domingo, 26 de agosto de 2012

Vamos falar de TGV?


Vamos sonhar com os pés na terra?

Como já referido mais de uma vez, o TGV é um luxo incomportável e injustificado para Portugal e importa descobrir os interesses que estiveram por detrás de uma tão tenaz obsessão do Governo de então. A linha Lisboa-Madrid, já esteve em andamento e não vou comentá-la. Embora a ideia tenha sido abandonada mas vá continuar a ter custos elevados para o País. Na casa dos MILHÕES de Euros em indemnizações por contratos assinados sem cuidado. Mas há duas outras que merecem uma reflexão mais profunda:



1. VIGO-PORTO (com ligação ao Aeroporto Francisco Sá Carneiro)

Esta ligação é por demais importante para transformar este aeroporto no grande aeroporto do Noroeste da Península. Os aeroportos de Vigo, Santiago de Compostela e La Coruña pouco mais são do que aeródromos e não são aptos para aviões wide-body. Mas é necessário um TGV? Para uma centena de quilómetros?

Parece-me muito mais lógico e, sobretudo, extremamente mais económico, prolongar em bitola ibérica a linha do Minho de Braga a Valença e interligá-la à rede da RENFE de modo a que os Alfa Pendular pudessem fazer a ligação a Vigo e, eventualmente, a Santiago de Compostela e à Corunha.

Afinal a rede espanhola tem a bitola da nossa e, tal como a nossa, é alimentada a 25.000 Volt. Os nossos Alfa devem poder circular por ela sem quaisquer problemas. Os comboios já existem (poderiam ser necessários mais 2 ou 3) e não têm comparação os custos de 50kms de linha convencional com os de 120 de linha para TGV.

A ligação ao Aeroporto, a partir de Campanhã, já é assegurada (a cada 20 minutos) pela linha E do Metro do Porto cujas composições podem ser coordenadas com as chegadas dos Alfa Pendular. Não há necessidade de desviar essas composições para irem até ao aeroporto.

Do lado português, esta ligação tem a vantagem adicional de colocar o Alto Minho (Ponte de Lima) na rede ferroviária nacional, podendo os eventuais passageiros ser servidos pelos comboios inter-regionais para deslocações bem mais rápidas a Braga e ao Porto e, em horário nocturno, por comboios de mercadorias nacionais e internacionais sem necessidade da penosa viagem por Viana do Castelo → Caminha → Valença.

Alfa Pendular na Gare do Oriente (Lisboa)


2. PORTO-LISBOA (com passagem por Leiria)

É certo que a linha do Norte está saturada e que os Alfa não desenvolvem todas as suas potencialidades. Se estivesse em condições a viagem duraria bem menos de duas horas.

Também é certo que Leiria está carente de uma ligação ferroviária rápida que a ligue ao resto da faixa litoral do País.

Mas a construção de um ramal dedicado da linha do Norte ligando Coimbra → (via Pombal) → Leiria → Santarém (por muito dispendiosa que ficasse a travessia (possivelmente em túnel) do Parque Natural das Serras de Aires e Candeeiros) ficaria incomensuravelmente mais económica do que construir de raiz uma linha Lisboa-Porto acrescida das respectivas infra-estruturas e composições.

E há que acrescentar que os nossos Alfa Pendular podem atingir a velocidade de ponta de 240 km/hora (fonte Wikipedia). Para um país da dimensão do nosso, para que é preciso mais? Convém salientar que as cidades que se pretende serem servidas pelo TGV distam entre si o máximo de 75 kms. Para quê o TGV? O Alfa Pendular é mais do que suficiente.

Convém referir que, para além de Portugal, os Pendolinos estão em serviço em países como Itália, Espanha, Eslovénia, Finlândia, Rússia, República Checa, Reino Unido, Eslováquia, Suíça, China, Roménia e Polónia (fonte Wikipedia).


Pendolino 680 Checo em Kralupy nad Vltavou

3. LISBOA-FARO

Como complemento do que acima foi dito, a conjugação dos pontos 1, 2 e 3 coloca a Galiza em ligação rápida com Lisboa (e com as linhas aéreas para Angola e Brasil) e com as praias e os casinos do Algarve. Não seria um atractivo para os nossos vizinhos Galegos numa época em que suspiramos pela entrada de fluxos financeiros? E embora em crise, o poder de compra dos Espanhóis está bem acima do nosso…

E, ao fim e ao cabo, Lisboa (e o Aeroporto da Portela) sempre lhes ficará mais próxima do que Madrid (e o Aeroporto de Barajas)...

Pendolino Italiano 470 em Veneza

Vamos começar a pensar com a cabeça em coisas que estão mais dentro das nossas possibilidades e que nos podem trazer proveitos significativos? A Portugal que não aos políticos e capitalistas...

Em época de crise, com as contenções a que estamos obrigados, um projecto destes não poderá ser concretizado de imediato. Mas isso dará tempo aos necessários contactos, inclusivé às negociações com a Xunta de Galicia, para se estudar e financiar o projecto a prazo conveniente.


Pendolino espanhol Alaris na linha Madrid-Valência


Pensem nisso. Até amanhã!

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Cuidados de geriatria por enfermeiro(a) diplomado(a)
pela Universidade Católica

Tlm: 912 487 476

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sábado, 25 de agosto de 2012

Fogos florestais: É hora da Cavalaria...!


Vamos começar a preparar a época de fogos de 2013?

Não, não é cedo demais, provavelmente, para tudo o que há a fazer, pode ser mesmo que o tempo já comece a escassear!

Todos vimos através da TV as imagens dramáticas do combate às chamas e as dificuldades que os bombeiros tiveram em chegar aos focos de incêndio por caminhos intransitáveis... quando os havia.

E, no entanto, temos ao nosso alcance meios eficazes que, com um custo moderado (se não houver desonestidades nem compadrios pelo meio) nos permitem dispor de meios pesados para vencer essas dificuldades.

Alguém se lembra das Chaimites?


O que talvez pouca gente saiba é que, no projecto inicial havia uma versão com canhão de água (V1000) que poderia ser utilíssima no combate aos fogos florestais.

Pois bem, as Chaimites estão a ser retiradas de serviço substituídas pelas Pandur. Porque não dar-lhes nova vida num combate mais nobre do que aquele para que foram projectadas?

Há tempos caiu-me debaixo dos olhos um artigo sobre a transformação de veículos semelhantes do Exército Britânico (também sobre rodas e anfíbios) para o combate aos fogos florestais. Não consegui voltar a encontrá-los na net, mas encontrei outros veículos anfíbios, embora de lagartas, desactivados do serviço activo e reconvertidos para o combate a incêndios:





E quanto à reconversão?

Não faltam em Portugal engenheiros competentes nem empresas metalomecânicas com as capacidades e meios tecnológicos mais que adequados para se encarregarem dessa tarefa. Os chassis, carroçarias e propulsores estão disponíveis. Haja vontade política para o fazer.

É dinheiro que fica no país, é criação de postos de trabalho, é uma solução eficaz e relativamente económica e uma arma poderosa no combate a esse flagelo. E será um know-how que poderá vir a ser exportado pela reconversão de veículos semelhantes.

As especificações? Terão que ser criadas em colaboração entre os técnicos (engenheiros) e os utilizadores (bombeiros). E há muito trabalho a fazer... e o tempo já não será muito para nos perdermos em guerras estéreis de alecrim e manjerona entre os senhores políticos... que só pensam em si próprios e não no bem estar do País!


E onde localizar esses meios?

Dado tratar-se de veículos militares convertidos, uma hipótese seria a sua colocação nos quarteis em colaboração com os corpos de bombeiros locais. Os militares encarregar-se-iam da sua manutenção e condução e os bombeiros com o manuseamento do equipamento de combate a incêndios.

Existem ainda umas dezenas de unidades operacionais. Dará para uma cobertura eficaz das zonas críticas do País. Deixo aqui a sugestão...

E por hoje é tudo. Até amanhã.


P.S. Acabamos de saber que este blogue também já é lido na Rússia. «Spassibo»!



sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Funcionários Públicos



Rezava o Expresso há dias atrás que, «No próximo ano os funcionários públicos vão ser mais penalizados que os privados»

COITADINHOS!!!



«… o empregado público é um indivíduo que recebe da sociedade o encargo de amargar a vida aos outros indivíduos»
(Pitigrilli – Loura Dolicocéfala, Cap. X)

Sábias palavras. Não há um de nós, seja empresário, trabalhador por conta própria ou simples empregado, que não tenha tido vontade de «esganar» um desses burocratas, seja das Finanças, da Segurança Social, do IEFP ou de outro qualquer serviço público.

Sinceramente, salvo honrosas excepções (que há muitas, felizmente), não sinto a menor preocupação, a menor solidariedade por esses personagens.

Os de categorias inferiores, que se encaixaram no sistema a maioria das vezes através da sempre eterna «cunha», em números desmesurados para o trabalho que lhes cabe, chegam tarde e a más horas, saem à hora ou antes dela, fique o que fique para fazer, saem para o cafezinho, para as comprinhas, para o lanchezinho a qualquer hora e os cidadãos que se arranjem. Ganham mais, muito mais do que os colegas das empresas privadas, mas isso não os motiva a prestarem um serviço de excelência a quem, no fim de contas, lhes paga os vencimentos. Pelo contrário, na sua mesquinhez, sentem-se os donos do povo…

Os de categorias mais elevadas, mal pagos face aos colegas das empresas privadas, roídos pela inveja (quantas vezes provocada pela própria incompetência) de não terem conseguido um lugar ao sol, infernizam a vida de quem precisa deles, estando sempre prontos a estender a mão para o agasalho de umas luvas… que sem luvas nada se faz neste país.

E, o pior de tudo, segundo a Constituição, é que NÃO PODEM SER DESPEDIDOS!

E quando é que a Assembleia da República põe fim a estes privilégios?

Estamos mal? Pois estamos. Mas a verdade é que, QUANDO OS SUBORDINADOS FALHAM A CULPA É DOS CHEFES. E todos nós sabemos a qualidade dos chefes que temos… E fomos nós que os colocámos lá…

Ao fim e ao cabo, «Cada povo tem o governo que merece» (Joseph de Maistre)

...

O que se disse acima foi forte? Pois foi, mas dirige-se fundamentalmente aos inúmeros BUROCRATAS que emperram as engrenagens do Estado, que nos fazem perder milhões desnecessariamente, que infernizam a vida de todos os utentes.

Não é justo, de modo algum, incluir nesse número os muitos médicos, professores, engenheiros, economistas, enfermeiros, técnicos e tantos mais funcionários públicos que, com sacrifício das suas vidas pessoais, se esforçam por prestar (contra ventos e marés) um serviço de qualidade à sociedade aliviando as agruras que todos enfrentamos.

A todos estes para quem a Ética e a Honra não são palavras vãs, BEM HAJAM

E, por hoje, é tudo. Até amanhã!








 

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Metro de Lisboa vs. Metro do Porto


Como se gasta dinheiro em Lisboa...!

Foi aberto ao tráfego há cerca de um mês o prolongamento da linha vermelha do Metro de Lisboa até ao Aeroporto. Sem contestar a manifesta utilidade deste prolongamento que o Porto já tem e com excelentes resultados (e face a uma certa má vontade lisboeta para com o Metro do Porto) há que esclarecer alguns pontos importantes.

Segundo notícia do Expresso, as obras, iniciadas em Fevereiro de 2007, terminaram agora, representando um investimento de 218 milhões de euros para o prolongamento da rede em 3326 metros e três novas estações, num percurso que demora cerca de cinco minutos a percorrer, de acordo com os dados da empresa.

218 milhões de Euros para 3300 metros de linha e três estações?

Comparativamente, os custos de construção do Metro do Porto foram:


• Por Km (subterrâneo, sem estações): 24 milhões euros
• Por Estação Especial: 30 milhões euros

Se em Lisboa se utilizassem os mesmos critérios, o custo deste prolongamento seria

3,3 km de linha a 24 M€  = 79,2 M€
3 estações a 30 M€  = 90 M€

TOTAL: 169,2 M€

E ainda há quem tenha o descaramento de dizer que o Metro do Porto é um sorvedouro… Só que no Porto não se gasta em luxos nem em estações em mármore…

Vamos a factos (que são do domínio público e podem ser consultados nos respectivos sites na internet):

Custos de exploração:

- Metro de Lisboa: 170 M€
- Metro do Porto: 40 M€

(Diário Económico) O Metro de Lisboa é dos metropolitanos mais caros em todo o Mundo. Segundo um estudo recente de uma consultora internacional especializada em transportes, a que o Diário Económico teve acesso, o Metro de Lisboa foi mesmo o mais caro em termos de custos operacionais de exploração em 2005, entre um conjunto de mais treze sistemas de metropolitano analisados em todo o Mundo

Resultados operacionais (os parêntesis indicam que os resultados são NEGATIVOS)

- Metro de Lisboa: (90 M€)
- Metro do Porto: (36 M€)

Taxas de cobertura (arredondadas):

- Metro de Lisboa: 53%
- Metro do Porto: 90% (em 2012 deve alcançar os 100%)

Extensão da rede

- Metro de Lisboa: 46 km
- Metro do Porto: 70 km

Número de estações

- Metro de Lisboa: 55
- Metro do Porto: 81

Número de Linhas

- Metro de Lisboa: 4
- Metro do Porto: 6

Passageiros transportados (arredondados)

- Metro de Lisboa: 180 milhões/ano
- Metro do Porto: 60 milhões/ano

Como é possível? Com o TRIPLO dos passageiros transportados, com MENOR extensão da rede, com MENOR número de linhas, com MENOR número de estações, o Metro de Lisboa consegue ter custos de exploração superiores a QUATRO VEZES os custos do Metro do Porto,  resultados operacionais NEGATIVOS superiores a 2,5 vezes os do Metro do Porto e uma taxa de cobertura de pouco mais de METADE da do Metro do Porto. Tudo isto apesar das macissas injecções de capital no metro lisboeta por parte do Governo que o Metro do Porto não tem.   Se a gestão do Metro de Lisboa seguisse os padrões do Metro do Porto a empresa deveria estar a nadar em dinheiro e a dar um enorme lucro aos cofres do Estado como empresa pública que é. E a autofinanciar-se para servir mais e melhor a área geográfica em que se insere e os seus inúmeros habitantes...   Mas os lisboetas é que sabem tudo e fazem tudo bem feito, não é?

O que diz a isto o Sr. Ministro das Finanças Dr. Vítor Gaspar?

E, por hoje, é tudo. Até amanhã!


P.S. Há dias falei dos salários dos funcionários do Metro. Não tive desmentidos... A bom entendedor...



Ler mais: http://expresso.sapo.pt/caricaturas-de-antonio-nas-paredes-do-metro=f739986#ixzz240etVvzE


quarta-feira, 22 de agosto de 2012

São «isto» empresários?


 

Quando os subordinados falham…

…a culpa é dos chefes


Muito se fala do peso das PME no tecido empresarial nacional e na importância que elas têm na recuperação do País. No entanto, muitos desses Homens que tiveram o rasgo e a coragem de criar as suas empresas e inúmeros postos de trabalho não são capazes de as fazerem elevar acima da mediocridade ou da mera sobrevivência, simplesmente porque caem em erros primitivos e não têm a humildade de entender que precisam de ajuda.

E, no entanto, os Centros Protocolares de Formação têm disponibilizado cursos de formação para chefias, que têm ficado às moscas porque os empresários, apenas porque o são, ou entendem que não têm nada a aprender ou acham aviltante voltar aos bancos da escola e expor as suas debilidades em público discutindo os seus problemas com quem pode ajudá-los a superá-las.

Para melhor ilustrar o meu ponto de vista, vou aqui citar três dos casos de que tive conhecimento em primeira mão:

1º Caso: Indústria Metalomecânica

Um serralheiro, pretendendo aperfeiçoar os seus conhecimentos no sentido de melhor interpretar as ordens recebidas, decidiu frequentar em horário pós-laboral um curso de desenho industrial. O curso foi pago pelo próprio funcionário e frequentado nas suas horas livres.

O patrão tomou conhecimento do caso e, pura e simplesmente, DESPEDIU-O

2º Caso: Indústria Têxtil

Um operário, desejando adquirir novos conhecimentos que lhe permitissem evoluir na profissão e subir na vida, inscreveu-se num curso de tinturaria, também à sua custa e em horário pós-laboral.

Quando o patrão soube do assunto, mandou chamá-lo e disse-lhe que deixasse o curso porque lhe aumentava o salário. Caso contrário teria de despedi-lo.

3º Caso: Indústria da Madeira

Este é mais sofisticado. Certo empresário, desejando aumentar o seu “status” social, decidiu contratar um engenheiro.

O nosso engenheiro, começando a trabalhar, analisou os layouts, os processos produtivos, os equipamentos existentes, os circuitos documentais, os aprovisionamentos, a gestão dos stocks, etc.

Passado um tempo foi falar com o patrão e disse-lhe que, com um investimento moderado seria possível diminuir em cerca de 40% os custos de produção.

Claro que perante estes números o patrão ficou eufórico e pediu ao engenheiro que lhe apresentasse um estudo detalhado, o que ele fez ao fim de algumas semanas de estudo e de consultas ao mercado.

Passou o tempo e nada de reacção do patrão. Até que por fim o engenheiro se decidiu a perguntar pelo estudo ao empresário.

Resposta deste: “Ó engenheiro, nem pense mais nisso. Se eu fizesse o que você quer eu deixava de perceber como as coisas eram feitas…"


...

Felizmente, casos destes não são muito frequentes. Mas depois as pessoas interrogam-se, queixam-se de falta de sorte, de subordinados incompetentes, sei lá de que mais. Oxalá estes exemplos possam servir de alerta para muita gente...

Robert Heinlein escreveu num dos seus livros:

«A Sorte é o resultado de uma preparação cuidadosa»

Pensem nisso! Até amanhã…


P.S. A internacionalização deste blogue continua a aumentar. Depois da Alemanha, Bélgica, E.U.A., França, agora também já foi lido na Noruega. É uma honra sem preço ter um alcance assim. Bem hajam!


terça-feira, 21 de agosto de 2012

FOGO...!


 

 

VAMOS FALAR DE FOGOS FLORESTAIS?


Mais uma vez o país está mergulhado no drama sazonal dos fogos florestais e, mais uma vez, as entidades responsáveis se movimentam de forma irresponsável contra algo que anualmente acarreta milhões e milhões de prejuízo. Sobretudo numa época de crise em que todos os cêntimos são poucos para a combater.

Os fogos são uma guerra como qualquer outra. Como a militar, como a política, como a de marketing. Todas elas se regem pelos mesmos princípios já que todas elas têm por finalidade aniquilar um inimigo.

Não sou bombeiro mas, na minha vida profissional tive que estudar Clausewitz (Da Guerra) e Sun Tzu (A Arte da Guerra) além de muitas mais obras sobre a minha actividade. E, em todas elas se advoga que, quando o inimigo (neste caso o fogo) surge, se deve atacá-lo com todas as forças disponíveis já que é o momento em que ele se encontra mais vulnerável.

E a que é que assistimos no combate aos incêndios? Dado o alerta são chamados os bombeiros que, por trilhos e estradas sinuosas (quando as há) levam horas a chegar ao incêndio. Enquanto o fogo, sem controlo nem oposição se desenvolve a alastra até assumir proporções catastróficas. E que neste ano, nomeadamente no Algarve foi deixado “à solta” por mais de 30 horas.

O que fazer? Há um ou dois anos, assisti na TV a uma reportagem passada numa serrania do Algarve em que se tinha declarado um incêndio entretanto dado como extinto. A reportagem estava junto a um helicóptero de combate a incêndios. De súbito irrompeu um reacendimento a umas centenas de metros dali. O helicóptero descolou e numa única passagem, em poucos SEGUNDOS arrumou com o assunto. Ou seja, atacou-se o fogo com meios PESADOS deixando-se aos bombeiros a tarefa de fazer o rescaldo.

Pois bem, porque razão não se atacam os incêndios de imediato com meios aéreos que levam poucos minutos a chegar, não dando tempo a que ele alastre e dando tempo aos bombeiros (infantaria) para chegar e finalmente dominar os fogos? Quanto tempo e dinheiro não se poupariam? A quantas famílias humildes se poupariam os horrores da miséria?

Rezam as estatísticas que nos últimos 10 anos ardeu em Portugal uma área equivalente à da Bélgica. Por quanto tempo mais os «donos» deste país nos vão deixar arder a caminho da bancarrota? E o que lucram todos esses incompetentes com isso no meio de toda a nossa desgraça. 


Vamos deixar-nos de poupar cotos de vela e trabalhar a sério?


Nas nossas casas, quando algo se incendeia, não estamos à espera que cheguem os bombeiros para atacar as chamas. Vamos tentar apagá-las com o que estiver à mão tentando evitar que elas alastrem. E não colocamos gasolina próximo de um fogão a gás. Porque não procuramos desmatar essas florestas antes que elas peguem fogo?

Meios disponíveis não faltam!

Porque não mobilizar os presos de delito comum (não de delitos de sangue) para ajudarem na desmatagem? Procurem-se voluntários nas prisões que já tenham cumprido uma parte da pena. Com pulseiras electrónicas, claro. Isso até poderia ser um prémio de bom comportamento que os tornava úteis à sociedade e os retirava do ambiente pesado do cativeiro. Tentativas de fuga acabariam com a hipótese de voltarem a sair, além de terem um agravamento da pena.

O mesmo se poderá dizer de utilizar quem usufrui do Rendimento Social de Inserção que agora (finalmente) vai ser obrigado a prestar serviço à sociedade. Se o trabalho de desmatagem for pesado, isso será um forte incentivo para procurarem um trabalho mais agradável e fugirem ao desemprego. Como pode isso ser feito? Acampamentos nas áreas problemáticas com recurso ao material militar que agora não é utilizado em tempos de paz.

E os soldados nos quarteis? Porque não colaboram também quando não têm ocupações militares? Podem colaborar nas desmatagens como se fosse um treino de campanha diferente que os retira para acampamentos fora dos aquartelamentos. Voluntários não hão-de faltar já que, quantos deles, estarão a defender os seus próprios lares...

Tanta coisa que se pode fazer com tanta gente desocupada...

Vamos pensar nisso? São horas de acabar com compadrios e chamar os bois pelos nomes!

E, por hoje, é tudo. Até amanhã!


P.S. Acabo de constatar que a «internacionalização» deste blogue se estendeu à Bélgica. Benvindos sejam. Faço votos de que estas linhas que escrevo vos possam fazer companhia e vos liguem ainda mais a este nosso Portugal!

Ler mais: http://expresso.sapo.pt/fogo-perto-das-casas-em-santa-cruz=f740980#ixzz246q4FGlE











segunda-feira, 20 de agosto de 2012

IEFP: Vamos falar de Desemprego?


Muito se tem falado de desemprego...


De falências, de crise, de situações difíceis. Mas, estranhamente, ninguém fala de pouca vontade de trabalhar.

Porque neste país não falta trabalho. Há muito para fazer, muito que construir. E muita necessidade de obra feita, pequenas obras do dia-a-dia, ajudas temporárias aqui ou ali. Mas as pessoas apenas querem «emprego», salário ao fim do mês (quer façam muito ou quer vejam passar os comboios) e quanto mais alto for melhor e depois há que «lutar pelos seus direitos» sem se deterem minimamente a pensar que a Vida é uma moeda de duas faces: Direitos e DEVERES! E nestes últimos ninguém fala.

Portugal é um país envenenado por décadas de propaganda progressista em que se acenou às massas com um paraíso de trabalhar pouco, de direitos inalienáveis e de obrigações só para os outros. E o resultado está à vista.

Toda a gente quis ser «doutor» ou «engenheiro» a qualquer custo (até Sócrates e Miguel Relvas). Em nome de uma «democracia da incompetência» facilitou-se o estudo até níveis escandalosos, deu-se quase o direito aos alunos de maltratarem os professores, proliferaram as universidades privadas com cursos sem qualidade e sem saída profissional e todos esses pseudo-licenciados, desempregados de colarinho branco, vêem-se, de repente com um «canudo» na mão que lhes não serve para nada quando esperavam encontrar à sua frente uma passadeira vermelha para uma carreira recheada de honrarias e prestígio, com vénias servis dos colegas menos graduados.

Pura ilusão demagógica. Quando alguém sai de uma universidade, aquilo que tem (ou deve ter) é uma ferramenta: um cérebro treinado que lhe permite, com o seu esforço, ir mais além do que os demais. Uma licenciatura é uma coisa linda; mas se não conseguirmos ser nada sem ela, também nunca seremos nada com ela. A via do sucesso não tem elevadores: sobe-se degrau a degrau. A menos que se tenha estômago para ser mais um dos «boys» de certos partidos políticos sempre prontos a arranjar uns tachitos para os amigos atentos, veneradores e obrigados (e inúteis) que vivem à custa do erário público numa vida de sanguessugas.


Os Centros de (des)Emprego

Por razões profissionais (Formação) tenho tido muitos contactos com o IEFP, suas delegações e centros de emprego. E tenho-me dado ao cuidado de manter os olhos abertos e observar e analisar o que se passa à minha volta. E, salvo honrosas excepções de alguns profissionais que se preocupam com o drama alheio, infelizmente há muita gente que se preocupa com o seu próprio ego e os demais… que se arranjem.

A realidade é que, quanto maior for uma instituição, maior é a probabilidade de que o nível médio do seu pessoal seja cada vez mais… mediano. E, em termos nacionais, o IEFP é «apenas» gigantesco.

Como motivar os técnicos

Um dos problemas maiores para levar as pessoas a cumprir com empenho e dedicação as missões que lhes estão confiadas e, pura e simplesmente, uma questão de motivação. Se as pessoas não se sentirem compensadas quando lutam para atingir os patamares mais elevados da Pirâmide de Maslow, elas tendem a regredir para níveis inferiores como é bem sabido.

E, na realidade, aquilo a que se assiste nos Centros de Emprego, é a uma atitude passiva dos quadros que se limitam a receber as candidaturas e as ofertas de emprego e a procurarem compatibilidades através do sistema informático. O IEFP faz propaganda, mas não actua no terreno.

Mas a verdade é que existem muito mais ofertas de emprego semanalmente publicitadas nos jornais diários (JN, Diário de Notícias, Correio da Manhã) e semanários (Expresso Emprego). Seria uma atitude bem mais eficaz se os técnicos do IEFP assumissem uma atitude proactiva e tentassem actuar junto das empresas que manifestam essas necessidades, oferecendo a sua bolsa de candidaturas e procurando convencer as empresas das vantagens que lhes adviriam de recrutar pessoal através do IEFP.

E como levar esses técnicos a agir dessa maneira? Deixemo-nos de ilusões, as pessoas só actuam com dedicação se se sentirem recompensadas nos seus esforços, seja de que modo for. Há portanto que recompensar quem se esforça. Como?

Em primeiro lugar, vejamos quem lucra se os técnicos trabalharem com afinco e colocarem trabalhadores desempregados:

1. Lucra o Estado através dos impostos recolhidos directamente do trabalho dessas pessoas (IRS) e indirectamente do consumo que elas farão com o dinheiro dos salários (IVA)

2. Lucra a Segurança Social que deixa de pagar Subsídios de Desemprego e, pelo contrário, passa a recolher as contribuições obrigatórias das empresas e dos trabalhadores.

Gera-se portanto um fluxo financeiro positivo do qual se pode (e deve) retirar uma parte para recompensar os esforços de quem merece. Vamos adiantar uma proposta de sugestão.

Por cada desempregado que o técnico coloque (em trabalho efectivo ou temporário) receberá como incentivo:

• Ao fim de 6 meses de permanência consecutiva do trabalhador na empresa, a Segurança Social recompensa o técnico com 25% do desconto do trabalhador no 6º mês

• Ao fim de 12 meses de permanência consecutiva do trabalhador na empresa, a Segurança Social recompensa o técnico com 50% do desconto do trabalhador no 12º mês

• Ao fim de 18 meses de permanência consecutiva do trabalhador na empresa, a Segurança Social recompensa o técnico com 75% do desconto do trabalhador no 18º mês

• Ao fim de 24 meses de permanência consecutiva do trabalhador na empresa, a Segurança Social recompensa o técnico com 100% do desconto do trabalhador no 24º mês

• Se o trabalhador passar à efectividade, sem prejuízo dos prémios anteriores, receber após o final dos 2 anos 100% do desconto do trabalhador sobre o subsídio de férias ou subsídio de Natal, conforme o que ocorrer em primeiro lugar .

• Estes prémios mantêm-se se, mudando o trabalhador de empresa (por exemplo por convite para uma outra empresa para um emprego mais atractivo) se mantiverem sem descontinuidade as contribuições para a Segurança Social.
Um esquema deste tipo incentiva o técnico a:

1. Esforçar-se por colocar no activo tantos trabalhadores quantos possíveis.

2. Procurar activamente, por todos os meios, empresas carenciadas para colocação de trabalhadores no desemprego.

3. Zelar pelo acompanhamento desses trabalhadores para que sejam diligentes e permaneçam na empresa o máximo de tempo possível.

4. Procurar criar as condições para que os trabalhadores por si colocados passem à efectividade).

5. Procurar que esses trabalhadores se valorizem profissionalmente através de acções de formação válidas e úteis para a sua profissão para que constituam mais valias para as empresas que os contrataram e que possam ajudá-los a progredir na carreira.

E quanto aos «Profissionais do Desemprego»?

Todos conhecemos a excessiva protecção que Decreto-Lei 220/2007 tem concedido a muitos casos. Essa excessiva protecção leva os mais ladinos a sentirem uma grande impunidade para recusar hipóteses de trabalho ou para as aceitarem por períodos limitados voltando depois a desempregar-se e a gozarem novo período de «férias pagas» à custa dos descontos de quem trabalha e que espera, a seu tempo, gozar das regalias a que tem pleno direito.

Para esses algo de radical se impõe no âmbito daquele decreto, e a sugestão que apresento cobriria os seguintes pontos:

1. Deixaria de haver Formação Profissional inútil. Se um qualquer curso de formação não tem aplicabilidade a curto prazo para satisfazer uma necessidade específica do mercado, ele pura e simplesmente não é ministrado. Caso contrário não passa de uma esmola disfarçada. E há muita gente que vive sucessivamente dessas esmolas coleccionando cursos inúteis. Que muitas vezes não têm qualquer qualidade ou utilidade ou nem sequer são dados (por entidades formadoras particulares) antes são um meio de muita gente viver à custa do FSE sem qualquer contributo útil para o País.

2. Salvo caso de força maior devidamente comprovado, deixaria de ser possível rejeitar propostas de emprego angariadas pelo IEFP situadas a uma distância inferior a 1 hora de trajecto do local de residência utilizando os transportes públicos.

3. Se o valor do vencimento proposto for inferior ao valor do Subsídio de Desemprego, a Segurança Social complementaria o vencimento até àquele valor. Isto permitiria, por um lado, reduzir o esforço da Segurança Social (que aliás iria entretanto receber as contribuições da empresa e do trabalhador) e contribuiria para os cofres do Estado através dos impostos aplicáveis: IRS, IRC, IVA.

4. Exceptuando caso de doença comprovado por junta médica, qualquer recusa de emprego implicaria o corte imediato do Subsídio de Desemprego.

5. Esse corte seria igualmente aplicado caso o trabalhador se despedisse ou fosse despedido de mais de um trabalho num período de 12 meses a contar da primeira data de admissão


E quanto ao «Subsídio Social de Desemprego»?

Neste caso muito tem que ser feito já que o Estado despende milhões que necessitam de ser controlados, uma vez que saem dos bolsos dos contribuintes que não têm obrigação de sustentar os parasitas que se aproveitam das facilidades pensadas para pessoas de bem.

Assim:

1. No caso de cidadãos estrangeiros, o País não tem obrigação de os sustentar. Promover-se-ia o respectivo repatriamento.

2. No caso de desempregados crónicos em condições de trabalhar, proceder-se-ia como no caso anterior: os técnicos do IEFP procurar-lhes-iam colocação que não poderia ser recusada

3. Este subsídio só poderia ser atribuído a pessoas comprovadamente necessitadas.

Aumento de criminalidade?

Uma possível consequência desta rigidez, poderia ser um aumento da pequena criminalidade e da mendicidade por parte dos inimigos do trabalho.

Aqui impõem-se que os Tribunais sejam mais diligentes e rigorosos, não promovendo o arquivamento desses casos para reduzirem o seu trabalho para só se dedicarem a casos que considerem mais graves.

Se não se reprime a pequena criminalidade à nascença como medida profiláctica, mais tarde julgar-se-ão os mesmos infractores por crimes bem mais graves. E de quem é a culpa? A nossa legislação protege demasiado os direitos dos criminosos e muito pouco os direitos das vítimas. Quem redigiu essas leis com alguma intenção o fez pelo que haverá que tomar medidas correctiva.

As dificuldades que a Lei impõe a quem quer trabalhar

Vou agora referir um conjunto de preceitos legais que dificultam a obtenção de emprego por quem efectivamente quer trabalhar. E, para o ilustrar, vou referir um caso que se passou com pessoa das minhas relações e que, portanto, conheço em primeira-mão.

Há alguns anos esse amigo ficou desempregado por cessação do contrato de trabalho. Passou a receber subsídio de desemprego e começaram a aparecer-lhe ofertas de trabalho (saliento, ofertas de trabalho e não ofertas de emprego) que francamente lhe interessavam para iniciar vida nova mas que, para começar (eram contratos pontuais de formação) não tinham a continuidade necessária para assegurar um valor equivalente ao subsídio de desemprego. Era um trabalho que interessava sobremaneira mas que a Segurança Social o proibia de aceitar sob pena de perder o subsídio de desemprego. Pediu então um parecer jurídico a um Professor da Faculdade de Direito da U.P. e, mediante esse parecer, conseguiu que a Segurança Social lhe consentisse, informalmente, que pudesse ministrar esses cursos sendo o respectivo valor descontado do Subsídio de Desemprego sempre que os realizasse.

Os valores foram subindo com o tempo e houve inclusivé meses em que já ele não recebia qualquer montante da Segurança Social. O Subsídio aplicado deste modo durou 4 (quatro) anos e alavancou uma nova carreira e actividade profissional (como profissional liberal).

No entanto (pasme-se!) quando a pessoa em causa entregou os papéis para se reformar, foi-lhe exigido que devolvesse a TOTALIDADE do subsídio recebido acrescido de juros sob a justificação de que tinha estado a trabalhar enquanto o recebia.

Claro que o assunto acabou em tribunal tendo a Segurança Social desistido da acção e dando o assunto como encerrado em vésperas de início do julgamento.

Este conflito de disposições legais, (como muitos outros que existem), também obriga a que muita gente desempregada e que quer trabalhar se veja impedida de o fazer por não ter ao seu dispor os meios que esse amigo teve para se libertar das teias da burocracia vigente.

Senhores políticos, sindicalistas e demais entidades envolvidas, vamos pensar nisso? Ou vamos continuar sentados à sombra da bananeira a viver à tripa forra à custa do Zé Povinho?

E, por hoje, é tudo. Até amanhã!


P.S. Fiquei muito honrado por constatar que este blogue já é «internacional» e tem leitores na Alemanha, França e E.U.A. Um abraço muito especial para quem me lê de tão longe. É um estímulo precioso para continuar. Desejo-vos as maiores felicidades. Bem hajam!