quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Formação: Uma proposta concreta (Parte IV)

Certificados de

Habilitações

Pedagógicas





Conforme prometido anteriormente, vimos aqui esquematizar uma proposta para racionalização dos CAP - Certificados de Habilitações Pedagógicas que, num artigo anterior, subdividimos em cinco categorias, correspondentes aos níveis de cursos ministrados.

Algo que está profundamente errado é a necessidade de revalidação periódica dos CAP. Em nenhuma profissão (salvo na de Formador Profissional) existe a aberração,  repito, ABERRAÇÃO! de um profissional perder habilitações por não fazer um cursozeco de tanto em tanto tempo.

Podem um engenheiro, um médico, um advogado, um arquitecto, um economista fazer cursos de especialização, mestrado, pós-graduação, ou doutoramento para ascenderem a níveis mais elevados na profissão. Mas não deixam de ser aquilo que são! Não perdem a sua Cédula Profissional.

Assim sendo, os Certificados de Aptidão Pedagógica deveriam deixar de ter validade limitada passando a ser apenas limitativos do nível de curso que os formadores estarão habilitados a ministrar desde que reunidas as restantes condições.

Posto isto, defende-se que passem a existir os cinco níveis de CAP já delineados anteriormente na Parte II e que a seguir se caracterizam pelas valências a ministrar em Formação de Formadores para cada nível:


• CAP I – Certificado de Aptidão Pedagógica de 1º Nível
  (Habilita à categoria de Formador Assistente) 
  • A Função Formador 
  • Relação Pedagógica
  • Psicologia da Aprendizagem
  • Simulação Inicial
  • Métodos e Técnicas Pedagógicas
  • Concepção e Preparação de Acetatos
  • Utilização do Retroprojector
  • Simulação Final

• CAP II – Certificado de Aptidão Pedagógica de 2º Nível
 (Em conjunto com o CAP I habilita à categoria de Formador Júnior) 
  • Competência Relacional
  • Assertividade e Comunicação
  • Comunicação não-verbal
  • Tecnologias Básicas de Informação
  • MS Word (ou equivalente)
  • MS Excel (ou equivalente)
  • MS PowerPoint
  • MS Outlook
  • A Televisão e o Vídeo na Formação
  • Utilização de computador e multimédia na formação 

• CAP III – Certificado de Aptidão Pedagógica de 3º Nível
(Em conjunto com os CAPs I e II habilita à categoria de Formador Sénior)
  • Ética e Deontologia Profissional
  • Criatividade e Inteligência Emocional
  • Dinâmica de Grupos
  • Utilização do Humor na Formação
  • Internet – utilização de um motor de pesquisa

CAP IV – Certificado de Aptidão Pedagógica de 4º Nível
(Em conjunto com os CAPs I, II e III habilita à categoria de Formador Tutor) 
  • Tecnologias de preparação de audiovisuais
  • MS PowerPoint avançado
  • Ferramentas de tratamento de imagem
  • MS Picture Manager ou Photo Editor
  • MS Draw
  • MS Paint
  • Ferramentas de Vídeo
  • Windows Media Player (ou equivalente)
  • Windows Movie Maker (ou equivalente)
  • Qualidade e Eficácia na Formação
  • Avaliação da Formação

CAP V – Certificado de Aptidão Pedagógica de 5º Nível
(Em conjunto com os CAPs I, II, III e IV habilita à categoria de Formador Mentor
  • Elaboração de Programas de Formação
  • Definição de Objectivos de Formação
  • Preparação de Candidaturas ao F.S.E.
  • Formação de Formadores
    (competência exclusiva de detentores de CAP V)

Caducidade do CAP
A validade dos CAP será ilimitada salvo em casos em que os seus detentores venham a assumir comportamentos incompatíveis com as regras da Honestidade, Legalidade, Ética ou Moral.

A regulamentação relativa a estas situações sería da responsabilidade do IEFP com aprovação do Ministro da Tutela.

E, por agora é tudo. O prometido é devido e a promessa está cumprida. Faço votos de que seja útil como ponto de partida para uma reflexão ponderada.

Vão pensando nisto. Até amanhã


P.S. Desde há várias semanas que estas mensagens são enviadas para o Primeiro-Ministro e para os vários ministérios. Se não ficarem retidas e deitadas para o lixo por uma qualquer secretária menos consciente, talvez «alguém» as leia e tire conclusões sobre o que anda a fazer. Oxalá!



terça-feira, 25 de setembro de 2012

A luz ao fundo do túnel?

20.Setembro.2012
Défice externo
27 vezes menor
que em 2011
O défice externo fixou-se nos 279 milhões de euros nos primeiros sete meses do ano, registando melhorias em todas as componentes da balança comercial, e ficando assim muito abaixo dos 7.624 milhões de euros em igual período de 2011
http://sol.sapo.pt/inicio/Economia/Interior.aspx?content_id=59501

Finalmente começam a surgir boas notícias que nos dão uma pontinha de esperança de que este «aperto de cinto» acaba por ter razão de ser.

Mas, como disse neste domingo o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa, seria de boa política o Governo ir dando estas notícias aos Portugueses. Ter uma melhor metodologia de comunicação com o País em vez de se fechar a sete chaves e ficar mudo como um cesto de ostras.

Afinal nem todos são milionários e nem têm todo o tempo livre para comprar todos os jornais e semanários que existem para vasculharem as notícias que surgem. E as televisões só nos fazem chegar as núvens negras que se perfilam no horizonte e não nos deixam chegar os raiozinhos de sol que nos poderiam animar a alma.

Senhor Primeiro-Ministro e senhores Membros do Governo, nós sabemos que a vossa tarefa não é fácil, mas os senhores parece não terem consciência das dificuldades da vida de todos nós Portugueses. E não vos custaria grande coisa ir-nos dando notícia daquilo que se está a passar de bom em vez de nos irem aplicando a regra do «salame» até nós explodirmos como se viu.

NOTA: O «SALAME»
Diz-se que quem deu o nome a esta estratégia foi Mátyás Rákosis, antigo Secretário-Geral do Partido Comunista Húngaro que a descreve da seguinte forma:
"- Quando pretender apropriar-se do salame que o outro possui e defende com unhas e dentes, não deve arrancar-lho. Deve começar por retirar uma fatia pequeníssima. O dono do salame não dará por isso ou, se der, não lhe atribuirá importância. No dia seguinte retire-lhe uma fatia, depois outra. Pouco a pouco o salame passará para a sua posse"

Não é preciso ter-se o cérebro de Einstein para perceber-se que aqui o «salame» é o nosso dinheiro e que, de um modo ou de outro, fatia a fatia, o Estado nos vem sacar para colmatar as suas necessidades.   Só que essas «fatias» não têm sido retiradas equitativamente e isso demonstra uma franca falta de sensibilidade ou de coragem, como aliás já foi dito por vários comentadores.  

Sinceramente espero vir a ter mais boas notícias para comentar, notícias que nos façam sentir que os nossos esforços estão a servir para alguma coisa.   Mas também espero, como todos os Portugueses, que esses esforços sejam distribuídos de forma equitativa e que, a começar com o vosso exemplo, os sacrifícios não caiam sempre sobre os mesmos e sobre os mais desprotegidos.  

Será que em breve poderemos ter mais notícias agradáveis?   Pensem nisso.

Até amanhã.

P.S. Países onde já foi lido este blogue:
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• Suécia (novo)


    
 

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

CRISE: O Calvário da Classe Média

O Princípio de Pareto



No século XIX um economista italiano chegou à conclusão de que a esmagadora maioria da riqueza de um país está concentrada num número muito reduzido de famílias.





Estamos em crise. Estamos a mergulhar nela há anos e anos. Mas só agora nos demos conta do abismo em que caímos. Porque insistimos em não dar ouvidos a quem nos queria avisar.

As classes baixas cometeram loucuras, endividaram-se (e endividaram-nos) até mais não. Foi um forrobodó completo, sem tento nem medida. Até que os credores nos bateram à porta.

Os Governos não fizeram melhor. Promessas a torto e a direito, obras faraónicas, endividamentos a rodos. Corrupção desmedida, impunidades umas atrás das outras. Tudo se podia fazer, torrava-se dinheiro como milho. Irresponsavelmente. Até que a casa veio abaixo.

E a quem é que o Estado vem esganar, vem sugar o dinheiro para pagar as dívidas gigantescas que a loucura de uns e a ganância de outros acumulou durante anos? Claro: à classe média.

Não é às classes baixas. Não, a essas é perigoso porque são elas que representam mais votos nas urnas. E se fossem incomodadas em demasia poder-se-iam revoltar e virar tudo do avesso. E lá se iam os tachos e as gamelas de tantos vampiros que andam a sugar o nosso sangue.

Também não é às classes altas, essas também são perigosas porque têm dinheiro. E dinheiro é poder e compra influências, bons advogados e impunidades. Senão, digam, quantos tubarões já foram condenados em tribunal pelas tropelias que andam a fazer? Nem o Vale e Azevedo, que está prestes a ficar isento de todas as culpas por prescrição dos processos. Depois de vigarices sem conta e de burlar o Benfica em milhões… E o Duarte Lima? Já se voltou a ouvir falar dele? E o...? E o...?

Quem sobra no final? A espezinhada classe média que não tem um número de votos que intimide mas que tem alguns recursos ganhos à custa de muito trabalho e de muitos sacrifícios. E que não tem defesa possível…

Tal como os pensionistas e reformados que, durante uma vida inteira confiaram mensalmente uma parte do que ganhavam numa entidade que pressupunham ser uma pessoa de bem e que agora, no fim da vida, lhes vem ROUBAR aquilo a que têm direito pelo seu trabalho de tantos anos.

Isto é honesto? Não é! Isto é ético? Tão pouco! Isto é moral? Nem pensar!

Mas o que interessa a Honestidade, a Ética, a Moral a quem vive obcecado nas garras da ganância?

O que interessa a esses elegantes senhores que falam uma linguagem «técnica» que ninguém percebe, que vestem fatos que um só daria para vestir bem uma família numerosa, que calçam sapatos italianos que um par daria para pagar dois ou três salários mínimos (e eles não têm apenas um), que almoçam em restaurantes em que a conta daria para alimentar uma família necessitada durante um mês, que se fazem transportar em viaturas de alto luxo (pagas com o NOSSO dinheiro) é continuarem a enganar-nos a todos para continuarem a usufruir dos chorudos privilégios que auferem por esvaziarem os nossos bolsos. Porque para isso estamos aqui todos, calados como carneiros à espera da tosquia.

Num país à beira da miséria isto é um ultrage, uma cuspidela na cara de quem os sustenta...

Este mês o povo acordou. A classe média (e não só) ergueu-se e rugiu de indignação, de frustração, de raiva. Ordeiramente… mas fez-se ouvir.

Mas receio que não vá ficar por aqui.

Porque esses senhores ainda não devem ter aprendido e andam, com passinhos de lã, a congeminar subterfúgios para ver se conseguem levar a água ao moínho deles sem que nós demos por ela...

Pensem nisso. Até amanhã


Afinal...

A «avaria» foi apenas fruto da «azelhice» do utilizador que não tem culpa de não ser Engenheiro Informático. Em cinco minutos foi resolvida... e cá estamos de novo... Ainda bem!











domingo, 23 de setembro de 2012

Metro do Porto: Vamos criar a linha Z?



Ligação directa
Valongo ↔ Matosinhos

Via Ermesinde, São Mamede,
Leça do Balio, Custóias



Ora bem, acima de tudo esta é uma linha que vai ficar baratíssima (o que significa que não vai permitir «luvas» milionárias e vai fazer feliz o Ministro das Finanças), em que 95% das infra-estruturas já estão feitas e que vai tirar de circulação largos milhares de viaturas automóveis com os correspondentes benefícios para o ambiente, para a mobilidade no Grande Porto e para o País (pela redução das importações de petróleo).

É o «Ovo de Colombo», só que exige que se sentem à mesma mesa o Governo, a CP e a Metro do Porto.


Trata-se, simplesmente, de reactivar para passageiros a linha de cintura da CP Ermesinde-Leixões com comboios a partir de Valongo. Esta linha passa muito próximo da linha amarela D (interceptá-la-á quando ela for prolongada para Norte) e cruza as linhas Verde C, Vermelha B e Violeta E (estas duas simultaneamente) e vai terminar junto à estação do Senhor de Matosinhos da linha Azul A.

Dirá a Administração da CP que recentemente reactivou parcialmente essa linha e que só tinha dois ou três passageiros por dia, que teve um prejuízo enorme, etc.

É verdade. Mas qual a razão? Não foram feitas as interfaces de ligação às linhas do Metro nos pontos de cruzamento.

Estações exteriores, à superfície, de custo reduzido (não precisam de ser em mármore) que permitiriam a núcleos populacionais importantes e a grandes empresas (Unicer, Efacec, APDL, etc) terem transporte à porta interligado à rede do Metro com imensos benefícios na mobilidade das populações e, para as empresas, no recrutamento de colaboradores.

As composições ferroviárias utilizadas poderiam, por exemplo, ser arrendadas à Metro do Porto que ficaria responsável pela sua exploração, pessoal e interligação à rede existente.  E pela instalação do sistema Andante nas estações e apeadeiros.

A Metro do Porto tem experiência dessas estações económicas à superfície e esta simbiose CP/METRO seria uma mais valia para AMBAS as empresas dentro do universo Andante.

Isto, ao fim e ao cabo, é quase uma reedição do pacto Metro de Lisboa/FERTAGUS. E é o mesmo que se faz nos comboios suburbanos a sul do Douro nas estações de Campanhã e General Torres. Porque não fazer o mesmo a norte do rio?

Apenas têm que se sentar à mesma mesa, entrarem em acordo, discutir pormenores e porem mãos à obra... que pode ser concluída em pouco tempo.

Vamos pensar nisso? Até amanhã!




P.S. A propósito, porque razão não instala a Metro do Porto uma estação de superfície junto à Outlet THE STYLE em Vila do Conde? E onde agora também existe uma grande superfície ligada à bricolage.

Além de ter um enorme movimento das 10 às 23 horas (+ 1 hora antes e depois para o pessoal) tem um grande parque de estacionamento que as populações das proximidades poderiam utilizar para tomar o Metro. E ajudaria imenso a rentabilizar a linha B... que passa mesmo ao lado como se pode ver na foto. 

Afinal são os fornecedores de serviços que têm de procurar onde estão os seus clientes...


Atenção:

Devido a uma avaria no computador (que vai ter que ser reparado e não se sabe por quanto tempo) este blogue pode ter que ser suspenso durante alguns dias. Pede-se desculpa pelo eventual incómodo.

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 (Onde existe um Português...)


sábado, 22 de setembro de 2012

Reciclagem: o ouro que ninguém vê!





Um tesouro
escondido!



Na Natureza,
nada se perde,
nada se cria,
tudo se transforma.
(Lavoisier)

Há dias, numa Grande Reportagem (SIC Notícias), passou uma reportagem sobre este assunto. E, apesar de apenas reciclarmos 13% do nosso lixo (contra mais de 50% na Alemanha) é espantoso o resultado até agora alcançado!

  • Em plásticos de embalagem (filme semi-rígido) já se processam 5 toneladas/hora no valor de 53 milhões de Euros/ano dos quais 90% são exportados
  • Em alumínio, processamos 46.000 toneladas dos quais a maior parte é também exportada. Infelizmente isto representa apenas 20% das embalagens jogadas no lixo. Na Alemanha, Áustria e Holanda (países «pobrezinhos» como sabemos) essa percentagem sobe para 55 a 60%. 
  • Em papel e cartão processamos 325.000 toneladas que representam mais de 8 milhões de embalagens para ovos dos quais 80% são exportados. 
  • No vidro processamos 29.000 toneladas mas, ainda assim, somos obrigados a importar vidro fragmentado já que o vidro separado não chega para as necessidades das nossas empresas (a maior parte perde-se deitado para o lixo comum).
  • Um dado bizarro é o facto de ser nas classes mais abastadas que se verifica menos preocupação com a reciclagem na separação de resíduos (a «nobreza» acha-se acima das responsabilidades de todos os demais, acha que lhe cairiam os pergaminhos na lama se se desse a esse trabalho «degradante»).
  • No entanto, no cômputo geral, 30% das famílias já faz separação enquanto 70% deixa esse trabalho para os outros.
Os números apurados revelam que, entre poupança de importações e valor de exportações de resíduos reciclados, já se atinge um valor anual que ultrapassa os 300 milhões de Euros (pelos números apontados, vemos que esse número poderia ser largamente ultrapassado se a isso nos dispuséssemos)

Numa época de sacrifícios como aquela em que vivemos, devemos fazer todos os esforços para aumentar esses números, separando o nosso lixo doméstico e colocando-o nos ecopontos.

Em vez de desperdiçarmos os nossos magros recursos, vamos deixar-nos de comodismos e contribuir para o equilíbrio financeiro de Portugal seguindo o exemplo de países bem mais ricos do que nós.

Porque qualquer caminhada, longa que seja, começa sempre por um único passo.

Infelizmente, o Povo Português fala muito dos exemplos que vêm lá de fora mas não faz grandes esforços por os imitar. E se TODOS fizéssemos mais este pequeno esforço a bem do País, estaríamos a dar um grande passo para debelar a crise  e minorar os nossos sacrifícios.

Vamos começar por ensinar os nossos filhoa a cuidar do futuro de todos nós? É algo que nada custa e que pode ser feito como uma diversão, como uma cumplicidade entre pais e filhos.

E, como diz o nosso povo: «De pequenino é que se torce o pepino»!

Vamos pensar nisso? Até amanhã!


P.S. Cá entre nós, com os exemplos que nos vêm de quem nos (des)governa não dá grande vontade de fazer esse esforço. Mas devemos fazê-lo, quanto mais não seja para termos o direito de lho esfregarmos na cara!




sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Senado sénior - uma ideia criativa



Bispo do Porto quer
Senado Sénior
a ajudar governos
Porto, 15.Setembro.2012


De acordo com o Jornal de Notícias, o Bispo do Porto diz que o envelhecimento do País não é negativo e quer no futuro um senado de seniores, como órgão consultivo, junto dos governantes. Uma forma de rentabilizar o envelhecimento do País, que "precisa de repensar os seus modelos".






Finalmente uma ideia feliz e pertinente vinda de alguém com peso moral e autoridade.

Já aqui foi dito, a propósito de Formação Profissional, que os nossos governos têm sistematicamente menosprezado o saber e experiência dos quadros em fim de carreira, com todo o alfobre de conhecimentos adquiridos ao longo de uma vida de trabalho e responsabilidade.

Esta atitude depreciativa para com os mais idosos (mas de modo nenhum os menos conhecedores) é, no mínimo, de uma pobreza mental confrangedora pelo desperdício de capacidades e talentos que revela.

Recorde-se, em primeiro lugar, que as pessoas que hoje têm 65 ou mais anos, se licenciaram antes de 1974, numa época em que o ensino era levado muito a sério e com uma qualidade que não se encontra hoje em dia.

Poderá uma licenciatura mais recente ter mais conhecimentos tecnológicos à partida, mas, ao longo da vida, os séniores não estiveram alheios à evolução do ambiente que os foi rodeando e, por exigência das próprias funções, tiveram que acompanhar os tempos e actualizar-se permanentemente.

Com uma sensatez (fruto da experiência de vida) que os mais jovens não são capazes de acompanhar.

Pegando nesta ideia, e porque na Assembleia da República já existe a Sala do Senado (ver foto), sugere-se a rentabilização destas instalações de um modo que não implique um encargo adicional para o Povo Português.

Assim:
  • Seriam eleitos dois senadores por distrito (de modo a eliminar a preponderância dos grandes centros urbanos), com formação superior ao nível mínimo de bacharelato e com idade superior a 65 anos. Tudo isto para poderem merecer a confiança da população, tão traumatizada pela falta de respeitabilidade dos «jotas» e «ex-jotas» que lhes são impostos pelos partidos tradicionais.
  • A eleição desses 44 senadores seria compensado pela redução do número de deputados de 230 para 180 conforme previsto na Constituição da República.
  • Esses 44 senadores seriam complementados por um representante sénior de cada uma das Ordens Profissionais, completando o número de 50.
  • Obrigatoriamente esses senadores seriam eleitos pelos partidos que não tivessem obtido qualquer assento parlamentar a fim de garantir isenção relativamente aos políticos profissionais que nos últimos tempos nos têm (des)governado.
  • Como funções, para além de um contacto aprofundado com as populações que os elegeram, caber-lhes-ia a ponderação das leis aprovadas pela Assembleia votando-as por maioria simples.
  • Se uma Lei fosse reprovada no Senado, seria devolvida à Assembleia da República para nova votação tendo de ser aprovada por uma maioria de 2/3 para poder entrar em vigor. 
Claro que tudo isto teria de ser debatido e burilado para se evitarem erros e artifícios, como, por exemplo, a criação de «Equipas B» dos actuais partidos que desvirtuariam as intenções de honestidade pretendidas.

Ideias loucas? Quem sabe?

Deixo-vos a pensar nisso. Até amanhã








quinta-feira, 20 de setembro de 2012

15 de Setembro: Uma manifestação soft!






A Bela e o Monstro








Não, não estou aqui a chamar «monstro» ao polícia que não fez mal nenhum à jovem e até parece bom rapaz. Desde já lhe rogo que não se sinta ofendido mas o título era tentador... E aliás ele não faz mais do que cumprir as ordens que lhe dão... Por vezes, quem sabe com que vontade...

Monstro será sim aquilo que por detrás dele e de tantos colegas seus se esconde e que, sem pudor nem moral, anda a devorar o País e a desgraçar a vida de milhões de portugueses. Daqueles que não têm poder e que não podem reagir. E dos mais fracos, indefesos e desprotegidos.

Só que, por significativa que tenha sido a manifestação, o seu efeito, para já, foi muito limitado. Praticamente não foi mais do que uma válvula de escape para deixar sair a frustração, a raiva e o desencanto sobretudo da eternamente espezinhada classe média.

Mas não passou de um simples «cartão amarelo» já que muitos dos que deveriam lá estar preferiram assistir comodamente pela TV, não tiveram a coragem de se manifestar, antes preferiram esconder-se e esperar que outros lutem pelos seus direitos, que corram os riscos e que eles aproveitem depois. Sem esforço. Sem riscos. Anonimamente.

Lá diz o ditado:

«Quem não arrisca, não petisca»

Grande parte do Povo Português é comodista ... e cobarde. E é mal informado intencionalmente por todos quantos pretendem cavalgá-lo em favor dos seus interesses mesquinhos. Não passa da tal «Maioria Silenciosa» de que falava o Marechal Spínola.

Foi assim no 5 de Outubro, no 28 de Maio, no 25 de Abril, no 11 de Março e no 25 de Novembro. Foram sempre uns poucos que fizeram tudo, por vezes contra os interesses da população e sempre em proveito próprio… e que colheram os lucros a seu bel-prazer porque a população se deixou manipular à vontade.

Por ignorância, por comodismo e por MEDO!

Até nesta manifestação nacional do passado dia 15 de Setembro, feita no interesse de todos, apenas deram a cara uns meros 500 mil quando deviam ter aparecido CINCO MILHÕES!

Isso sim, teria sido um verdadeiro «cartão vermelho» mostrado ao Governo. E aí eles teriam realmente medo! E iriam arrepiar caminho! Assim foi apenas um sustozinho mas que fez o Primeiro-Ministro trancar-se em São Bento rodeado de viaturas do Corpo de Intervenção.

Não defendo a violência, ainda bem que a manifestação foi pacífica. Só que pecou por escassa. Houve capitais de distrito em que a adesão se ficou pelas poucas centenas.

Longe vai o povo de 1385 que expulsou Leonor Teles e deu o trono ao Mestre de Aviz.

Porque a grande maioria dos Portugueses de hoje só pensa em futebol, telenovelas e mexericos... E agora no triste espectáculo de mais uma «Casa dos Segredos. E em correr para a Igreja ou para Fátima a pedir benesses. Ou a jogar no Totoloto ou no Euromilhões... Mas a verdade é que 

«Deus ajuda a quem se ajuda».

Já aqui foi dito que

«Cada povo tem o Governo que merece»

E o analfabetismo cultural destas novas gerações é confrangedor. Um exemplo, alguém sabe onde fica o Rio Arda?

(foto Américo Almeida http://olhares.sapo.pt/rio-arda-foto1562271.html)

Quando fiz a 4ª classe, em tempos que já lá vão, quem não sabia de cor o nome dos rios portugueses?

Hoje a juventude vai ver à internet... aqueles que têm a sorte de ter um computador.

E a tabuada? Alguém se lembra? Quantos são 8 vezes 7? Depois queixam-se dos maus resultados a Matemática, um bicho de sete cabeças.

O Povo é ignorante porque quer, porque acha que tudo lhe é devido e porque acha não tem de fazer esforço, porque acha que não tem de trabalhar, porque lhe meteram na cabeça que basta «exigir» para lhe fazerem todas as vontades.

E não vai votar nas eleições, deixa que lhe coloquem as rédeas, o freio e a sela para depois lhe cravarem as esporas no ventre.

Não se queixem. Parafraseando uma conhecida marca de produtos de cosmética:

VOCÊS MERECEM!


Porque tenho a certeza de que nas próximas eleições vai, de novo, ganhar a abstenção.

Fiquem bem com a vossa consciência. Até amanhã!


P.S. Rio Arda: último afluente significativo da margem esquerda do Douro
  • Margem direita: Sabor, Tua, Corgo, Tâmega e Sousa
  • Margem esquerda: Águeda, Côa, Távora, Varosa, Paiva e Arda