sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Enjeitar o ouro, acolher o lixo


Somos mesmo um triste país...!

Devemos ser provavelmente o único país do mundo que aliena os seus melhores cérebros e os seus melhores trabalhadores, recebendo em troca a escória que outros países não querem manter. ou sustentar.

Somos um país em que quem quer sair da mediania e ascender a novos patamares de competência e saber, encontra os maiores entraves quer por parte daqueles que deveriam ser os maiores interessados (as empresas) quer pelas burocracias criadas pelos próprios organismos do Estado. 

Vem isto a propósito de várias situações:




I - Enjeitar o ouro 

  1. O convite descarado do nosso primeiro ministro para os jovens licenciados procurarem emigrar. Como muitos, aliás, têm feito. Fazem um Erasmus e são, em grande parte, convidados a permanecer nesses países de acolhimento - normalmente países ricos - onde vão incrementar ainda mais a riqueza desses países em vez de contribuírem com os seus talentos para o progresso de Portugal.
  2. O recrutamento de jovens licenciados e bacharéis portugueses por empresas estrangeiras que lhes acenam com condições salariais e de trabalho muito superiores àquelas que lhes são oferecidas em Portugal. Sirva de exemplo a procura recente de enfermeiros licenciados para vários destinos.
  3. Uma notícia vinda recentementa a público, referindo que os nossos técnicos que vão trabalhar no estrangeiro, nomeadamente na Alemanha, têm um tempo de aprendizagem a lidar com maquinaria sofisticada (informática e robótica) de cerca de METADE dos seus colegas naturais de lá.
  4. O governo de Moçambique declarou recentemente que tem quotas restritas de emigração e que por isso só aceita candidatos escolhidos a dedo. Não é qualquer um que para lá vai. Nem para Angola.
Tudo isto nos deveria levar a meditar nas razões pelas quais somos e continuaremos a ser um país desprezível na cauda da Europa e que cada vez se afunda mais.

Somos um país em que a esmagadora maioria dos empresários só sabem ser negreiros e em que os Governos não sabem governar... nem, muito menos cuidar do Povo que os elegeu.

E com esse espírito estamos a desperdiçar e a entregar aos outros a nata dos nossos jovens e a riqueza de Portugal...



II - Acolher o lixo

  1. Somos um país envelhecido (o sexto mais envelhecido do mundo), com uma faixa populacional elevada no limiar da pobreza e, mesmo assim, damo-nos ao luxo de conceder asilo político quando não temos condições para o fazer.

    Antes de cuidarmos da miséria alheia, senhores governantes, tenham a decência de olhar pelos Portugueses. Querem ficar bem na fotografia perante os líderes estrangeiros? Armarem-se em generosos? Com que dinheiro? Com os impostos com que sangram o Zé Povinho que vos dá votos nas eleições para os poleiros que querem ocupar... vitaliciamente, se possível...
  2. Éramos um país pacífico e de brandos costumes. Criminalidade violenta era coisa que não existia ou era residual. E o que vemos agora? Todos os dias (ou quase) há notícias de assaltos de extrema violência imputados muitas vezes a imigrantes (legais ou ilegais). Muitos dos quais a receber Subsídios de Inserção Social. Pagos com que dinheiro, senhores ministros? Com o NOSSO! Porque é lhes dado com os nossos impostos. Que tem muito melhores fins para ser usados...

    A essa escumalha não lhes basta preguiçarem à nossa custa, ainda têm que nos vir roubar e assassinar. Para quando se deixam Vossas Excelências de brincar ao políticos imberbes e começam a governar a sério? Nos países a quem nos queremos igualar (nós, o POVO e não vós, «GOVERNANTES») já esses marginais teriam sido recambiados a jacto para as suas origens. E fizessem lá os dislates que quisessem, não era nada connosco.

    Cá queremos sim, e aceitamos de braços abertos, todos quantos queiram trabalhar honradamente. Para contribuir para a riqueza nacional. Tal como fazem os países estrangeiros (e muito bem) aos nossos emigrantes que para lá vão tentar ganhar a vida. Quem não presta não tem cá lugar.

    Subsídio de inserção? Sim, durante SEIS MESES no máximo. Se não arranjarem trabalho nesse prazo é porque ninguém os quer, porque não fazem cá falta as suas capacidades ou porque não se esforçaram o suficiente e, nesse caso, não temos que sustentar vagabundos. Rua com eles...

    Lembram-se dos «bidonvilles» para onde iam viver os nossos emigrantes? Acaso tinham eles subsídios de inserção? Quem são os estrangeiros mais no que nós no NOSSO próprio país? Ou será que os senhores pensam que o país é VOSSO só porque ganharam umas eleições? A abstenção esmagadora não vos diz nada sobre o NOSSO (des)contentamento a vosso respeito?

    Xenofobia? Nem pensar. Apenas cabeça fria e pés bem assentes na terra. Coisa que os senhores não têm.
Dizia Barry Hatton numa entrevista ao jornal NEGÓCIOS (24.Ago.2012) que, em Portugal, «Poder e Povo lembram azeite e água: não se misturam».

E é bem verdade. Acredito que estes comentários nunca serão lidos por quem está no poder. Na sua sobranceria, eles sabem sempre tudo e não se dignam escutar a «ralé»... E cometem erros de palmatória. Porque Bruxelas «fala mais alto»... até um dia! Em que a casa vem abaixo...

Pensem nisso. Até amanhã!







quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Formação: Uma proposta concreta (Parte III)


Na continuação das duas últimas intervenções, vamos agora abordar uma matéria sensível, tanto para o Ministério das Finanças, como para o IEFP e, sobretudo, para os formadores.

Mas que assume uma importância crucal se o País pretende tirar proveito dos muitos milhões que anualmente são malbaratados em Formação com resultádos, no mínimo, medíocres (se é que os há). 

Remunerações

Como já referido, as remunerações actualmente oferecidas pelo IEFP são ridiculamente baixas e não estimulam nem a qualidade, nem o empenho dos formadores e são desinteressantes para formadores qualificados e experientes.

O objectivo inconfessado é trabalhar para as estatísticas, apresentando resultados de inúmeras horas de formação realizadas... só que elas não servem para coisa nenhuma (se é que são dadas) e conduzem ao descrédito e desinteresse dos próprios formandos.

No sentido de dar uma base para reflexão, faz-se uma proposta concreta como segue

I. Remunerações Ilíquidas Horárias

(por nível de curso)

  • Nível 1 20,00 €
  • Nível 2 30,00 €
  • Nível 3 40,00 €
  • Nível 4 55,00 €
  • Nível 5 75,00 €

II. Prémio de Qualidade (Avaliação do Desempenho)
(por nível de curso)

Como todos sabemos, o IEFP impõe uma avaliação aos seus formadores que, ao fim e ao cabo, serve para muito pouco (se é que serve). Quando muito servirá a alguns responsáveis para justificar a exclusão futura de alguns formadores. Infelizmente a legislação vigente dá-lhes um poder descricionário e irresponsável do qual resultam inúmeros abusos dos quais eles não são chamados a prestar contas.
Entretanto, lança-se aqui um desafio para gente séria e competente. Pessoalmente, e e no presente momento, sou isento já que o meu tempo de formador já passou. Mas estou bem informado das situações e considero sumamente importante não se perpetuarem erros que só trazem descrédito e nenhum proveito ao País (se é que há ainda algum responsável que se preocupe com ele).

Assim, vamos aproveitar as avaliações que são feitas (procurando activamente que elas se tornem cada vez mais honestas) e recompensar os formadores capazes e dignos com uma remuneração complementar que premeie o seu esforço, competência e amor à arte?
Nesse sentido, propõe-se que, sempre que as avaliações efectuadas pelos formandos no final da acção ultrapassarem os 90%, os formadores sejam premiados com uma remuneração horária adicional de:

  • Nível 1: 2,00 €
  • Nível 2: 2,50 €
  • Nível 3: 3,00 €
  • Nível 4: 4,00 €
  • Nível 5: 5,00 €
  • Sempre que as avaliações efectuadas pelos formandos no final da acção ultrapassarem os 95% aqueles valores serão elevados para o dobro.

Claro que isto teria de ser bem fiscalizado para evitar abusos e para evitar que os «amiguinhos» dos responsáveis dos centros se fossem «banquetear» com mais este benefício que lhes não é destinado a não ser que o mereçam.


III. Remuneração de Textos de Apoio

Infelizmente os textos de apoio postos à disposição dos formandos, na maioria das vezes, não passam de umas folhar fotocopiadas de livros e revistas, por vezes apenas dos próprios acetatos, sem qualquer qualidade ou interesse para futuro. 

Para incentivar a produção de material de qualidade, sempre que o formador fornecer textos de apoio reconhecidos como de excelência. Essa qualidade teria de obedecer a critérios definidos a fim de ser racional, isenta e mensurável e não apenas emocional e injustificável e efecuada por uma entidade independente. Nesse caso, a remuneração total ilíquida do curso seria acrescida de um prémio de 10% a ser liquidado no início do mesmo.

E por hoje fico-me por aqui. Futuramente (lá mais para diante) falaremos de uma proposta séria de reformulação dos CAP. E não se coibam de fazer os vossos comentários ou sugestões (que podem ser feitos por e-mail se não se sentirem à vontade de utilizar o blogue). Mesmo que seja a discordar.

Vão pensando nisso. Amanhã o assunto já não será Formação. Fiquem bem.





quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Formação: Uma proposta concreta (Parte II)


A Hierarquização dos Formadores

Na continuação da mensagem de ontem, passamos a indicar uma possível hierarquização da carreira de Formador:

II. Habilitações Básicas na Carreira de Formador (não específicas da profissão)


1. Formador Assistente Habilitações mínimas: ·
  • CAP I – Certificado de Habilitações Pedagógicas (Nível 1) ·
  • 9º ano de escolaridade ·
  • 5 anos de experiência profissional
  • Condições de ascensão: ·
  • Habilitações mínimas do grau imediato ·
  • Aprovação do seu Tutor ou Mentor ·
  • Máximo de 2 avaliações por acção inferiores a 85% no ano anterior

2. Formador Júnior Habilitações mínimas: ·
  • CAP II – Certificado de Habilitações Pedagógicas (Nível 2) ·
  • Mais de 200 horas de experiência como formador ·
  • 12º ano de escolaridade + 5 anos de experiência profissional ou · 9º ano de escolaridade + 10 anos de experiência profissional
  • Condições de ascensão: · Habilitações mínimas do grau imediato ·
  • Aprovação do seu Tutor ou Mentor ·
  • Máximo de 2 avaliações por acção inferiores a 85% no ano anterior Condição de manutenção na categoria: ·
  • Inexistência de avaliações por acção inferiores a 75% (salvo justificação comprovada)

3. Formador Sénior Habilitações mínimas: ·
  • CAP III – Certificado de Habilitações Pedagógicas (Nível 3) ·
  • Autoria de um mínimo de 100 horas de cursos de formação na especialidade ·
  • Mais de 500 horas de experiência como formador ·
  • Bacharelato + 10 anos de experiência ou · 12º ano + 15 anos de experiência profissional.
  • Condições de ascensão: · Habilitações mínimas do grau imediato ·
  • Máximo de 2 avaliações por acção inferiores a 85% no ano anterior Condição de manutenção na categoria: ·
  • Inexistência de avaliações por acção inferiores a 75% (salvo justificação comprovada).

4. Formador Tutor Habilitações mínimas: ·
  • CAP IV – Certificado de Habilitações Pedagógicas (Nível 4) ·
  • Capacidade de manipulação conjugada das ferramentas informáticas ·
  • Autoria de um mínimo de 250 horas de cursos de formação na especialidade ·
  • Mais de 2500 horas de experiência como formador ·
  • Licenciatura + 10 anos de experiência ou · Bacharelato + 15 anos de experiência
  • Condições de ascensão: · Habilitações mínimas do grau imediato ·
  • Máximo de 2 avaliações por acção inferiores a 85% no ano anterior
  • Condição de manutenção na categoria: · Inexistência de avaliações por acção inferiores a 75% (salvo justificação comprovada).

5. Formador Mentor Habilitações mínimas: ·
  • CAP V – Certificado de Habilitações Pedagógicas (Nível 5) ·
  • Capacidade de manipulação conjugada das ferramentas informáticas ·
  • Autoria de um mínimo de 500 horas de cursos de formação na especialidade ·
  • Mais de 5000 horas de experiência como formador ·
  • Mestrado (ou Doutoramento) + 10 anos de experiência ou · Licenciatura + 15 anos de experiência ou · Bacharelato + 20 anos de experiência
  • Condição de manutenção na categoria: · Inexistência de avaliações por acção inferiores a 75%  (salvo justificação comprovada).

6. Formador Especialista Habilitações mínimas:
  • Não aplicável já que a sua acção é eventual a convite e sob responsabilidade de um Formador Tutor ou Mentor. 

Vão pensando nisto. Até amanhã




terça-feira, 4 de setembro de 2012

Formação: Uma proposta concreta (Parte I)

Senhor Ministro da Economia e Emprego:

Para que não possa dizer que este blogue só sabe dizer mal (o que não é verdade), permito-me agora, numa série de três artigos, auxiliá-lo no seu trabalho fazendo-lhe propostas concretas de pontos merecedores da sua atenção e que são críticos para o sucesso da Foermação Profissional em Portugal e para a rentabilidade dos muitos milhões que nela são esbanjados ingloriamente.

Porque no IEFP se «trabalha», fundamentalmente, para as estatísticas...

Desejo-lhe sinceramente muita firmeza, coragem e perseverança na sua missão. Porque bem vai precisar delas para afastar a muita areia que tentarão atirar-lhe para os olhos para preservar interesses estabelecidos... à custa de todos nós...


A Carreira de Formador

Em seguimento das considerações anteriores, e com o intuito de dignificar e regulamentar de forma construtiva e motivadora a carreira de Formador, permito-me levar à consideração de quem de direito a seguinte sugestão:

CLASSIFICAÇÃO DE FORMADORES


Para efeitos de atribuição de responsabilidades, competência e remunerações, os formadores seriam classificados dentro das categorias seguintes:

1. Formador Assistente
2. Formador Júnior
3. Formador Sénior
4. Formador Tutor
5. Formador Mentor
6. Formador Especialista
I. Definição das categorias
1. Formador Assistente: Sob orientação de um formador Tutor ou Mentor responsável, está habilitado a monitorar aulas práticas e, eventualmente, ministrar formação teórica. Será da responsabilidade do orientador (Tutor ou Mentor) a selecção dos temas, elaboração dos textos e preparação dos exercícios e audiovisuais.
Ministrará cursos até ao nível 1, sendo a remuneração respectiva repartida com o seu orientador, na proporção 70% (formador) / 30 % (orientador).
2. Formador Júnior: Habilitado a monitorar aulas práticas e teóricas de cursos dos níveis 1 e 2, sob orientação de um formador Tutor ou Mentor responsável pela sua orientação na selecção dos temas, elaboração dos textos e preparação dos exercícios e audiovisuais.
A remuneração respectiva será repartida com o seu orientador (Tutor ou Mentor), na proporção 80% (formador) / 20 % (orientador).

3. Formador Sénior: Habilitado a ministrar autonomamente formação de cursos até ao nível 3, sendo responsável pela selecção dos temas, elaboração dos textos e preparação dos exercícios e audiovisuais.
Tem competência para preparar cursos sobre temas que lhe sejam propostos fazendo por sua iniciativa as pesquisas bibliográficas indispensáveis ao seu trabalho.
Pode recorrer à colaboração e/ou supervisão de formadores especialistas e/ou de níveis mais elevados, mediante compensação a negociar entre ambos.
4. Formador Tutor: Habilitado a ministrar formação até ao nível 4, sendo responsável pela selecção dos temas, elaboração dos textos e preparação dos exercícios e audiovisuais.
Habilitado a ministrar Formação de Formadores até ao CAP III.
Tem competência reconhecida para orientar e supervisionar até um máximo de 3 formadores dos níveis 1 e 2 (e eventualmente nível 3) nas condições acima referidas.
Elabora cursos de sua própria autoria e iniciativa, tanto baseados em pesquisa bibliográfica como na sua própria experiência profissional.
5. Formador Mentor: Habilitado a ministrar formação até ao nível 5, sendo responsável pela selecção dos temas, elaboração dos textos e preparação dos exercícios e audiovisuais.
Habilitado a ministrar Formação de Formadores até ao CAP V.
Tem competência reconhecida para orientar e supervisionar até um máximo de 5 formadores dos níveis 1 e 2 (e eventualmente nível 3), nas condições acima referidas.
Elabora cursos de sua própria autoria e iniciativa, tanto baseados em pesquisa bibliográfica como na sua própria experiência profissional, podendo a realização total ou parcial dos cursos até ao nível 3 ser ministrada por formadores de categorias menos elevadas, desde que devidamente habilitados e pressupondo que por ele seja assumida a responsabilidade técnico-pedagógica.
6. Formador Especialista: Formador eventual especializado num ramo particular de conhecimento que, a convite de um Formador Sénior, Tutor ou Mentor e sob responsabilidade deste, ministra uma formação específica como acto isolado e sem carácter de permanência numa carreira de formação profissional.

Amanhã falaremos das competências e habilitações sugeridas para cada nível.

Pensem nisso. Bom trabalho! Até amanhã


  
P.S. Países onde já foi lido este blogue:
(ordem decrescente do número de visitas)
  • Portugal 
  • Rússia 
  • Alemanha 
  • Estados Unidos 
  • França 
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  • Bélgica 
  • Reino Unido 
  • Noruega 
  • Coreia do Sul (novo - deve ter sido por engano)

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

MIL MILHÕES DE EUROS...!!!


No Expresso:

Fisco envia 25.225 crimes para o Ministério Público

Só os casos pendentes, cuja investigação pela Administração Tributária ainda não terminou, podem ascender a mil milhões de euros.

Entre 2007 e 2011, a Administração Tributária pediu ao Ministério Público a acusação de 25.225 alegados crimes fiscais.

Neste momento está por terminar a investigação de 3428 inquéritos, que podem ter defraudado o Estado em cerca de mil milhões de euros.

Por ano, são constituídos, em média, 4 mil arguidos em processos por crimes fiscais.

Ler mais: http://expresso.sapo.pt/fisco-envia-25225-crimes-para-o-ministerio-publico=f750131#ixzz25KRLcW9H


Li a notícia e fiquei sem fala!

Infelizmente, todos esses ladrões de colarinho branco vão ficar a rir-se. As legislações, dando todas as protecções e garantias aos prevaricadores, vão emperrar os tribunais, os processos vão-se arrastar anos a fio e acabam por prescrever.

E o Povo é que paga!

Resultado da acção «diligente» (e preventiva) dos nossos deputados que legislaram mil e uma escapatórias legais, mil e um artifícios processuais, mil e uma regrazinhas contemporizadoras, mil e uma possibilidades de recurso de modo a que o tempo se esgote e os criminosos fiquem impunes.

Estamos a necessitar com urgência de um novo partido, (ou de uma mentalidade política diferente).

Um partido em que os seus membros:

1. Não queiram ser governo ainda que tenham a maioria absoluta;

2. Tenham sempre total liberdade de voto para decidirem segundo a sua cabeça e a sua consciência;

3. Não estejam sujeitos a disciplina partidária nem obrigados a seguirem os seus líderes como carneiros;

4. Tenham uma cultura superior para saberem pensar e decidir por si sós, documentando-se criteriosamente sobre os assuntos em causa para saberem do que estão a tratar;

5. Apadrinhem as boas ideias segundo aquilo em que acreditarem, venham elas de onde vierem;

6. Rejeitem todas as torpezas e oportunismos, (encapotados ou não) sejam quais forem os seus autores;

7. Sejam fiscais atentos e críticos de todos os actos de gestão dos governos nacionais, regionais e locais e tenham a coragem para os expor na praça pública;

8. Não pactuem com compadrios, incompetências, corrupções ou sobrancerias de todos aqueles que ocupam cargos de Servidores do Estado (e, por consequência, servidores da população):

9. Estejam sempre dispostos e disponíveis para escutar o Povo que os elegeu, no sentido de resolverem os seus problemas na medida do possível;

10. Entendam que a sua missão nesse cargo não é mandar no Povo, mas servi-lo!

11. Sejam analistas exaustivos e criteriosos de todas as suas decisões tendo bem presente que «se alguma coisa puder correr mal, ela vai correr mal»; mais cedo ou mais tarde; e o Povo é quem vai pagar pela sua incúria;

12. Rejeitem todas as mordomias incompatíveis com a situação do País, por muito tentadoras que possam ser;

13. Abdiquem da sua «imunidade parlamentar» comportando-se e agindo como cidadãos comuns com deveres e responsabilidades iguais aos mais humildes dos seus eleitores;

14. Sejam imunes a amizades, conveniências e/ou influências;

15. Ajam sempre com total transparência explicando claramente as suas acções a todos quantos o solicitarem (exceptuam-se os assuntos sensíveis em Segredo de Estado até à sua resolução);

16. Sejam superiores a quaisquer lisonjas, fama, luxos ou exibicionismo que possam pôr em causa a limpidez cristalina das suas acções;

17. Não tenham NUNCA receio de «chamar os bois pelo nome» nem de «dizer que o rei vai nú».

18. Considerem o seu cargo como uma missão e não como um privilégio;

19. Tenham o pundonor de nunca mentir ao eleitorado, de nunca fazer promessas que não tenham a certeza de vir a poder cumprir mesmo que isso possa vir a colocar em risco a campanha eleitoral;

20. Enfim, que não tenham sido membros de nenhuma «jota», não tenham frequentado qualquer «Universidade de Verão», nem tenham andado a aprender técnicas de marketing político para angariar votos.

Quem mais vota num partido assim? EU VOTO! E serei o primeiro a oferecer-me como candidato e a inscrever-me como militante...

Pensem nisso! Até amanhã...



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domingo, 2 de setembro de 2012

Vamos falar de Auto-estradas?

As Auto-estradas são as artérias do País.
  
São as vias – em paralelo com os caminhos-de-ferro – pelas quais circula o «sangue» de toda a nossa economia

Numa época de crise como aquela que atravessamos, muito mais que em tempo de «vacas gordas», há que saber gerir os dinheiros públicos numa óptica rigorosa da relação custo/benefício.

Temos assistido nos anos mais chegados (agora felizmente suspensas pela crise) ao lançamento de obras faraónicas de rentabilidade duvidosa e que não vão ao encontro das necessidades das populações e do País.


Tendo este pressuposto em consideração, permitimo-nos delinear alguns comentários sobre algumas obras e circunstâncias acessórias.


1. SCUTS

Convém recuarmos alguns anos no tempo para nos recordarmos como nasceram algumas das SCUTS do Norte que recentemente foram portajadas.
As actuais A28, A44 e A29 nasceram como IC1 (a designação ainda figura na 97ª edição do Mapa das Estradas do ACP para 2010/2011, a última distribuída).

A actual A41 nasceu como IC24 (idem, idem).

Se há necessidade de portagens, e aqui se faz a mais tenaz apologia do princípio generalizado do utilizador/pagador, (a maioria esmagadora da nossa população não tem automóvel e não tem que pagar as comodidades de que não usufrui), entende-se que o mesmo princípio deveria ser aplicado aos IC da zona da capital (que é apenas a mais rica do país).

À luz desse princípio, defende-se portanto a conversão em auto-estradas portajadas dos seguintes itinerários todos com características de auto-estrada:
  • Eixo norte-sul (todo) 
  • A1 (entre Lisboa e Alverca)
  • A2 (entre Lisboa e Coina)
  • A5 (entre Lisboa e Porto Salvo/Oeiras)
  • A8 entre (Lisboa e Loures)
  • A23 (toda)
  • IC2 (todo, entre Lisboa e Póvoa de Santa Iria)
  • IC2 (todo, entre Almada e a Costa de Caparica)
  • IC19 (todo, entre Lisboa e Sintra)
  • IC21 (todo, entre Coina e o Barreiro)
  • IC32 (todo, entre a A2 (Coina) e Alcochete)
Todos eles são da região da Grande Lisboa, num total de mais de 1000 km, QUE NÃO PAGAM QUALQUER PORTAGEM NEM ESTÁ PREVISTO QUE VENHAM A PAGAR. O seu movimento é muito mais significativo do que os do Grande Porto e, portanto, susceptível de gerar muito maior rentabilidade financeira (não se inclui na lista o IC17-CRIL porque no Porto também existe o seu equivalente, o IC23-VCI, também não portajado).

É um caso da mais elementar justiça que, certamente, cairia muito bem junto da esmagadora maioria do restante eleitorado. Sobretudo se essas receitas, afinal obtidas nas classes menos necessitadas da população, pudessem ser acompanhadas de uma redução de um qualquer imposto que beneficiasse a generalidade dos portugueses, sobretudo os mais desfavorecidos. Por exemplo, a reposição do 13º mês. Até porque o rendimento per capita da Grande Lisboa é muitíssimo superior ao do resto do País, sobretudo do Norte.

Mas em nenhum caso, nem no Norte nem no Sul, se deixariam de aplicar portagens nem seriam concedidas medidas de excepção (salvo forças de segurança, ambulâncias e bombeiros). Nem sequer aos utilizadores de viaturas oficiais que pagariam as portagens do seu próprio bolso! Ganham bem para isso... e para pagarem as multas das tolices que fizerem. Que o diga o Dr. Mário Soares...

(A questão dos turistas estrangeiros tem uma solução muito simples: não pagarem nas SCUTS. Afinal, se eles vêm cá gastar o seu dinheiro, não devemos bloqueá-los na fronteira, não é?)

Claro que dá para imaginar as razões pelas quais os nossos «queridos» governantes não se importam de fazer esta discriminação: a população do Norte está muito longe para lhes «fazer uma espera» à porta dos ministérios, da Assembleia da República ou mesmo de um teatro. À rapaziada de Lisboa, muito mais à mão, era capaz de lhe chegar a mostarda ao nariz e fazer das suas. Até porque, por lá, a criminalidade é significativamente maior.

E assim se compreende que o Governo tenha adquirido tantos blindados PANDUR. Sempre podem servir de transporte de emergência se as coisas começarem, a aquecer. Afinal foi numa Chaimite que Marcelo Caetano saiu do Quartel do Carmo...


2. A «Degola dos Inocentes»

É confrangedora a maneira como os governantes de então negociaram as famigeradas PPP (Parcerias Público-Privadas) das quais as SCUT são apenas uma parte.

A não existir dolo (e seria mais do que conveniente que a PGR fizesse dos casos uma investigação exaustiva) o resultado das negociações só pode ser fruto de ingenuidade, ignorância ou simples estupidez. Que custam a todos nós incontáveis milhões em impostos que poderiam ser muito melhor utilizados para outros fins.

Porque os grandes grupos empresariais sabem fazer os trabalhos de casa e só confiam as negociações importantes a técnicos com anos e anos de prática a todos os níveis. E que comem ministros ao pequeno-almoço...

É mais do que evidente que os nossos governantes nunca ouviram sequer falar na Lei de Murphy:

Se alguma coisa pode correr mal, ela corre mal!

Mais cedo ou mais tarde, é fatal como o destino...

E agora é todo o Povo Português, iludido por aquilo em que o fizeram acreditar, que está a pagar com o seu sangue, o seu suor e as suas lágrimas os desvarios de quem assumiu irresponsavelmente as rédeas do destino de todos nós. E que se refugia (vá-se saber com que dinheiro) em exílios dourados porque pode ser pouco saudável ficar por cá...


3. O Túnel do Marão

Este é o nó górdio da A4. Parado há um ano (pela terceira vez e a 20% da conclusão) devido a desacordo entre o Estado e a concessionária. E na raiz do problema estão as duas suspensões anteriores devidas a providências cautelares interpostas pelas Águas do Marão por «receio de quebra do manancial».

Deixemo-nos de desculpas, as Águas do Marão pertencem ao concessionário da Pousada do Marão (Pousada de São Gonçalo), ponto «obrigatório» de paragem no percurso para Trás-os-Montes e que ficaria às moscas com a abertura do túnel já que quase todo o trânsito deixaria de lhe passar à porta.

Se, neste país, quem interpusesse uma providência cautelar fosse financeiramente responsabilizado pelos prejuízos daí decorrentes no caso de se vir a verificar a sua improcedência, certamente teríamos muito menos casos destes e o Túnel do Marão estaria concluído há anos... para benefício de todos nós e em especial dos transmontanos.


4. As vias que não levam a lado algum

Em tempos que já lá vão, havia um viaduto em Leça da Palmeira (agora junto à Exponor sobre a A28) que esteve anos a fio sem utilização nem ligações e que chegou a ser motivo de escárnio no jornal humorístico francês «Le Canard Enchainé».

Pois hoje em dia os nossos responsáveis das Obras Públicas parece desejarem honras semelhantes na imprensa internacional.

A título de exemplos, que não se acredita serem exaustivos temos:
  • O IC6 que deveria ligar Coimbra à Covilhã e que termina em nenhures antes de chegar a Oliveira do Hospital.
  • A nova ponte sobre o Douro em Entre-os-Rios, construída junto à velha ponte Hintze Ribeiro depois da catástrofe de Castelo de Paiva.
  • A Auto-estrada A32 que deveria ligar Gaia à A25 em Sever do Vouga e que acaba no meio do mato antes de Oliveira de Azemeis.
Compreende-se que na época de crise em que vivemos, haja obras que devam ser suspensas e reequacionadas. Mas tudo deve estar preparado para que, quando a crise se for (e oxalá esse alívio não venha longe), tudo possa ser reatado com a celeridade possível porque atrasos já temos quanto baste.

Por isso, senhores Ministros, Secretários de Estado, Directores-Gerais e toda a nobilíssima classe VIP deste país, vamos deixar-nos de incompetências, vamos fazer um Orçamento de Estado para 2013 e seguintes, sensato e baseado na metodologia OBZ (Orçamento de Base Zero) oportuna e correctamente proposta pelo Dr. Francisco Louçã (de quem não sou partidário) mas que é uma técnica comprovada há longos anos e que faz todo o sentido.
(http://www.agrconsultores.com.br/pt-br/processos/or%C3%A7amento-base-zero)

Enfim, um orçamento que, entre outros pontos:
  • elimine todos os gastos supérfluos;
  • suprima o maior número de «tachos» que seja possível;
  • acabe com subsídios que de nada servem e a quem nada produz; 
  • aliene toda (ou quase) a frota de carrões do Estado, das autarquias e das empresas públicas (recolocando os motoristas assim desocupados em lugares em que trabalhem e sejam úteis e em que não fiquem à conversa uns com os outros);
  • ponha a trabalhar a sério todos os parasitas que vivem à custa do nosso dinheiro;
  • incentive a criatividade dos nossos jovens licenciados na procura e concretização de soluções para o País.
E, com algum do dinheiro que pouparem, sirvam o País e ponham fim a esta anedota rodoviária...!!!

Pensem BEM nisso! Até amanhã!


P.S. Ah, e poupem na alimentação. Alguns de vós estão a ficar um tanto obesos e isso pode provocar AVCs e enfartes de miocárdio. E os Senhores fazem tanta falta...

sábado, 1 de setembro de 2012

JUSTIÇA...!!!


SÁBADO, 5 DE FEVEREIRO DE 2011

Mamarrosa, Oliveira do Bairro: Pai de juíza matou ex-genro a tiro (post actualizado com vídeo)

«Um homem de 35 anos, advogado residente no Porto, foi baleado mortalmente pelo ex-sogro, à queima roupa, hoje, ao final da manhã, no lugar de Mamarrosa, Oliveira do Bairro.

http://crimeejustica.blogspot.pt/2011/02/mamarrosa-oliveira-do-bairro-pai-de.html


Estamos já em Setembro e, ao que parece, finalmente (após mais de ano e meio!) vai ser julgado este crime abominável. Só não se entende, por muito que nos esforcemos, como é possível termos neste país a vergonha de um assassino confesso disfrutar do privilégio de uma prisão domiciliária e, ainda por cima, conviver diariamente com a filha do homem que ele próprio abateu.


Que monstruosidade é esta em que se obriga uma criança a conviver a toda a hora, dia após dia, semana após semana, mês após mês com o algoz do seu pai?

Será porque a filha do «presumível» criminoso é juíza? Será a Justiça em Portugal uma espécie de «irmandade» em que os seus membros cobrem as costas uns dos outros e dos seus familiares? Se não é, PROVEM-NO! 

E como é que o Conselho Superior da Magistratura permite uma aberração destas? Sobretudo num caso tão falado na Comunicação Social e que tem de ser forçosamente do seu conhecimento?

Se este caso vier a constituir um precedente legal, qualquer criminoso o pode invocar para se tentar eximir a uma prisão preventiva...! Ou não?

Que a Justiça anda pelas ruas da amargura já todos o sabemos. Processos que se arrastam por anos e anos (Casa Pia, Face Oculta…), processos por corrupção que prescrevem por truques sucessivos de prestidigitação dos advogados (Isaltino, Fátima Felgueiras…). Mas deixar um miserável responsável por um hediondo crime de sangue estar confortavelmente a viver em casa… Só em Portugal ou num país do Terceiro Mundo.

Desgraçadamente, para nosso mal e nossa vergonha, a Justiça em Portugal nem é célere nem é cega!

Num inquérito à confiança em profissões realizado há tempos, os Juízes (29%), Consultores Financeiros (28%), Advogados (24%) e Líderes Sindicais (19%) são classes de pouca confiança.... Porque será?
http://www.agenciafinanceira.iol.pt/economia/confianca-profissoes-agencia-financeira-seleccoes-instituicoes/1236175-1730.html


Claro que, ao fim e ao cabo a responsabilidade é VOSSA, Excelentíssimos Senhores Deputados que discutistes e aprovastes as leis aviltantes pelas quais nos regemos. Tanta foi a vossa preocupação em dar aos acusados todas as hipóteses de defesa que paralisastes o curso da Justiça, atando as mãos a quem tem o dever de a aplicar.

Sabeis que em Macau, depois da sua entrega à China, a criminalidade e as tríades desapareceram? Porque as benesses que nós dávamos aos criminosos se evaporaram...

Vós destes TODAS as protecções aos direitos dos acusados e calcastes aos pés os direitos das vítimas. Será para vos protegerdes a vós próprios antevendo as indignidades que pudésseis vir a cometer no futuro? O resultado está aí.
Por alguma razão, apenas 14 por cento dos portugueses inquiridos manifestaram confiança nos políticos. http://noticias.sapo.pt/lusa/artigo/cb223a5733f7529dd7b260.html

Só vos desejo uma coisa do fundo do coração e com o maior desprezo pela vossa triste obra:
Que venhais rapidamente a saber o que é serdes vítimas e que sintais em cima de vós todo o peso da injustiça do MONSTRO que vós próprios haveis criado.

Porque eu também já fui vítima e vi o prevaricador ficar impune porque o Tribunal «tinha crimes mais importantes com que se ocupar»...

E por hoje é tudo. Fiquem com a vossa consciência... os que a tiverem! 

Até amanhã!


P.S. Tudo isto me faz lembrar a célebre frase de George Orwell n'«O Triunfo dos Porcos»:

«Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais que os outros»