriza-se por uma grande volatilidade. De facto, uma vez a informação prestada o poder desaparece pelo que é indispensável a quem o exerce uma continuada pesquisa de informação de modo a manter a sua imprescindibilidade como perito. É o caso da constante evolução tecnológica que torna obsoletos, cada vez com maior rapidez os conhecimentos adquiridos.


3) PODER CARISMÁTICO

O poder carismático é determinado por um conjunto de qualidades de que são portadores (ou se acredita que são portadores) determinados líderes.

Conduz a uma admiração e adesão dos seguidores, que consideram essas qualidades como "mágicas" ou "sobre-humanas". O carisma manifesta-se por uma atracção motivante, que desencadeia uma atitude de identificação relativamente ao líder, tomado como referência.

Uma das grandes vantagens deste tipo de poder é de não requerer vigilância para ser eficaz. As pessoas desejam assemelhar-se ao modelo e estão auto motivadas para seguirem o comportamento deste.

O poder carismático pode ter ou não ter a ver com o poder legítimo. Homens que marcaram uma época como Ghandi ou Martin Luther King nunca exerceram qualquer cargo na hierarquia do estado; no entanto dispuseram de poder em tão larga escala que as suas orientações tiveram adesão generalizada e estiveram na origem de profundas transformações sociais.

Uma chefia legítima que consiga uma liderança carismática sobre os seus subordinados consegue galvanizar a sua equipa e levá-la a alcançar resultados considerados impossíveis.


4) PODER COERCIVO

O poder coercivo assume duas vertentes:

A faculdade de poder forçar a execução e dispor dos meios para o efeito

A faculdade de poder aplicar punições

Nas organizações o poder coercivo manifesta-se na aplicação dos regulamentos e, em último caso, no despedimento.

Note-se todavia que:

O PODER COERCIVO NUNCA É ABSOLUTO

De facto, a sociedade que aceita e regulamenta a existência da punição reage quando o poder coercivo ultrapassa determinados níveis sociológicos de tolerabilidade.

No entanto, essa mesma sociedade sente a necessidade do poder coercivo já que a simples convicção dos princípios não é suficiente para que as regras sejam cumpridas.

Na prática, se não existe possibilidade de punição, não existe o cumprimento das regras aceites. A própria sociedade estabelece o equilíbrio entre o "nível de intolerabilidade" e o "nível de indispensabilidade"
 


Um exemplo concreto dos nossos dias terá sido a actuação das forças policiais em algumas situações recentes.

Conquanto a necessidade de existência das forças de segurança não possa ser posta em causa, o exagero da sua actuação em certas circunstâncias pode provocar a revolta dos indivíduos atingidos e da própria sociedade.


5) PODER PREMIADOR OU DE REFORÇO

O poder premiador ou de reforço deriva da capacidade o líder em recompensar o trabalho do indivíduo ou satisfazer as suas aspirações e expectativas. Nas organizações está frequentemente associado ao poder legítimo já que é este que decide sobre salários, evolução nas carreiras e benefícios extra.

Está muitas vezes ligado à posição-chave desempenhada num circuito de produção ou num fluxo de trabalho. Em igualdade de circunstâncias pode satisfazer-se mais depressa um pedido do que outro.

Na utilização deste tipo de poder, é indispensável conhecer as motivações dos subordinados já que as suas escalas de valores podem ser diferentes e o prémio motivador para um pode ser absolutamente indiferente para outro.

E não esquecer NUNCA que o dinheiro é um mau motivador já que a sua motivação se esgota no pouco tempo em que as pessoas se habituam ao novo nível remuneracional.

Por outro lado, a utilização de reforços não conduz à interiorização de atitudes pelo que a modificação de comportamento só terá lugar enquanto existirem reforços para serem distribuídos.


O exercício da autoridade

Conforme a forma em que se fundamenta a autoridade, podemos distinguir três tipos de chefia, que se indicam no esquema seguinte:



O Chefe

Exerce a sua autoridade com base na chamada autoridade tradicional (poder coercivo, poder legítimo e poder premiador). É o protótipo do chefe tradicional, paternalista, do “patrão”.

Convém dizer que em si, a autoridade tradicional não é má. Na realidade é a base sobre a qual assentam os outros dois tipos, esses sim, exclusivos entre si. Sê-lo-á se for o único sustentáculo da autoridade de uma chefia. Por esse motivo deverá ser guardada de reserva e só devemos recorrer a ela quando não houver outra hipótese.

Nessas circunstâncias, seguindo o esquema, devemos começar a utilizá-la de cima para baixo, ou seja, devemos começar por utilizar o poder premiador, seguidamente o legítimo e, só em último caso, o coercivo


O Gestor

Exerce a sua autoridade com base na experiência e no conhecimento, ou seja, no poder informacional ou pericial.

Dado que a sua autoridade se fundamente no facto de saber mais do que os seus subordinados, o gestor é extremamente cauteloso na forma como os treina. Em caso algum partilha os segmentos mais significativos dos seus conhecimentos, já que é a própria essência da sua autoridade que ficaria exposta. Se alguma vez o faz, isso significa que, entretanto já adquiriu novos conhecimentos que sustentam a sua posição de chefia.

Dada a base de sustentação da sua autoridade estar no poder do conhecimento, o Gestor procura incessantemente adquirir novos conhecimentos a fim de não ser ultrapassado pelos seus colaboradores.


O Líder

Exerce a sua autoridade com base no carisma pessoal, no estímulo e na motivação. Procura incessantemente colaboradores que o libertem do seu trabalho rotineiro, lançando-se para desafios de criatividade cada vez mais elevados.

Tem a preocupação constante de incentivar o desenvolvimento pessoal e a formação dos seus colaboradores, assumindo um papel marcado de generalista, coordenador e incentivador da sua equipa.

Postas estas considerações sobre o Poder e o seu exercício, alguém conseguirá classificar o tipo de poder exercido pelo nosso Governo?

Que tem poder legítimo, não haverá qualquer dúvida. Venceu as Eleições Legislativas, tem maioria absoluta na Assembleia da República, esse poder não pode legalmente ser contestado.

No entanto, como vimos acima, no caso de deficiente uso do poder, ele pode deixar de ser aceite pelos indivíduos a ele subordinados. E este é um risco sempre presente e que já sentimos nas contestações dos últimos tempos, em particular na de 15 de Setembro.

Também podemos constatar que o Governo utiliza o poder coercivo. Mas, como vimos, este poder não é absoluto e oscila entre dois níveis. E, neste momento, com as medidas de austeridade tomadas sem sensibilidade, aproxima-se perigosamente do nível de intolerabilidade.

Poder premiador, não se vislumbra. A não ser que esteja a ser reservado e utilizado para os apaniguados do aparelho do Estado, os «boys» e «girls» que sempre esvoaçam em redor de quem tem poder como moscas em volta de um pedaço de mel. Mas nada que atinja ou beneficie o eleitorado.

Poder pericial! Alguém tem reconhecido competência inatacável na (inexistente) linha de rumo de um governo que anda ao sabor das marés?

Quanto a poder carismático, não vale perder tempo a falar. Tem mais carisma o treinador do Benfica ou o Presidente do FCPorto do que qualquer dos membros do governo...

Sintomas de recuperação (externa) vão aparecendo alguns. Mas fica a dúvida se serão por mérito de quem nos orienta ou dos talentos impostos pela «detestada» e omnipresente «troika».

E quando se assiste à emigração diária dos nossos licenciados, a nata da nossa sociedade, rumo a países mais desenvolvidos, ou à fuga das nossas empresas do Norte para a vizinha Galiza, pergunta-se que loucura se apoderou dos nossos governantes para deixarem fugir aquilo que nos poderia reerguer...


Para onde nos está a levar, senhor Primeiro-Ministro?


Ou, para si e para os demais políticos amadores deste país, não passamos de gado que se conduz às cegas para o matadouro?

Fiquem bem. Até amanhã