sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Senado sénior - uma ideia criativa



Bispo do Porto quer
Senado Sénior
a ajudar governos
Porto, 15.Setembro.2012


De acordo com o Jornal de Notícias, o Bispo do Porto diz que o envelhecimento do País não é negativo e quer no futuro um senado de seniores, como órgão consultivo, junto dos governantes. Uma forma de rentabilizar o envelhecimento do País, que "precisa de repensar os seus modelos".






Finalmente uma ideia feliz e pertinente vinda de alguém com peso moral e autoridade.

Já aqui foi dito, a propósito de Formação Profissional, que os nossos governos têm sistematicamente menosprezado o saber e experiência dos quadros em fim de carreira, com todo o alfobre de conhecimentos adquiridos ao longo de uma vida de trabalho e responsabilidade.

Esta atitude depreciativa para com os mais idosos (mas de modo nenhum os menos conhecedores) é, no mínimo, de uma pobreza mental confrangedora pelo desperdício de capacidades e talentos que revela.

Recorde-se, em primeiro lugar, que as pessoas que hoje têm 65 ou mais anos, se licenciaram antes de 1974, numa época em que o ensino era levado muito a sério e com uma qualidade que não se encontra hoje em dia.

Poderá uma licenciatura mais recente ter mais conhecimentos tecnológicos à partida, mas, ao longo da vida, os séniores não estiveram alheios à evolução do ambiente que os foi rodeando e, por exigência das próprias funções, tiveram que acompanhar os tempos e actualizar-se permanentemente.

Com uma sensatez (fruto da experiência de vida) que os mais jovens não são capazes de acompanhar.

Pegando nesta ideia, e porque na Assembleia da República já existe a Sala do Senado (ver foto), sugere-se a rentabilização destas instalações de um modo que não implique um encargo adicional para o Povo Português.

Assim:
  • Seriam eleitos dois senadores por distrito (de modo a eliminar a preponderância dos grandes centros urbanos), com formação superior ao nível mínimo de bacharelato e com idade superior a 65 anos. Tudo isto para poderem merecer a confiança da população, tão traumatizada pela falta de respeitabilidade dos «jotas» e «ex-jotas» que lhes são impostos pelos partidos tradicionais.
  • A eleição desses 44 senadores seria compensado pela redução do número de deputados de 230 para 180 conforme previsto na Constituição da República.
  • Esses 44 senadores seriam complementados por um representante sénior de cada uma das Ordens Profissionais, completando o número de 50.
  • Obrigatoriamente esses senadores seriam eleitos pelos partidos que não tivessem obtido qualquer assento parlamentar a fim de garantir isenção relativamente aos políticos profissionais que nos últimos tempos nos têm (des)governado.
  • Como funções, para além de um contacto aprofundado com as populações que os elegeram, caber-lhes-ia a ponderação das leis aprovadas pela Assembleia votando-as por maioria simples.
  • Se uma Lei fosse reprovada no Senado, seria devolvida à Assembleia da República para nova votação tendo de ser aprovada por uma maioria de 2/3 para poder entrar em vigor. 
Claro que tudo isto teria de ser debatido e burilado para se evitarem erros e artifícios, como, por exemplo, a criação de «Equipas B» dos actuais partidos que desvirtuariam as intenções de honestidade pretendidas.

Ideias loucas? Quem sabe?

Deixo-vos a pensar nisso. Até amanhã








quinta-feira, 20 de setembro de 2012

15 de Setembro: Uma manifestação soft!






A Bela e o Monstro








Não, não estou aqui a chamar «monstro» ao polícia que não fez mal nenhum à jovem e até parece bom rapaz. Desde já lhe rogo que não se sinta ofendido mas o título era tentador... E aliás ele não faz mais do que cumprir as ordens que lhe dão... Por vezes, quem sabe com que vontade...

Monstro será sim aquilo que por detrás dele e de tantos colegas seus se esconde e que, sem pudor nem moral, anda a devorar o País e a desgraçar a vida de milhões de portugueses. Daqueles que não têm poder e que não podem reagir. E dos mais fracos, indefesos e desprotegidos.

Só que, por significativa que tenha sido a manifestação, o seu efeito, para já, foi muito limitado. Praticamente não foi mais do que uma válvula de escape para deixar sair a frustração, a raiva e o desencanto sobretudo da eternamente espezinhada classe média.

Mas não passou de um simples «cartão amarelo» já que muitos dos que deveriam lá estar preferiram assistir comodamente pela TV, não tiveram a coragem de se manifestar, antes preferiram esconder-se e esperar que outros lutem pelos seus direitos, que corram os riscos e que eles aproveitem depois. Sem esforço. Sem riscos. Anonimamente.

Lá diz o ditado:

«Quem não arrisca, não petisca»

Grande parte do Povo Português é comodista ... e cobarde. E é mal informado intencionalmente por todos quantos pretendem cavalgá-lo em favor dos seus interesses mesquinhos. Não passa da tal «Maioria Silenciosa» de que falava o Marechal Spínola.

Foi assim no 5 de Outubro, no 28 de Maio, no 25 de Abril, no 11 de Março e no 25 de Novembro. Foram sempre uns poucos que fizeram tudo, por vezes contra os interesses da população e sempre em proveito próprio… e que colheram os lucros a seu bel-prazer porque a população se deixou manipular à vontade.

Por ignorância, por comodismo e por MEDO!

Até nesta manifestação nacional do passado dia 15 de Setembro, feita no interesse de todos, apenas deram a cara uns meros 500 mil quando deviam ter aparecido CINCO MILHÕES!

Isso sim, teria sido um verdadeiro «cartão vermelho» mostrado ao Governo. E aí eles teriam realmente medo! E iriam arrepiar caminho! Assim foi apenas um sustozinho mas que fez o Primeiro-Ministro trancar-se em São Bento rodeado de viaturas do Corpo de Intervenção.

Não defendo a violência, ainda bem que a manifestação foi pacífica. Só que pecou por escassa. Houve capitais de distrito em que a adesão se ficou pelas poucas centenas.

Longe vai o povo de 1385 que expulsou Leonor Teles e deu o trono ao Mestre de Aviz.

Porque a grande maioria dos Portugueses de hoje só pensa em futebol, telenovelas e mexericos... E agora no triste espectáculo de mais uma «Casa dos Segredos. E em correr para a Igreja ou para Fátima a pedir benesses. Ou a jogar no Totoloto ou no Euromilhões... Mas a verdade é que 

«Deus ajuda a quem se ajuda».

Já aqui foi dito que

«Cada povo tem o Governo que merece»

E o analfabetismo cultural destas novas gerações é confrangedor. Um exemplo, alguém sabe onde fica o Rio Arda?

(foto Américo Almeida http://olhares.sapo.pt/rio-arda-foto1562271.html)

Quando fiz a 4ª classe, em tempos que já lá vão, quem não sabia de cor o nome dos rios portugueses?

Hoje a juventude vai ver à internet... aqueles que têm a sorte de ter um computador.

E a tabuada? Alguém se lembra? Quantos são 8 vezes 7? Depois queixam-se dos maus resultados a Matemática, um bicho de sete cabeças.

O Povo é ignorante porque quer, porque acha que tudo lhe é devido e porque acha não tem de fazer esforço, porque acha que não tem de trabalhar, porque lhe meteram na cabeça que basta «exigir» para lhe fazerem todas as vontades.

E não vai votar nas eleições, deixa que lhe coloquem as rédeas, o freio e a sela para depois lhe cravarem as esporas no ventre.

Não se queixem. Parafraseando uma conhecida marca de produtos de cosmética:

VOCÊS MERECEM!


Porque tenho a certeza de que nas próximas eleições vai, de novo, ganhar a abstenção.

Fiquem bem com a vossa consciência. Até amanhã!


P.S. Rio Arda: último afluente significativo da margem esquerda do Douro
  • Margem direita: Sabor, Tua, Corgo, Tâmega e Sousa
  • Margem esquerda: Águeda, Côa, Távora, Varosa, Paiva e Arda 



quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Os «passeios» de Aguiar Branco


MINISTRO DA DEFESA AGUIAR-BRANCO SUSPEITO DE USAR CARGO PARA ARRANJAR CLIENTES PARA A SUA EMPRESA DE ADVOGADOS -  A JPAB    
(Jornal «O Crime» de 13.Set.2012)              




Mas não é apenas isto a que o jornal alude.
  
Segundo alega o referido jornal na sua pág. 7, o Senhor Ministro Aguiar Branco utiliza uma viatura descaracterizada da PSP (um Alfa Romeo negro) que estaciona em cima do passeio na Rua Dr. José Falcão no Porto onde tem o seu escritório de advocacia.

Mais alega o jornal que a JPAB tem vindo a aumentar o número de clientes desde que o ministro tomou posse e há informações de que membros do gabinete do ministro têm por missão contactar empresas públicas e privadas a oferecer os seus serviços de consultoria...
   



Já nesta segunda-feira, no programa «Olhos nos olhos» (TVI24) o Dr. Medina Carreira se insurgiu violentamente contra a coabitação (ou talvez seja mais adequado chamar-lhe simbiose) entre a classe política e o mundo empresarial.    

Mas, a ser verdade que um ministro, democraticamente eleito, se utilize do seu cargo para influenciar empresas no sentido de obter clientela para o seu escritório... não há palavras para o classificar.    

De acordo com o próprio jornal, terá sido enviado para o Ministério da Defesa e para a Direcção Nacional do PSD um e-mail onde se pergunta:    

(quote)  

«Quantos agentes da PSP estão destacados para a segurança pessoal do senhor ministro?; a que unidade pertencem e quanto é que o Estado já gastou desde 2011/12 com a segurança do Ministro da Defesa?; foram ou não enviadas cartas pela JPAB a oferecer os seus serviços, já com o Dr. Pedro Aguiar Branco como ministro, às Águas de Portugal e a várias entidades bancárias, entre outras empresas?»    

(unquote)    

Segundo «o Crime» esse e-mail não terá tido resposta.    

Senhor Primeiro-Ministro, tenciona Vossa Excelência apurar a veracidade destes factos? E, no caso desses factos se vierem a confirmar, tenciona manter no Governo (e no Partido) o Sr. Dr. Aguiar Branco?    

A isto chama-se manter a imagem de honestidade do Governo.

Ou pensa que este jornal ainda não circulou à velocidade da luz pelas embaixadas e governos dos países a quem estendemos a mão a pedir empréstimos?  

Isto, Senhor Primeiro-Ministro, é ENXOVALHAR PORTUGAL!    

E, por hoje, por aqui me fico. Tenham uma boa semana. Até amanhã. 



P.S. Há pouco tempo dois militares da GNR foram condenados por crime de peculato de uso por terem ido comprar sapatos numa viatura da corporação.

Vejamos o que diz a Lei a esse respeito:

Decreto-Lei nº 48/95 de 15-03-1995

CÓDIGO PENAL

LIVRO II - Parte especial

TÍTULO V - Dos crimes contra o Estado

CAPÍTULO IV - Dos crimes cometidos no exercício de funções públicas

SECÇÃO II - Do peculato

---------

Artigo 376.º - Peculato de uso

1 - O funcionário que fizer uso ou permitir que outra pessoa faça uso, para fins alheios àqueles a que se destinem, de veículos ou de outras coisas móveis de valor apreciável, públicos ou particulares, que lhe forem entregues, estiverem na sua posse ou lhe forem acessíveis em razão das suas funções, é punido com pena de prisão até 1 ano ou com pena de multa até 120 dias.

2 - Se o funcionário, sem que especiais razões de interesse público o justifiquem, der a dinheiro público destino para uso público diferente daquele a que está legalmente afectado, é punido com pena de prisão até 1 ano ou com pena de multa até 120 dias.

Início de Vigência: 01-10-1995

(in Diário da República nº 63 Série I Parte A de 15/03/1995)
     
A lei é igual para todos ou, citando mais uma vez George Orwell (*):  

«Todos os animais são iguais mas alguns são mais iguais que os outros»?

O Senhor Ministro da Defesa é advogado. Não pode desconhecer a Lei! Ou será que, pelas suas funções se sente superior a ela?

(*) Frase final do livro «O Triunfo dos Porcos»
      

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Os Pópós do Estado!

Em 2011

o Estado tinha

27.692 veículos

 

Segundo um relatório da Agência Nacional de Compras Públicas (ANCP), o parque automóvel do Estado no final de 2011 era composto por 27.692 veículos, menos 658 que no ano anterior, uma redução de 2,3 por cento.

Segundo a mesma fonte, os veículos do Estado tinham no final do ano passado, em média, 13 anos de idade e mais de 100 mil quilómetros de serviço.

A idade dos automóveis públicos tem vindo a subir nos últimos anos, à medida que a crise financeira implica contenções na renovação da frota.

Note-se no entanto que estes valores são referentes ao subsetor Estado, e não incluem todas as Administrações Públicas.

(in DESTAK)      

***

Isto é mais um exemplo do Estado no seu melhor, como o demonstra cabalmente o sorriso radioso do ocupante da «bomba» acima.   Claro, claríssimo que esta bela viatura topo de gama e de altíssima cilindrada não tem 13 anos de idade nem mais de 100 mil quilómetros.  

Mas estes privilégios são para os «príncipes» e demais «nobreza» do Estado e não para os «escravos» que prestam serviço ao comum dos cidadãos. Esses têm que se contentar com as velhas sucatas, quantas vezes canibalizadas, porque viaturas em condições são apenas destinadas aos «eleitos» que vivem à custa do Povo.

Seria muito mais educativo se o estudo acima referido revelasse quantas viaturas de valor superior a 50.000€ estão ao serviço do Estado, a quem estão adstritas e o respectivo valor comercial. Para sabermos com que género de pessoas estamos a lidar... 

Veja-se, por exemplo, a PSP que tem inúmeras viaturas «encostadas» e não pode fazer as patrulhas que deve nem acudir lestamente a emergências a pedido dos cidadãos. Veja-se a PJ que não tem carros em condições para fazer uma perseguição eficaz aos criminosos. Mas já os Corpos de Intervenção (que têm a responsabilidade da segurança pessoal dos políticos) estão magnificamente equipados conforme se viu na recente manifestação de 15 de Setembro.

Senhores Governantes, Autarcas, ex-Presidentes e demais honoráveis e mui distintas personagens da nossa Nação, quando será que vos convenceis de que o estado calamitoso a que conduzistes o País não se compadece com luxos faraónicos (vossos) nem com os serviços degradados que o Estado  presta aos cidadãos que vos sustentam?  

Permitam-me que, da minha humilde posição, vos sugira o leilão PÚBLICO (não reservado a «amiguinhos») das viaturas de alta cilindrada que aconchegam os vossos augustos corpos e que, com o dinheiro daí resultante, comprem viaturas em condições para quem trabalha.

Com o restante, adquiram viaturas utilitárias (até 1300 cc) para o vosso serviço oficial. Podem crer que não vos caem os parentes na lama e, em contrapartida, dando um exemplo visível de austeridade, sobem uns pontos significativos na consideração do Povo e nas sondagens eleitorais que tanto vos preocupam. E aos olhos dos nossos credores, que vos vêem fazer uma gestão assisada das verbas que nos emprestam.

Porque armarem-se em novos ricos quando toda a gente sabe que não temos onde cair mortos não fica bem na fotografia

Pensem nisso. Até amanhã!


P.S. Ainda se lembram daquele cidadão finlandês que, num restaurante de luxo do Funchal, perguntou ao nosso Primeiro-Ministro se lhe estava a saber bem o jantar pago com o dinheiro que os finlandeses nos tinham emprestado?

Se fosse num restaurante vulgar não teria havido havido qualquer piada... Ou, se tivesse havido, havia razão moral para responder.

Já diz o povo que «Quem não tem dinheiro não tem vícios». Mas não há meio de os nossos políticos aprenderem...


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  (É a diáspora portuguesa...)


segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Gerações à rasca


(Mia Couto)

Com uma profunda vénia ao autor, atrevo-me a transcrever, pela sua clarividência e oportunidade um texto do escritor e jornalista Mia Couto que recebi através de uma pessoa de família:







Um Dia Isto Tinha Que Acontecer

Existe mais do que uma! Certamente!

Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes as agruras da vida.

Está à rasca a geração dos filhos quenunca foram ensinados a lidar com frustrações
A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que mais tiveram tudo. Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos.

Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos) vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor.

Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos...), mas também lhes deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de diversão, cartas de condução e 1.º automóvel, depósitos de combustível cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada.

Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes.

Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego, ... A vaquinha emagreceu, feneceu, secou.

Foi então que os pais ficaram à rasca.

Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde não se entra à borla nem se consome fiado.

Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a pais.

São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade, nem dos qualquercoisaphones ou pads, sempre de última geração.

São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter de dizer "não". É um "não" que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas, porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem, querem o que já ninguém lhes pode dar!

A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo menos duas décadas.

Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados.

Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade operacional.

Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere.

Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que este, num tempo em que nem um nem outro abundam.

Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras.

Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável.

Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada.

Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o desespero alheio.

Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e inteligência nesta geração?

Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos!

Os jovens que detêm estas capacidades-características não encaixam no retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e nem são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como todos nós).

Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados académicos, porque, que inveja! que chatice!, são betinhos, cromos que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e, oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a subir na vida.

E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares a que alguns acham ter direito e que pelos vistos - e a acreditar no que ultimamente ouvimos de algumas almas - ocupamos injusta, imerecida e indevidamente?!!!

Novos e velhos, todos estamos à rasca.

Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens.

Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme convicção de que a culpa não é deles.

A culpa de tudo isto é nossa, que não soubemos formar nem educar, nem fazer melhor, mas é uma culpa que morre solteira, porque é de todos, e a sociedade não consegue, não quer, não pode assumi-la. Curiosamente, não é desta culpa maior que os jovens agora nos acusam.

Haverá mais triste prova do nosso falhanço?

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Comentários para quê? Está tudo dito!

Pensem bem em tudo isto! Até amanhã!



P.S. Nem de propósito, chegou hoje a público a notícia de que uma aluna da Póvoa de Varzim concluiu o Secundário com a MÉDIA de 20 valores tendo entrado directamente na Faculdade de Economia da Universidade do Porto (única a que concorreu). Esta «betinha» (por sinal uma bonita jovem) não vai ter problemas com a crise nem em arranjar emprego!

Ao contrário de tantos «inteligentes» que pululam por aí!








domingo, 16 de setembro de 2012

Sanguessugas...!

O Princípio de Peter

Numa hierarquia, todo o empregado
tende a ser promovido
até ao seu nível de incompetência.
(Lawrence Peter)
Uma história verídica!
José nasceu em 1935 e licenciou-se em Engenharia Mecânica com alta nota. Colocado numa grande empresa e devido às suas aptidões técnicas foi sendo sucessivamente promovido até chefiar o respectivo Gabinete de Estudos e ser nomeado Director Fabril Adjunto.

Em 1980 o Director-Fabril reformou-se e José foi indicado para o substituir. E aqui começaram os seus problemas porque José não era um bom condutor de homens. Detestava confrontações e esperava que o tempo resolvesse os problemas.
Mais ainda, quando enfrentava grupos contestatários cedia com medo do conflito ou fugia para não ter de dizer que não já que era um homem de compleição franzina e de baixa estatura.
Pelo contrário, as pessoas que não levantam problemas eram esquecidas deixando-se as suas necessidades adiadas para oportunidades que nunca chegavam. Em particular as suas equipas de Engenheiros, tanto do Gabinete de Estudos e dos Serviços Técnico Comerciais foram sendo fortemente penalizadas.
Os casos mais graves eram precisamente os mais competentes e motivados que não viam a hora de progredir nas suas carreiras dada a falta de coragem do seu Director para defender os seus pontos de vista junto da Administração sempre que se tratava de revisões salariais ou evolução profissional.

Como consequência, os quadros mais experientes e qualificados começaram a sair e a procurar funções mais gratificantes em outras empresas onde tiveram ascensões fulgurantes.
A empresa onde o José trabalhava, sangrada até à exaustão dos seus técnicos mais capazes, viu começarem a fugir-lhe os clientes e a carteira de encomendas vindo a encerrar em meados da década de 90.
Cansado e desiludido, José sucumbiu a um enfarte de miocárdio seis meses depois do encerramento da empresa que ele ajudou a destruir.
(Este é um caso real. Apenas os nomes foram alterados por compreensíveis motivos éticos)  
.................................................  
O caso acima apresentado, infelizmente, é muito comum quando um indivíduo é promovido para além do seu nível de competência. E grassa como erva daninha em todo o aparelho do Estado e empresas públicas.
Porque a incompetência é generalizada e esses indivíduos se agarram com unhas e dentes às migalhas de poder de que dispõem pretendendo ter (aos próprios olhos) uma importância que realmente não têm.   Criam complicações burocráticas por tudo e por nada só para se sentirem poderosos.
Vivem num perpétuo complexo de inferioridade porque a sua limitada inteligência e capacidade não lhes permitem aceitar os desafios de ir mais além.   As suas evoluções na carreira fazem-se, não por mérito, mas por antiguidade e, sempre que possível, graças à sempre eterna «cunha»...  
E, como as chefias e as chefias das chefias estão na mesma situação e sofrem do mesmo mal, vão vivendo paulatinamente e sem o menor pingo de vergonha à custa da população que deveriam servir.  
SANGUESSUGAS!  

E, por nosso mal, aqueles que elegemos e que nos deveriam defender, são incapazes de pensar em algo mais do que nos seus interesses e umbigos e, emaranhados numa teia de leis bizarras e contraditórias (que criaram e também não tentam corrigir) acabam por se deixar embalar comodamente nos luxos da governação. E nada fazem...
(Nota: Senhores políticos, já leram «A Queda de um Anjo» de Camilo Castelo Branco? Está lá o vosso retrato sem tirar nem pôr. Isto em pleno Século XIX) 
Mas quando é que esses senhores pegam num esfregão e numa vassoura e fazem uma limpeza generalizada ao lixo humano que pulula e emperra as engrenagns do Estado?   Têm medo de perder votos nas eleições? Mas de onde lhes vêm mais votos? Desses inúteis estropícios ou da generalidade da população? Por favor façam as contas e deixem de só querer viver vidas douradas pagas com o suor e sangue de todos nós!  
E nós, Povo Português, tenhamos a coragem de pedir o Livro de Reclamações sempre que entendermos que os nossos direitos e os nossos interesses estão a ser espezinhados. Só assim conseguiremos meter na linha essa ralé e fazermos com que nos respeitem...!  
Pensem nisso! Até amanhã...
P.S. A imagem acima (que reputo deliciosa) foi retirada do Facebook.
É da autoria de Paulo Cabral e foi postada por Carlos Brandão.
O seu a seu dono. 

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sábado, 15 de setembro de 2012

Corrupção e Economia Paralela


 


 


Economia paralela
em Portugal
equivale a um
Monte Evereste
em notas de 100 Euros




Porto, 13 Set (Lusa) - O peso da economia paralela em Portugal aumentou de 24,8 para 25,4 por cento do PIB entre 2010 e 2011, com 43,4 mil milhões de euros a fugirem ao controlo do fisco, segundo um estudo hoje divulgado.

De acordo com Carlos Pimenta, presidente do Observatório de Economia e Gestão de Fraude (OBEGEF) da Faculdade de Economia da Universidade do Porto (FEP), que realizou o estudo, este valor representa um "monte" de notas de 100 euros com 8,5 quilómetros de altura, equivalente ao Monte Everest.

Ler mais: http://expresso.sapo.pt/corrupcao-economia-paralela-em-portugal-equivale-a-um-monte-evereste-em-notas-de-100-euros-observatorio=f752992#ixzz26NEE8Kos


Como se vê, dinheiro não falta em Portugal. Para além das grandes fortunas e das grandes negociatas.

A fuga ao fisco, conforme se vê, é equivalente a UM QUARTO do produto interno bruto.

Taxando aquele valor à taxa de 17% de IVA teríamos a «bagatela» anual de

SETE MIL, TREZENTOS E QUARENTA E QUATRO MILHÕES DE EUROS

Este número não nos diz nada? Se não diz, comparem-no com o valor da tranche que estamos à espera de receber com o beneplácito da troika (Quatro mil e trezentos milhões de Euros).

Comparem-no com o valor dos sacrifícios adicionais pedidos ao povo no Orçamento para 2013: Quatro mil e quinhentos milhões de Euros.

Sendo o nosso défice acordado para 2012 de 4,5% isto conduz a um valor de 7.645 milhões de euros

Isto é, a fuga ao fisco (só em sede de IVA) na economia paralela representa «APENAS» 96% do TOTAL do nosso défice.

Com essa verba já teríamos atingido (e ultrapassado) a meta de 3% imposta pela Troika para o equilíbrio das nossas contas. E já estaríamos quase em superavit!

Isto sem contar com todos os outros impostos que viriam por arrastamento.

E esta fuga ao fisco é ANUAL!!! Para 2013 já teríamos saldo positivo e estaríamos a rir-nos.

Mas afinal o que anda este governo a fazer?

Em vez de soltar os seus mastins atrás dessa chusma de ladrões, encarniça-se contra as classes média e baixa da população, contra os pensionistas e reformados, enfim, contra todos aqueles que não tem meios de defesa contra a sua prepotência e iniquidade, cobardia e incompetência.

Ou será que essa acção não resulta de incompetência mas sim de cumplicidade?

Não se esqueçam do que aqui já foi dito logo na primeira crónica:

«Não basta a mulher de César ser honesta, é preciso parecê-lo!»

Pensem bem nisso. E não pensem nas eleições porque, como já adiantou o nosso Primeiro-Ministro, essas já estão mesmo bem «lixadas».

Fiquem bem. Até amanhã!