sexta-feira, 31 de agosto de 2012

IEFP: «Só a admitir a Vera Pereira»




Mas que enormidade é esta?


Que no IEFP se passam muitas coisas bizarras no silêncio dos gabinetes já se suspeitava. Neste blogue já se alertou (e continuará a alertar) para situações que não fazem sentido algum numa organização que se diz e deve ser isenta e honesta. Mas esta ultrapassa as raias do absurdo.

Veja-se o anúncio publicado pelo IEFP:



Note-se nas Condições: SÓ A ADMITIR A VERA PEREIRA!

Face à controvérsia geral criada pela divulgação de uma oferta de emprego onde o candidato já estava escolhido, o IEFP respondeu em comunicado referindo que "a situação identificada é perfeitamente normal,...

http://www.iefp.pt/noticias/Paginas/EsclarecimentoIEFPnoticiadivulgadaAntena1fertaempregodisponivelNetEmprego.aspx

"... (para além de mais considerações a tentar justificar o sucedido)  


Face à argumentação do IEFP, ocorre dizer que, se o(a) candidato(a) já estava escolhido(a) pelo empregador, o anúncio nem sequer deveria ter sido publicado para não despertar falsas esperanças e originar despesas a milhares de jovens desesperados por conseguir uma colocação numa época tão conturbada como a nossa.

Nem este nem qualquer outro anúncio nas mesmas circunstâncias. Quem o fez publicar não tem o menor sentido de pudor nem de respeito pelos sentimentos alheios e deveria ser objecto de uma acção disciplinar em nome da Ética e da Moral.

De facto, na regulamentação invocada pelo IEFP pode ler-se:
  • Caso a entidade empregadora tenha identificado o desempregado a contratar, o centro de emprego: 
  • a) Se o mesmo reunir as condições legalmente previstas, apresenta o candidato para efeitos de celebração do respetivo contrato de trabalho;
  • b) ... (não aplicável).
Não está escrito em lado algum que deva ser publicado um anúncio já que a candidata preencheria os pressupostos da alínea a).

No entanto, se as explicações do IEFP não passarem de uma desculpa para uma situação «habitual» e se o caso vertente se não enquadrar no articulado da «Medida Estímulo 2012», o ocorrido assume aspectos mais graves, não sendo de excluir o favorecimento ilícito de um candidato relativamente a outros ao arrepio do Artº 13º - Princípio da Igualdade - da Constituição da República Portuguesa onde se pode ler no nº 2:
  • 2. Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual.
E não há evidência de que isso não tenha já sucedido! E isso NÃO pode ser considerado uma situação NORMAL!

Senhor Ministro da Economia e Emprego, como responsável pela tutela desta instituição, permito-me, como cidadão no uso dos seus plenos direitos, alertar V. Exª. para situações da responsabilidade do seu Ministério que, não só o deslustram a si como agravam o mal-estar da população já de si tão sacrificada, e sugerir-lhe uma cuidadosa e exaustiva auditoria ao IEFP e aos seus Centros de Formação de Gestão Directa e/ou Participada.

Permita-me que lhe cite uma frase da obra de Al Ries e Jack Trout «Marketing de Guerra 2»:

"Detrás de uma secretária é o pior lugar para se ver o mundo!"

Por favor pense nisso. O IEFP é uma organização demasiado importante para andar ao Deus dará.

Até amanhã! 


P.S. Com este texto termina o mês de Agosto. Se este blogue e os seus comentários são do seu agrado, divulgue-o pelos seus contactos. Para ele ser cada vez melhor e maior. Bem hajam pela vossa atenção.


quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Os «coitadinhos» da RTP




Vamos acabar com a «mama»?

O salário médio dos trabalhadores da RTP é superior a 40 mil euros brutos por ano, apurou o Diário Económico.
http://economico.sapo.pt/noticias/salario-medio-na-rtp-supera-40-mil-euros-por-ano_127371.html

Neste despautério há ainda que salientar que um grupo de 31 trabalhadores com funções de entretenimento, informação, gestão ou administração, recebe, cada um, um ordenado MENSAL superior não só ao do primeiro-ministro mas também ao vencimento a que o Presidente da República (PR) tem direito. Deste conjunto, oito colaboradores ganham mais do dobro do salário de Cavaco Silva – que ronda os 6500 euros –, sete dos quais não têm funções de gestão/administração.

http://www.ionline.pt/portugal/rtp-sao-31-os-pivots-os-entertainers-os-administradores-ganhar-mais-6500

Claro que todos esses nababos hão-de gritar como possessos contra qualquer acção que vise coarctar-lhes esses vencimentos obscenos, arrepiantes num país mergulhado numa crise profunda.

E tudo isto se passa numa EMPRESA PÚBLICA!

Note-se que, para além desses vencimentos escandalosos, há que lhes acrescentar todos os proventos de imagem em spots publicitários que passam todos os dias nos nossos ecrãs da TV. Porque esses valores não estão contabilizados nos números acima.

Não temos nada a censurar a esses proveitos adicionais obtidos em campanhas publicitárias (Catarina Furtado, etc) ou de direitos de autor (José Rodrigues dos Santos). São devidos a esforço individual, não são pagos com dinheiros públicos e não afectam os contribuintes.

Mas os salários afectam os resultados da RTP e os impostos do país.

Do Relatório e Contas da RTP de 2011, temos
http://ww1.rtp.pt/wportal/grupo/informacao_financeira/rc_anual.php

Gastos com Pessoal

• 2010: 102,9 M€
• 2011: 108,0 M€

Capital Próprio

• 2010: -554,2 M
• 2011: -469,1 M€

Dívida Bancária

• 2010: -753,8 M€
• 2011: -516,4 M€

Não importa se os profissionais da SIC ou da TVI ganhem igualmente vencimentos dessa grandeza. Não sei nem me interessa. São empresas privadas que dão lucro e os seus administradores prestam contas aos respectivos accionistas. Não nos entram no bolso e não temos nada com isso.

Desse a RTP lucro ao Estado e fizesse um serviço em condições e, dentro dos limites impostos para as EP, não seria censurável que os seus  profissionais fossem justamente remunerados de acordo com os valores de mercado. Só que, no descalabro financeiro em que todos nós estamos, só apetece dizer à RTP:

Rais Te Parta

Passe ela bem depressa para a esfera privada e são menos uns milhões a pesar nos bolsos dos Portugueses. E quanto aos salários, será caso entre eles e os futuros patrões. Que se entendam...!

Mas que o processo negocial fique bem claro e transparente. Já sabemos o tipo de honestidade de alguns intervenientes... A bom entendedor...

E, entretanto, com o «frenesim» que o Governo tem em cortar salários, tem aqui uns bons milhões com que começar a dar o exemplo... Ou será que tem medo?

Fiquem bem. Até amanhã!



quarta-feira, 29 de agosto de 2012

VOCÊ...!!!


Vossa Mercê → Vossemecê → Vosmicê → Vomecê → Você...!

Aquilo que em tempos idos era um tratamento respeitoso degradou-se com o passar dos tempos e, hoje em dia, é um tratamento mais ou menos familiar e, em muitos casos, incorrecto e até depreciativo.

Vamos dar-nos ao trabalho de analisar a situação e o emprego correcto desta expressão popular VOCÊ! Porque muitas empresas comerciais (e não só) têm inconscientemente perdido clientela e vindo a fechar portas por uma conduta negligente do seu pessoal em contacto com os clientes.

Grosso modo, e tradicionalmente, podemos dividir a sociedade em três classes: ALTA, MÉDIA e BAIXA.

Dentro de cada classe, sobretudo entre as classes média e alta, entre pessoas que se consideram socialmente iguais, o tratamento «você» pode ser correcto dentro de uma certa familiaridade quando não existe ainda a intimidade suficiente para as pessoas se tratarem por «TU»! Mas, mesmo assim, não será adequado para nos dirigirmos a uma pessoa mais velha ou mais experiente, caso em que devemos demonstrar o respeito que ela nos merece.

Fora isso, o tratamento por «você» demonstra ao nosso interlocutor uma certa sobranceria e menosprezo (ou ignorância das regras mais elementares da boa educação).

Numa relação profissional o Cliente está SEMPRE num patamar mais elevado relativamente ao atendedor, ainda que este tenha uma licenciatura ou um título nobiliárquico e aquele seja um simples operário ou camponês. Impõe-se sempre portanto tratá-lo por «o senhor» ou «a senhora» (e não «menina» como muitas vezes acontece) já que, ao fim e ao cabo será dele(s) que depende a sobrevivência da nossa empresa e o nosso posto de trabalho.

Quando se der o caso de sabermos o nome do cliente, de acordo com as normas de cortesia vigentes na nossa sociedade, devemos OBRIGATÓRIAMENTE tratar os cavalheiros pelo apelido (Senhor Cardoso) e as senhoras pelo nome próprio precedido pelo honorífico Dona (D. Maria Helena).

Se acontecer que o nosso interlocutor tem um título académico (Doutor, Engenheiro, Arquitecto), militar (Capitão, Major, Coronel), religioso (Padre, Reverendo, Monsenhor, Bispo, Cardeal) é pelo título que ele deve ser tratado SEMPRE (isso pode ser detectado muito frequentemente nos cartões de crédito ou Multibanco).

Não esquecer que estamos em PORTUGAL e não no Brasil nem no universo das suas telenovelas. Lá o modo de falar e a cortesia tem regras um tanto diferentes.

E por hoje ficamos por aqui. Vão pensando nisso...! 

Bom trabalho e até amanhã!



terça-feira, 28 de agosto de 2012

IEFP: Falemos agora A SÉRIO

Foi duro o que se disse ontem?


... mas era preciso um abanão...!

Depois da crítica destrutiva, cínica e mordaz, é hora de tomar uma atitude positiva e construtiva.

Como foi caricaturado, desde há vários anos que se vem assistindo a uma progressiva degradação e descrédito da Formação Profissional, incluindo a co-financiada pelo Fundo Social Europeu.


Segundo o nosso ponto de vista, essa situação deve-se, entre outras possíveis, às causas seguintes:
  1. Postura dos empresários das PME, maioritárias no nosso tecido empresarial, que privilegiam a obtenção de resultados no curto prazo com prejuízo de uma evolução sustentada. Efectivamente, ainda não se aperceberam das vantagens de apostarem na Qualidade e na Competência – tanto própria como dos seus colaboradores – as quais só se conseguem através de uma Formação e Aperfeiçoamento constantes. Isto é particularmente importante face à globalização dos mercados que presentemente se verifica.

  1. Fraca qualidade da formação ministrada, devida sobretudo à desmotivação e/ou desinteresse dos formadores experientes (os honorários actualmente praticados/propostos não são entusiasmantes). Isto conduz ao aproveitamento das dificuldades de muitos formadores em início de carreira, que apenas se limitam a vender o seu tempo, não se preocupando com os resultados da sua acção sobre os formandos, tanto a curto como a médio ou longo prazo.

  1. Pouca motivação dos eventuais formandos, que não acreditam na utilidade da formação ou não sentem interesse das suas empresas na aquisição e valorização das novas competências adquiridas. Em muitos casos, são os próprios empregadores a desmotivá-los por “sentirem” a sua autoridade posta em causa por subordinados que “saibam” mais do que eles ou com receio de que, uma vez com essas competências, possam ser levados a mudar de empresa.
  2. Deficiente promoção e divulgação das acções de formação, feita normalmente por funcionários sem qualquer formação específica e que, no seu amadorismo, cometem os maiores atropelos. Como qualquer outro, a Formação Profissional é um produto que tem que ser “vendido”.
  3. Atitude passiva dos Centros de Formação e respectivos funcionários, que se limitam a esperar que apareçam candidaturas às acções de formação, em vez de procurarem activamente dinamizar as inscrições.
  4. Peso excessivo das máquinas burocráticas que absorvem recursos significativos que seriam melhor utilizados onde são mais necessários, isto é, na prossecução dos reais objectivos do Fundo Social Europeu.
  5. Perversão da qualificação de formadores: Não faz qualquer sentido que um formador com apenas formação inicial tenha prioridade sobre um formador já certificado mas cujo CAP tenha expirado. Uma data não define competência.

    A exigência de cursos de requalificação periódicos não é mais do que a justificação para se criarem cursos com avultadas remunerações pela obrigatoriedade dessa reciclagem absolutamente desnecessária. Esses cursos, muitas vezes, não trazem qualquer mais-valia a quem os frequenta. Quem beneficia é apenas a “elite” que os ministra já que introduz no sistema a obrigatoriedade de a eles se assistir periodicamente de modo a assegurar a perpetuidade dos seus rendimentos.

    Repare-se que em nunhuma outra profissão uma pessoa deixa de ser competente porque atingiu um «prazo de validade». Pode sim ascender a níveis superiores através de estudo ou de cursos de formação. Uma bizarra e insensata «originalidade» do IEFP. As pessoas não são propriamente iogurtes...
  6. Favoritismo na selecção de formadores por algumas entidades formadoras, que colocam as amizades acima da competência, confiando a responsabilidade de cursos a amigos sem percurso profissional nas matérias que vão leccionar e que degradam a qualidade da formação, o que devia ser a primeira preocupação dessas mesmas entidades formadoras.

    Umas inspecçõezinhas por pessoal isento e conhecedor vinham muito a calhar.
  7. Deficientes critérios na selecção dos formandos de Aprendizagem, a qual deveria privilegiar a motivação e a apetência pela função. No entanto, em alguns centros, por eventual falta de preparação e/ou inexperiência dos responsáveis, a selecção é feita como serviço social prestado a famílias carenciadas. Resultado: desperdício de verbas, lançamento de maus elementos no mercado de trabalho e degradação da imagem da Formação.
  8. Exclusão de formadores seniores. Ao contrário do que acontece em países com quem teríamos muito a aprender (França, Alemanha, Suíça e países nórdicos), onde é altamente valorizado o aproveitamento do saber das pessoas em fim de carreira, existem em Portugal directivas que proíbem a contratação de formadores na situação de reforma. Se raciocinarmos um pouco, chegamos à conclusão de que existem três combinações possíveis do binómio competência/disponibilidade:
    a) Alta disponibilidade/baixa competência: Pessoas recém-licenciadas à procura de emprego que procuram desesperadamente uma fonte de rendimento mas que ainda não têm competência profissional para transmitir;

    b) Baixa disponibilidade/alta competência: Elementos profissionalmente activos, sabedores dos segredos da arte mas que, maioritariamente, sem tempo disponível para preparar convenientemente as acções de formação e cujo tempo livre para leccionar também é diminuto;

    c) Alta disponibilidade/alta competência: Profissionais que terminaram as suas carreiras, com todo o conhecimento teórico e prático adquirido ao longo da vida e que têm tempo disponível para preparar acções de qualidade e transmitirem as suas competências às gerações mais novas. O facto de ser posto de lado todo o alfobre de experiência representado por estas pessoas precisa de ser considerado como um desperdício de conhecimentos valiosos que poderiam (e deveriam) ser positivamente utilizados no desenvolvimento do país.

    Numa época em que há uma situação de aumento significativo da esperança de vida acompanhada de acentuada quebra da taxa de natalidade (o que coloca em causa a sustentabilidade da Segurança Social) a utilização do saber acumulado das pessoas com mais de 65 anos, poderia constituir como que uma reforma voluntária a tempo parcial em que os beneficiários poderiam dar um contributo sentindo-se úteis, contribuindo com os seus descontos sobre esse trabalho tanto para os cofres do Estado como para os da Segurança Social.
  9. Não remuneração pela qualidade dos textos de apoio e audiovisuais: Qualquer que seja a qualidade, sofisticação ou impacto dos meios de formação e/ou textos de apoio fornecidos ou utilizados pelos formadores, tal não é minimamente recompensado, desincentivando quem procura apresentar um trabalho de qualidade em favor de quem não faz o menor esforço nesse sentido. Saliente-se que em muitos casos nem sequer existem textos de apoio, ou então eles são apenas fotocópias de transparências, livros ou revistas reunidos a esmo, sem qualquer critério.
  10. Falta de incentivo à qualidade da formação: Qualquer que seja a avaliação dos formadores feita pelos formandos, não existe qualquer recompensa ao mérito demonstrado. Deveria existir, sim, uma remuneração adicional ligada à pontuação obtida no final das acções.
  11. Falta de protecção ao trabalho dos formadores, que se preocupam em apresentar textos de apoio e audiovisuais de qualidade não vendo o seu trabalho protegido, antes pelo contrário, vêem-no a ser utilizado por colegas sem escrúpulos que, sem qualquer pudor e com a complacência (ou negligência) das entidades formadoras, copiam os seus manuais e os apresentam como sendo de sua autoria.
  12. Inexistência de fiscalização, já que, salvo honrosas excepções, ninguém se preocupa em fiscalizar a qualidade da formação ministrada, em todas as suas vertentes. Com demasiada frequência surgem situações inconcebíveis, nomeadamente em formação intra-empresa. Quem se dispõe a ir a uma formação em que tem de atravessar poças de lama, enregelar por falta de aquecimento, ou sufocar com temperaturas acima dos 40ºC, por exemplo? Mas, isso, os coordenadores, não se preocupam em fiscalizar.
  13. Obrigatoriedade de duração mínima de 30 horas: As empresas (salvo nos casos de certas formações técnicas mais exigentes ou quando necessitam de ocupar pessoal momentaneamente excedentário) não podem dispensar os seus activos por períodos de tempo prolongados. Também, para os próprios activos que desejem aperfeiçoar os seus conhecimentos por iniciativa própria em horário pós-laboral, o vínculo a uma acção que se vai prolongar por 2 ou 3 meses pode ser inibidor e desmotivante. Parece-nos muito mais interessante módulos de 12 a 15 horas, dedicados a temas específicos, do que um amontoado de temas arrastando-se indefinidamente no tempo.
  14. Exigência em alguns centros de um curso superior para formações acima do nível 2: Licenciatura, Bacharelato, Mestrado ou Doutoramento não são garantia de competência profissional ou qualidade pedagógica. Ao longo da vida profissional, todos temos aprendido muito com pessoas com o chamado «saber de experiência feito» que foram grandes formadores sem que tenham polido os bancos de qualquer faculdade. (Thomas Edison ou Bill Gates, por exemplo, não concluíram qualquer curso superior).
  15. Retenção de honorários por parte de entidades formadoras privadas para pagamento a formadores a quem são muitas vezes exigidos recibos antecipadamente e que ficam indefinidamente à espera dos seu honorários (por vezes não recebidos por prescrição).

    Para quando uma fiscalização adequada pelos órgãos de tutela?
Face a este conjunto de situações, parece fazer falta a criação de uma organização profissional que, por exemplo e provisoriamente se poderia denominar

Sociedade Portuguesa de Formação Profissional (SPFP)

com o objectivo de, em colaboração com os organismos responsáveis, restaurar a dignidade e o prestígio da Formação Profissional, bem como defender os direitos dos formadores idóneos e incentivar a uma cultura de excelência que conduza a serviços de qualidade que sejam merecedores de remunerações justas e dignas.

Imaginam-se bem as pressões e os riscos que correriam os formadores que venham a ter a «leviandade» ou a «temeridade» de se associar abertamente a uma cruzada deste tipo que, afinal, é no interesse de todos quantos desejem uma Formação Profissional honesta e ao serviço do País.

Quem sabe ainda se consegue que alguém nos dê ouvidos? Afinal voltará a haver eleições não tarda nada e, se tal movimento tiver consistência, talvez se possa fazer corrigir alguma coisa.

Pensem nisso. Até amanhã!

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Bem hajam Senhores Ministros!


Já se dignaram deitar uma vista de olhos pelos regulamentos em vigor e pelos procedimentos do IEFP?

Da humilde insignificância das minhas curtas vistas, rendo-vos a mais rasgada homenagem à luz da inteligência dos vossos antecessores que tanto tem feito em prol do sucesso da Formação Profissional em Portugal.

Não encontro palavras para descrever a sublime política de permitir ao IEFP a fulgurante medida económica de reduzir os honorários dos formadores, permitindo a realização de muitas mais horas de formação com os mesmos custos. Verdade que o povo ingrato não frequenta essas acções, que só deveriam contribuir para o seu desenvolvimento intelectual, já que, no que diz respeito às competências profissionais, eles preferem desenvolvê-las penosamente no posto de trabalho devido à excessiva competência dos formadores contratados a 15€/hora.

É para mim especialmente difícil encontrar superlativos que consigam dar suficiente realce à generosa e altruísta medida de permitir a professores contratados do ensino básico e secundário, complementarem os seus magros salários com aulas nos Centros de Formação, mesmo que à custa (certamente mais do que justificada) do aumento do seu absentismo às horas de presença nos estabelecimentos a que estão adstritos.
Claro que esta medida se justifica plenamente, dado que os muitos docentes aposentados já não têm competência para dar ao País os frutos das suas longas carreiras dedicadas ao rigor e aos grandes valores morais que hoje estão manifestamente obsoletos e ultrapassados na progressista, dinâmica e sofisticada sociedade dos nossos dias.

Tão razoável e inteligente este conceito me parece ser que, ao que me foi dito por fonte insuspeita, o IEFP terá emitido um despacho dirigido aos seus centros de formação no sentido de não serem contratados formadores na situação de reformados, por muito competente e rigoroso que tivesse sido o seu percurso profissional e reconhecidas as suas competências técnicas e pedagógicas.

Iguais encómios merece a soberba ideia da regulamentação da carreira de formador com obrigatoriedade de renovação do Certificado de Aptidão Pedagógica (vulgo CAP), coagindo os formadores experientes e rotinados (não confundir com «rotineiros») a frequentarem cursos que não trazem qualquer valor acrescentado, a não ser à «elite» dos profissionais de formação de formadores que, coitados, têm que justificar e reforçar os seus honorários que, curiosamente, são pagos acima dos 35€/hora.


Na minha ignorância e estupidez naturais, parecer-me-ia muito mais lógico e motivador que esses cursos existissem para uma sensata progressão na carreira que habilitasse os formadores a ministrar formação progressivamente mais exigente desde os níveis de Formação de I até ao V da União Europeia, com remunerações sucessivamente ajustadas ao nível intelectual dos formando aos quais se dirigem. Isso sim, seria motivador para o progresso na carreira, pelo aumento da qualidade intrínseca da formação. Mas quem sou eu para opinar em oposição às mentes brilhantes que nos governam?

Outra solução digna de um Peter Drucker ou Michael Porter é a obrigatoriedade das empresas darem anualmente 30 horas de formação aos seus trabalhadores. Simplesmente genial. Há que gastar os milhões da União Europeia e se as empresas e os seus empregados não o fazem a bem, fazem-no a mal, que para isso é que existe o Governo. Mesmo que seja formação que não serve para coisa nenhuma e na qual os formandos nem sequer põem os pés. Mesmo que resulte no prejuízo de horas de trabalho para as organizações. Mesmo que isso não contribua para algo mais útil do que o avolumar do ego de quem vive à custa da Formação.

Mas as horas foram registadas, as estatísticas aumentam, dão-se uns trocos a uns formadorzitos recém-formados que aceitam qualquer esmola que se lhes dê, que não têm experiência de coisa alguma mas que tiraram o CAP na esperança de arranjar qualquer trabalhito e alguém dirá alegremente que Portugal se aproxima do «pelotão da frente» da União Europeia em horas de formação. Os outros países vão continuando a passar-nos à frente. Mas algo se deve estar a passar em nosso benefício. Deve haver algo que eu não estou a ver. Eu só posso estar errado.

A verdade é que eu devo ser mesmo intelectualmente muito limitado, porque não posso admitir que não exista uma explicação lógica e inatacável que justifique estas situações.

E que dizer da generosa partilha que o IEFP consente do trabalho dos formadores que queimaram as pestanas a fazer pesquisa, que dedicaram longas horas a coligir e preparar manuais de qualidade os quais, miraculosamente, aparecem por todo o lado em cursos dados pelos mais diversos «profissionais»?

Claro que nem toda a gente tem a vontade, o talento e a dedicação de fazer um trabalho asseado. Mas como todo o mundo tem obrigação de apresentar obra bem feita, há que não questionar a origem dos manuais que se apresentam (afinal o pessoal do IEFP tem muito que fazer e não pode preocupar-se em controlar a honestidade das pessoas, não é verdade?). Dá muito trabalho ver se os manuais ou o material apresentado já apareceram noutros casos.

Para quê ralar-me? Se os formadores deixarem de apresentar coisas originais, paciência. Quem vier atrás que feche a porta.

Na busca destes esclarecimentos, ouso perguntar mais uma vez:

QUEM ME ACODE?

Pensem nisto. Até amanhã!


domingo, 26 de agosto de 2012

Vamos falar de TGV?


Vamos sonhar com os pés na terra?

Como já referido mais de uma vez, o TGV é um luxo incomportável e injustificado para Portugal e importa descobrir os interesses que estiveram por detrás de uma tão tenaz obsessão do Governo de então. A linha Lisboa-Madrid, já esteve em andamento e não vou comentá-la. Embora a ideia tenha sido abandonada mas vá continuar a ter custos elevados para o País. Na casa dos MILHÕES de Euros em indemnizações por contratos assinados sem cuidado. Mas há duas outras que merecem uma reflexão mais profunda:



1. VIGO-PORTO (com ligação ao Aeroporto Francisco Sá Carneiro)

Esta ligação é por demais importante para transformar este aeroporto no grande aeroporto do Noroeste da Península. Os aeroportos de Vigo, Santiago de Compostela e La Coruña pouco mais são do que aeródromos e não são aptos para aviões wide-body. Mas é necessário um TGV? Para uma centena de quilómetros?

Parece-me muito mais lógico e, sobretudo, extremamente mais económico, prolongar em bitola ibérica a linha do Minho de Braga a Valença e interligá-la à rede da RENFE de modo a que os Alfa Pendular pudessem fazer a ligação a Vigo e, eventualmente, a Santiago de Compostela e à Corunha.

Afinal a rede espanhola tem a bitola da nossa e, tal como a nossa, é alimentada a 25.000 Volt. Os nossos Alfa devem poder circular por ela sem quaisquer problemas. Os comboios já existem (poderiam ser necessários mais 2 ou 3) e não têm comparação os custos de 50kms de linha convencional com os de 120 de linha para TGV.

A ligação ao Aeroporto, a partir de Campanhã, já é assegurada (a cada 20 minutos) pela linha E do Metro do Porto cujas composições podem ser coordenadas com as chegadas dos Alfa Pendular. Não há necessidade de desviar essas composições para irem até ao aeroporto.

Do lado português, esta ligação tem a vantagem adicional de colocar o Alto Minho (Ponte de Lima) na rede ferroviária nacional, podendo os eventuais passageiros ser servidos pelos comboios inter-regionais para deslocações bem mais rápidas a Braga e ao Porto e, em horário nocturno, por comboios de mercadorias nacionais e internacionais sem necessidade da penosa viagem por Viana do Castelo → Caminha → Valença.

Alfa Pendular na Gare do Oriente (Lisboa)


2. PORTO-LISBOA (com passagem por Leiria)

É certo que a linha do Norte está saturada e que os Alfa não desenvolvem todas as suas potencialidades. Se estivesse em condições a viagem duraria bem menos de duas horas.

Também é certo que Leiria está carente de uma ligação ferroviária rápida que a ligue ao resto da faixa litoral do País.

Mas a construção de um ramal dedicado da linha do Norte ligando Coimbra → (via Pombal) → Leiria → Santarém (por muito dispendiosa que ficasse a travessia (possivelmente em túnel) do Parque Natural das Serras de Aires e Candeeiros) ficaria incomensuravelmente mais económica do que construir de raiz uma linha Lisboa-Porto acrescida das respectivas infra-estruturas e composições.

E há que acrescentar que os nossos Alfa Pendular podem atingir a velocidade de ponta de 240 km/hora (fonte Wikipedia). Para um país da dimensão do nosso, para que é preciso mais? Convém salientar que as cidades que se pretende serem servidas pelo TGV distam entre si o máximo de 75 kms. Para quê o TGV? O Alfa Pendular é mais do que suficiente.

Convém referir que, para além de Portugal, os Pendolinos estão em serviço em países como Itália, Espanha, Eslovénia, Finlândia, Rússia, República Checa, Reino Unido, Eslováquia, Suíça, China, Roménia e Polónia (fonte Wikipedia).


Pendolino 680 Checo em Kralupy nad Vltavou

3. LISBOA-FARO

Como complemento do que acima foi dito, a conjugação dos pontos 1, 2 e 3 coloca a Galiza em ligação rápida com Lisboa (e com as linhas aéreas para Angola e Brasil) e com as praias e os casinos do Algarve. Não seria um atractivo para os nossos vizinhos Galegos numa época em que suspiramos pela entrada de fluxos financeiros? E embora em crise, o poder de compra dos Espanhóis está bem acima do nosso…

E, ao fim e ao cabo, Lisboa (e o Aeroporto da Portela) sempre lhes ficará mais próxima do que Madrid (e o Aeroporto de Barajas)...

Pendolino Italiano 470 em Veneza

Vamos começar a pensar com a cabeça em coisas que estão mais dentro das nossas possibilidades e que nos podem trazer proveitos significativos? A Portugal que não aos políticos e capitalistas...

Em época de crise, com as contenções a que estamos obrigados, um projecto destes não poderá ser concretizado de imediato. Mas isso dará tempo aos necessários contactos, inclusivé às negociações com a Xunta de Galicia, para se estudar e financiar o projecto a prazo conveniente.


Pendolino espanhol Alaris na linha Madrid-Valência


Pensem nisso. Até amanhã!

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Cuidados de geriatria por enfermeiro(a) diplomado(a)
pela Universidade Católica

Tlm: 912 487 476

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sábado, 25 de agosto de 2012

Fogos florestais: É hora da Cavalaria...!


Vamos começar a preparar a época de fogos de 2013?

Não, não é cedo demais, provavelmente, para tudo o que há a fazer, pode ser mesmo que o tempo já comece a escassear!

Todos vimos através da TV as imagens dramáticas do combate às chamas e as dificuldades que os bombeiros tiveram em chegar aos focos de incêndio por caminhos intransitáveis... quando os havia.

E, no entanto, temos ao nosso alcance meios eficazes que, com um custo moderado (se não houver desonestidades nem compadrios pelo meio) nos permitem dispor de meios pesados para vencer essas dificuldades.

Alguém se lembra das Chaimites?


O que talvez pouca gente saiba é que, no projecto inicial havia uma versão com canhão de água (V1000) que poderia ser utilíssima no combate aos fogos florestais.

Pois bem, as Chaimites estão a ser retiradas de serviço substituídas pelas Pandur. Porque não dar-lhes nova vida num combate mais nobre do que aquele para que foram projectadas?

Há tempos caiu-me debaixo dos olhos um artigo sobre a transformação de veículos semelhantes do Exército Britânico (também sobre rodas e anfíbios) para o combate aos fogos florestais. Não consegui voltar a encontrá-los na net, mas encontrei outros veículos anfíbios, embora de lagartas, desactivados do serviço activo e reconvertidos para o combate a incêndios:





E quanto à reconversão?

Não faltam em Portugal engenheiros competentes nem empresas metalomecânicas com as capacidades e meios tecnológicos mais que adequados para se encarregarem dessa tarefa. Os chassis, carroçarias e propulsores estão disponíveis. Haja vontade política para o fazer.

É dinheiro que fica no país, é criação de postos de trabalho, é uma solução eficaz e relativamente económica e uma arma poderosa no combate a esse flagelo. E será um know-how que poderá vir a ser exportado pela reconversão de veículos semelhantes.

As especificações? Terão que ser criadas em colaboração entre os técnicos (engenheiros) e os utilizadores (bombeiros). E há muito trabalho a fazer... e o tempo já não será muito para nos perdermos em guerras estéreis de alecrim e manjerona entre os senhores políticos... que só pensam em si próprios e não no bem estar do País!


E onde localizar esses meios?

Dado tratar-se de veículos militares convertidos, uma hipótese seria a sua colocação nos quarteis em colaboração com os corpos de bombeiros locais. Os militares encarregar-se-iam da sua manutenção e condução e os bombeiros com o manuseamento do equipamento de combate a incêndios.

Existem ainda umas dezenas de unidades operacionais. Dará para uma cobertura eficaz das zonas críticas do País. Deixo aqui a sugestão...

E por hoje é tudo. Até amanhã.


P.S. Acabamos de saber que este blogue também já é lido na Rússia. «Spassibo»!