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quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Formação: Uma proposta concreta (Parte III)


Na continuação das duas últimas intervenções, vamos agora abordar uma matéria sensível, tanto para o Ministério das Finanças, como para o IEFP e, sobretudo, para os formadores.

Mas que assume uma importância crucal se o País pretende tirar proveito dos muitos milhões que anualmente são malbaratados em Formação com resultádos, no mínimo, medíocres (se é que os há). 

Remunerações

Como já referido, as remunerações actualmente oferecidas pelo IEFP são ridiculamente baixas e não estimulam nem a qualidade, nem o empenho dos formadores e são desinteressantes para formadores qualificados e experientes.

O objectivo inconfessado é trabalhar para as estatísticas, apresentando resultados de inúmeras horas de formação realizadas... só que elas não servem para coisa nenhuma (se é que são dadas) e conduzem ao descrédito e desinteresse dos próprios formandos.

No sentido de dar uma base para reflexão, faz-se uma proposta concreta como segue

I. Remunerações Ilíquidas Horárias

(por nível de curso)

  • Nível 1 20,00 €
  • Nível 2 30,00 €
  • Nível 3 40,00 €
  • Nível 4 55,00 €
  • Nível 5 75,00 €

II. Prémio de Qualidade (Avaliação do Desempenho)
(por nível de curso)

Como todos sabemos, o IEFP impõe uma avaliação aos seus formadores que, ao fim e ao cabo, serve para muito pouco (se é que serve). Quando muito servirá a alguns responsáveis para justificar a exclusão futura de alguns formadores. Infelizmente a legislação vigente dá-lhes um poder descricionário e irresponsável do qual resultam inúmeros abusos dos quais eles não são chamados a prestar contas.
Entretanto, lança-se aqui um desafio para gente séria e competente. Pessoalmente, e e no presente momento, sou isento já que o meu tempo de formador já passou. Mas estou bem informado das situações e considero sumamente importante não se perpetuarem erros que só trazem descrédito e nenhum proveito ao País (se é que há ainda algum responsável que se preocupe com ele).

Assim, vamos aproveitar as avaliações que são feitas (procurando activamente que elas se tornem cada vez mais honestas) e recompensar os formadores capazes e dignos com uma remuneração complementar que premeie o seu esforço, competência e amor à arte?
Nesse sentido, propõe-se que, sempre que as avaliações efectuadas pelos formandos no final da acção ultrapassarem os 90%, os formadores sejam premiados com uma remuneração horária adicional de:

  • Nível 1: 2,00 €
  • Nível 2: 2,50 €
  • Nível 3: 3,00 €
  • Nível 4: 4,00 €
  • Nível 5: 5,00 €
  • Sempre que as avaliações efectuadas pelos formandos no final da acção ultrapassarem os 95% aqueles valores serão elevados para o dobro.

Claro que isto teria de ser bem fiscalizado para evitar abusos e para evitar que os «amiguinhos» dos responsáveis dos centros se fossem «banquetear» com mais este benefício que lhes não é destinado a não ser que o mereçam.


III. Remuneração de Textos de Apoio

Infelizmente os textos de apoio postos à disposição dos formandos, na maioria das vezes, não passam de umas folhar fotocopiadas de livros e revistas, por vezes apenas dos próprios acetatos, sem qualquer qualidade ou interesse para futuro. 

Para incentivar a produção de material de qualidade, sempre que o formador fornecer textos de apoio reconhecidos como de excelência. Essa qualidade teria de obedecer a critérios definidos a fim de ser racional, isenta e mensurável e não apenas emocional e injustificável e efecuada por uma entidade independente. Nesse caso, a remuneração total ilíquida do curso seria acrescida de um prémio de 10% a ser liquidado no início do mesmo.

E por hoje fico-me por aqui. Futuramente (lá mais para diante) falaremos de uma proposta séria de reformulação dos CAP. E não se coibam de fazer os vossos comentários ou sugestões (que podem ser feitos por e-mail se não se sentirem à vontade de utilizar o blogue). Mesmo que seja a discordar.

Vão pensando nisso. Amanhã o assunto já não será Formação. Fiquem bem.





quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Formação: Uma proposta concreta (Parte II)


A Hierarquização dos Formadores

Na continuação da mensagem de ontem, passamos a indicar uma possível hierarquização da carreira de Formador:

II. Habilitações Básicas na Carreira de Formador (não específicas da profissão)


1. Formador Assistente Habilitações mínimas: ·
  • CAP I – Certificado de Habilitações Pedagógicas (Nível 1) ·
  • 9º ano de escolaridade ·
  • 5 anos de experiência profissional
  • Condições de ascensão: ·
  • Habilitações mínimas do grau imediato ·
  • Aprovação do seu Tutor ou Mentor ·
  • Máximo de 2 avaliações por acção inferiores a 85% no ano anterior

2. Formador Júnior Habilitações mínimas: ·
  • CAP II – Certificado de Habilitações Pedagógicas (Nível 2) ·
  • Mais de 200 horas de experiência como formador ·
  • 12º ano de escolaridade + 5 anos de experiência profissional ou · 9º ano de escolaridade + 10 anos de experiência profissional
  • Condições de ascensão: · Habilitações mínimas do grau imediato ·
  • Aprovação do seu Tutor ou Mentor ·
  • Máximo de 2 avaliações por acção inferiores a 85% no ano anterior Condição de manutenção na categoria: ·
  • Inexistência de avaliações por acção inferiores a 75% (salvo justificação comprovada)

3. Formador Sénior Habilitações mínimas: ·
  • CAP III – Certificado de Habilitações Pedagógicas (Nível 3) ·
  • Autoria de um mínimo de 100 horas de cursos de formação na especialidade ·
  • Mais de 500 horas de experiência como formador ·
  • Bacharelato + 10 anos de experiência ou · 12º ano + 15 anos de experiência profissional.
  • Condições de ascensão: · Habilitações mínimas do grau imediato ·
  • Máximo de 2 avaliações por acção inferiores a 85% no ano anterior Condição de manutenção na categoria: ·
  • Inexistência de avaliações por acção inferiores a 75% (salvo justificação comprovada).

4. Formador Tutor Habilitações mínimas: ·
  • CAP IV – Certificado de Habilitações Pedagógicas (Nível 4) ·
  • Capacidade de manipulação conjugada das ferramentas informáticas ·
  • Autoria de um mínimo de 250 horas de cursos de formação na especialidade ·
  • Mais de 2500 horas de experiência como formador ·
  • Licenciatura + 10 anos de experiência ou · Bacharelato + 15 anos de experiência
  • Condições de ascensão: · Habilitações mínimas do grau imediato ·
  • Máximo de 2 avaliações por acção inferiores a 85% no ano anterior
  • Condição de manutenção na categoria: · Inexistência de avaliações por acção inferiores a 75% (salvo justificação comprovada).

5. Formador Mentor Habilitações mínimas: ·
  • CAP V – Certificado de Habilitações Pedagógicas (Nível 5) ·
  • Capacidade de manipulação conjugada das ferramentas informáticas ·
  • Autoria de um mínimo de 500 horas de cursos de formação na especialidade ·
  • Mais de 5000 horas de experiência como formador ·
  • Mestrado (ou Doutoramento) + 10 anos de experiência ou · Licenciatura + 15 anos de experiência ou · Bacharelato + 20 anos de experiência
  • Condição de manutenção na categoria: · Inexistência de avaliações por acção inferiores a 75%  (salvo justificação comprovada).

6. Formador Especialista Habilitações mínimas:
  • Não aplicável já que a sua acção é eventual a convite e sob responsabilidade de um Formador Tutor ou Mentor. 

Vão pensando nisto. Até amanhã




terça-feira, 4 de setembro de 2012

Formação: Uma proposta concreta (Parte I)

Senhor Ministro da Economia e Emprego:

Para que não possa dizer que este blogue só sabe dizer mal (o que não é verdade), permito-me agora, numa série de três artigos, auxiliá-lo no seu trabalho fazendo-lhe propostas concretas de pontos merecedores da sua atenção e que são críticos para o sucesso da Foermação Profissional em Portugal e para a rentabilidade dos muitos milhões que nela são esbanjados ingloriamente.

Porque no IEFP se «trabalha», fundamentalmente, para as estatísticas...

Desejo-lhe sinceramente muita firmeza, coragem e perseverança na sua missão. Porque bem vai precisar delas para afastar a muita areia que tentarão atirar-lhe para os olhos para preservar interesses estabelecidos... à custa de todos nós...


A Carreira de Formador

Em seguimento das considerações anteriores, e com o intuito de dignificar e regulamentar de forma construtiva e motivadora a carreira de Formador, permito-me levar à consideração de quem de direito a seguinte sugestão:

CLASSIFICAÇÃO DE FORMADORES


Para efeitos de atribuição de responsabilidades, competência e remunerações, os formadores seriam classificados dentro das categorias seguintes:

1. Formador Assistente
2. Formador Júnior
3. Formador Sénior
4. Formador Tutor
5. Formador Mentor
6. Formador Especialista
I. Definição das categorias
1. Formador Assistente: Sob orientação de um formador Tutor ou Mentor responsável, está habilitado a monitorar aulas práticas e, eventualmente, ministrar formação teórica. Será da responsabilidade do orientador (Tutor ou Mentor) a selecção dos temas, elaboração dos textos e preparação dos exercícios e audiovisuais.
Ministrará cursos até ao nível 1, sendo a remuneração respectiva repartida com o seu orientador, na proporção 70% (formador) / 30 % (orientador).
2. Formador Júnior: Habilitado a monitorar aulas práticas e teóricas de cursos dos níveis 1 e 2, sob orientação de um formador Tutor ou Mentor responsável pela sua orientação na selecção dos temas, elaboração dos textos e preparação dos exercícios e audiovisuais.
A remuneração respectiva será repartida com o seu orientador (Tutor ou Mentor), na proporção 80% (formador) / 20 % (orientador).

3. Formador Sénior: Habilitado a ministrar autonomamente formação de cursos até ao nível 3, sendo responsável pela selecção dos temas, elaboração dos textos e preparação dos exercícios e audiovisuais.
Tem competência para preparar cursos sobre temas que lhe sejam propostos fazendo por sua iniciativa as pesquisas bibliográficas indispensáveis ao seu trabalho.
Pode recorrer à colaboração e/ou supervisão de formadores especialistas e/ou de níveis mais elevados, mediante compensação a negociar entre ambos.
4. Formador Tutor: Habilitado a ministrar formação até ao nível 4, sendo responsável pela selecção dos temas, elaboração dos textos e preparação dos exercícios e audiovisuais.
Habilitado a ministrar Formação de Formadores até ao CAP III.
Tem competência reconhecida para orientar e supervisionar até um máximo de 3 formadores dos níveis 1 e 2 (e eventualmente nível 3) nas condições acima referidas.
Elabora cursos de sua própria autoria e iniciativa, tanto baseados em pesquisa bibliográfica como na sua própria experiência profissional.
5. Formador Mentor: Habilitado a ministrar formação até ao nível 5, sendo responsável pela selecção dos temas, elaboração dos textos e preparação dos exercícios e audiovisuais.
Habilitado a ministrar Formação de Formadores até ao CAP V.
Tem competência reconhecida para orientar e supervisionar até um máximo de 5 formadores dos níveis 1 e 2 (e eventualmente nível 3), nas condições acima referidas.
Elabora cursos de sua própria autoria e iniciativa, tanto baseados em pesquisa bibliográfica como na sua própria experiência profissional, podendo a realização total ou parcial dos cursos até ao nível 3 ser ministrada por formadores de categorias menos elevadas, desde que devidamente habilitados e pressupondo que por ele seja assumida a responsabilidade técnico-pedagógica.
6. Formador Especialista: Formador eventual especializado num ramo particular de conhecimento que, a convite de um Formador Sénior, Tutor ou Mentor e sob responsabilidade deste, ministra uma formação específica como acto isolado e sem carácter de permanência numa carreira de formação profissional.

Amanhã falaremos das competências e habilitações sugeridas para cada nível.

Pensem nisso. Bom trabalho! Até amanhã


  
P.S. Países onde já foi lido este blogue:
(ordem decrescente do número de visitas)
  • Portugal 
  • Rússia 
  • Alemanha 
  • Estados Unidos 
  • França 
  • Itália 
  • Bélgica 
  • Reino Unido 
  • Noruega 
  • Coreia do Sul (novo - deve ter sido por engano)

terça-feira, 28 de agosto de 2012

IEFP: Falemos agora A SÉRIO

Foi duro o que se disse ontem?


... mas era preciso um abanão...!

Depois da crítica destrutiva, cínica e mordaz, é hora de tomar uma atitude positiva e construtiva.

Como foi caricaturado, desde há vários anos que se vem assistindo a uma progressiva degradação e descrédito da Formação Profissional, incluindo a co-financiada pelo Fundo Social Europeu.


Segundo o nosso ponto de vista, essa situação deve-se, entre outras possíveis, às causas seguintes:
  1. Postura dos empresários das PME, maioritárias no nosso tecido empresarial, que privilegiam a obtenção de resultados no curto prazo com prejuízo de uma evolução sustentada. Efectivamente, ainda não se aperceberam das vantagens de apostarem na Qualidade e na Competência – tanto própria como dos seus colaboradores – as quais só se conseguem através de uma Formação e Aperfeiçoamento constantes. Isto é particularmente importante face à globalização dos mercados que presentemente se verifica.

  1. Fraca qualidade da formação ministrada, devida sobretudo à desmotivação e/ou desinteresse dos formadores experientes (os honorários actualmente praticados/propostos não são entusiasmantes). Isto conduz ao aproveitamento das dificuldades de muitos formadores em início de carreira, que apenas se limitam a vender o seu tempo, não se preocupando com os resultados da sua acção sobre os formandos, tanto a curto como a médio ou longo prazo.

  1. Pouca motivação dos eventuais formandos, que não acreditam na utilidade da formação ou não sentem interesse das suas empresas na aquisição e valorização das novas competências adquiridas. Em muitos casos, são os próprios empregadores a desmotivá-los por “sentirem” a sua autoridade posta em causa por subordinados que “saibam” mais do que eles ou com receio de que, uma vez com essas competências, possam ser levados a mudar de empresa.
  2. Deficiente promoção e divulgação das acções de formação, feita normalmente por funcionários sem qualquer formação específica e que, no seu amadorismo, cometem os maiores atropelos. Como qualquer outro, a Formação Profissional é um produto que tem que ser “vendido”.
  3. Atitude passiva dos Centros de Formação e respectivos funcionários, que se limitam a esperar que apareçam candidaturas às acções de formação, em vez de procurarem activamente dinamizar as inscrições.
  4. Peso excessivo das máquinas burocráticas que absorvem recursos significativos que seriam melhor utilizados onde são mais necessários, isto é, na prossecução dos reais objectivos do Fundo Social Europeu.
  5. Perversão da qualificação de formadores: Não faz qualquer sentido que um formador com apenas formação inicial tenha prioridade sobre um formador já certificado mas cujo CAP tenha expirado. Uma data não define competência.

    A exigência de cursos de requalificação periódicos não é mais do que a justificação para se criarem cursos com avultadas remunerações pela obrigatoriedade dessa reciclagem absolutamente desnecessária. Esses cursos, muitas vezes, não trazem qualquer mais-valia a quem os frequenta. Quem beneficia é apenas a “elite” que os ministra já que introduz no sistema a obrigatoriedade de a eles se assistir periodicamente de modo a assegurar a perpetuidade dos seus rendimentos.

    Repare-se que em nunhuma outra profissão uma pessoa deixa de ser competente porque atingiu um «prazo de validade». Pode sim ascender a níveis superiores através de estudo ou de cursos de formação. Uma bizarra e insensata «originalidade» do IEFP. As pessoas não são propriamente iogurtes...
  6. Favoritismo na selecção de formadores por algumas entidades formadoras, que colocam as amizades acima da competência, confiando a responsabilidade de cursos a amigos sem percurso profissional nas matérias que vão leccionar e que degradam a qualidade da formação, o que devia ser a primeira preocupação dessas mesmas entidades formadoras.

    Umas inspecçõezinhas por pessoal isento e conhecedor vinham muito a calhar.
  7. Deficientes critérios na selecção dos formandos de Aprendizagem, a qual deveria privilegiar a motivação e a apetência pela função. No entanto, em alguns centros, por eventual falta de preparação e/ou inexperiência dos responsáveis, a selecção é feita como serviço social prestado a famílias carenciadas. Resultado: desperdício de verbas, lançamento de maus elementos no mercado de trabalho e degradação da imagem da Formação.
  8. Exclusão de formadores seniores. Ao contrário do que acontece em países com quem teríamos muito a aprender (França, Alemanha, Suíça e países nórdicos), onde é altamente valorizado o aproveitamento do saber das pessoas em fim de carreira, existem em Portugal directivas que proíbem a contratação de formadores na situação de reforma. Se raciocinarmos um pouco, chegamos à conclusão de que existem três combinações possíveis do binómio competência/disponibilidade:
    a) Alta disponibilidade/baixa competência: Pessoas recém-licenciadas à procura de emprego que procuram desesperadamente uma fonte de rendimento mas que ainda não têm competência profissional para transmitir;

    b) Baixa disponibilidade/alta competência: Elementos profissionalmente activos, sabedores dos segredos da arte mas que, maioritariamente, sem tempo disponível para preparar convenientemente as acções de formação e cujo tempo livre para leccionar também é diminuto;

    c) Alta disponibilidade/alta competência: Profissionais que terminaram as suas carreiras, com todo o conhecimento teórico e prático adquirido ao longo da vida e que têm tempo disponível para preparar acções de qualidade e transmitirem as suas competências às gerações mais novas. O facto de ser posto de lado todo o alfobre de experiência representado por estas pessoas precisa de ser considerado como um desperdício de conhecimentos valiosos que poderiam (e deveriam) ser positivamente utilizados no desenvolvimento do país.

    Numa época em que há uma situação de aumento significativo da esperança de vida acompanhada de acentuada quebra da taxa de natalidade (o que coloca em causa a sustentabilidade da Segurança Social) a utilização do saber acumulado das pessoas com mais de 65 anos, poderia constituir como que uma reforma voluntária a tempo parcial em que os beneficiários poderiam dar um contributo sentindo-se úteis, contribuindo com os seus descontos sobre esse trabalho tanto para os cofres do Estado como para os da Segurança Social.
  9. Não remuneração pela qualidade dos textos de apoio e audiovisuais: Qualquer que seja a qualidade, sofisticação ou impacto dos meios de formação e/ou textos de apoio fornecidos ou utilizados pelos formadores, tal não é minimamente recompensado, desincentivando quem procura apresentar um trabalho de qualidade em favor de quem não faz o menor esforço nesse sentido. Saliente-se que em muitos casos nem sequer existem textos de apoio, ou então eles são apenas fotocópias de transparências, livros ou revistas reunidos a esmo, sem qualquer critério.
  10. Falta de incentivo à qualidade da formação: Qualquer que seja a avaliação dos formadores feita pelos formandos, não existe qualquer recompensa ao mérito demonstrado. Deveria existir, sim, uma remuneração adicional ligada à pontuação obtida no final das acções.
  11. Falta de protecção ao trabalho dos formadores, que se preocupam em apresentar textos de apoio e audiovisuais de qualidade não vendo o seu trabalho protegido, antes pelo contrário, vêem-no a ser utilizado por colegas sem escrúpulos que, sem qualquer pudor e com a complacência (ou negligência) das entidades formadoras, copiam os seus manuais e os apresentam como sendo de sua autoria.
  12. Inexistência de fiscalização, já que, salvo honrosas excepções, ninguém se preocupa em fiscalizar a qualidade da formação ministrada, em todas as suas vertentes. Com demasiada frequência surgem situações inconcebíveis, nomeadamente em formação intra-empresa. Quem se dispõe a ir a uma formação em que tem de atravessar poças de lama, enregelar por falta de aquecimento, ou sufocar com temperaturas acima dos 40ºC, por exemplo? Mas, isso, os coordenadores, não se preocupam em fiscalizar.
  13. Obrigatoriedade de duração mínima de 30 horas: As empresas (salvo nos casos de certas formações técnicas mais exigentes ou quando necessitam de ocupar pessoal momentaneamente excedentário) não podem dispensar os seus activos por períodos de tempo prolongados. Também, para os próprios activos que desejem aperfeiçoar os seus conhecimentos por iniciativa própria em horário pós-laboral, o vínculo a uma acção que se vai prolongar por 2 ou 3 meses pode ser inibidor e desmotivante. Parece-nos muito mais interessante módulos de 12 a 15 horas, dedicados a temas específicos, do que um amontoado de temas arrastando-se indefinidamente no tempo.
  14. Exigência em alguns centros de um curso superior para formações acima do nível 2: Licenciatura, Bacharelato, Mestrado ou Doutoramento não são garantia de competência profissional ou qualidade pedagógica. Ao longo da vida profissional, todos temos aprendido muito com pessoas com o chamado «saber de experiência feito» que foram grandes formadores sem que tenham polido os bancos de qualquer faculdade. (Thomas Edison ou Bill Gates, por exemplo, não concluíram qualquer curso superior).
  15. Retenção de honorários por parte de entidades formadoras privadas para pagamento a formadores a quem são muitas vezes exigidos recibos antecipadamente e que ficam indefinidamente à espera dos seu honorários (por vezes não recebidos por prescrição).

    Para quando uma fiscalização adequada pelos órgãos de tutela?
Face a este conjunto de situações, parece fazer falta a criação de uma organização profissional que, por exemplo e provisoriamente se poderia denominar

Sociedade Portuguesa de Formação Profissional (SPFP)

com o objectivo de, em colaboração com os organismos responsáveis, restaurar a dignidade e o prestígio da Formação Profissional, bem como defender os direitos dos formadores idóneos e incentivar a uma cultura de excelência que conduza a serviços de qualidade que sejam merecedores de remunerações justas e dignas.

Imaginam-se bem as pressões e os riscos que correriam os formadores que venham a ter a «leviandade» ou a «temeridade» de se associar abertamente a uma cruzada deste tipo que, afinal, é no interesse de todos quantos desejem uma Formação Profissional honesta e ao serviço do País.

Quem sabe ainda se consegue que alguém nos dê ouvidos? Afinal voltará a haver eleições não tarda nada e, se tal movimento tiver consistência, talvez se possa fazer corrigir alguma coisa.

Pensem nisso. Até amanhã!

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Bem hajam Senhores Ministros!


Já se dignaram deitar uma vista de olhos pelos regulamentos em vigor e pelos procedimentos do IEFP?

Da humilde insignificância das minhas curtas vistas, rendo-vos a mais rasgada homenagem à luz da inteligência dos vossos antecessores que tanto tem feito em prol do sucesso da Formação Profissional em Portugal.

Não encontro palavras para descrever a sublime política de permitir ao IEFP a fulgurante medida económica de reduzir os honorários dos formadores, permitindo a realização de muitas mais horas de formação com os mesmos custos. Verdade que o povo ingrato não frequenta essas acções, que só deveriam contribuir para o seu desenvolvimento intelectual, já que, no que diz respeito às competências profissionais, eles preferem desenvolvê-las penosamente no posto de trabalho devido à excessiva competência dos formadores contratados a 15€/hora.

É para mim especialmente difícil encontrar superlativos que consigam dar suficiente realce à generosa e altruísta medida de permitir a professores contratados do ensino básico e secundário, complementarem os seus magros salários com aulas nos Centros de Formação, mesmo que à custa (certamente mais do que justificada) do aumento do seu absentismo às horas de presença nos estabelecimentos a que estão adstritos.
Claro que esta medida se justifica plenamente, dado que os muitos docentes aposentados já não têm competência para dar ao País os frutos das suas longas carreiras dedicadas ao rigor e aos grandes valores morais que hoje estão manifestamente obsoletos e ultrapassados na progressista, dinâmica e sofisticada sociedade dos nossos dias.

Tão razoável e inteligente este conceito me parece ser que, ao que me foi dito por fonte insuspeita, o IEFP terá emitido um despacho dirigido aos seus centros de formação no sentido de não serem contratados formadores na situação de reformados, por muito competente e rigoroso que tivesse sido o seu percurso profissional e reconhecidas as suas competências técnicas e pedagógicas.

Iguais encómios merece a soberba ideia da regulamentação da carreira de formador com obrigatoriedade de renovação do Certificado de Aptidão Pedagógica (vulgo CAP), coagindo os formadores experientes e rotinados (não confundir com «rotineiros») a frequentarem cursos que não trazem qualquer valor acrescentado, a não ser à «elite» dos profissionais de formação de formadores que, coitados, têm que justificar e reforçar os seus honorários que, curiosamente, são pagos acima dos 35€/hora.


Na minha ignorância e estupidez naturais, parecer-me-ia muito mais lógico e motivador que esses cursos existissem para uma sensata progressão na carreira que habilitasse os formadores a ministrar formação progressivamente mais exigente desde os níveis de Formação de I até ao V da União Europeia, com remunerações sucessivamente ajustadas ao nível intelectual dos formando aos quais se dirigem. Isso sim, seria motivador para o progresso na carreira, pelo aumento da qualidade intrínseca da formação. Mas quem sou eu para opinar em oposição às mentes brilhantes que nos governam?

Outra solução digna de um Peter Drucker ou Michael Porter é a obrigatoriedade das empresas darem anualmente 30 horas de formação aos seus trabalhadores. Simplesmente genial. Há que gastar os milhões da União Europeia e se as empresas e os seus empregados não o fazem a bem, fazem-no a mal, que para isso é que existe o Governo. Mesmo que seja formação que não serve para coisa nenhuma e na qual os formandos nem sequer põem os pés. Mesmo que resulte no prejuízo de horas de trabalho para as organizações. Mesmo que isso não contribua para algo mais útil do que o avolumar do ego de quem vive à custa da Formação.

Mas as horas foram registadas, as estatísticas aumentam, dão-se uns trocos a uns formadorzitos recém-formados que aceitam qualquer esmola que se lhes dê, que não têm experiência de coisa alguma mas que tiraram o CAP na esperança de arranjar qualquer trabalhito e alguém dirá alegremente que Portugal se aproxima do «pelotão da frente» da União Europeia em horas de formação. Os outros países vão continuando a passar-nos à frente. Mas algo se deve estar a passar em nosso benefício. Deve haver algo que eu não estou a ver. Eu só posso estar errado.

A verdade é que eu devo ser mesmo intelectualmente muito limitado, porque não posso admitir que não exista uma explicação lógica e inatacável que justifique estas situações.

E que dizer da generosa partilha que o IEFP consente do trabalho dos formadores que queimaram as pestanas a fazer pesquisa, que dedicaram longas horas a coligir e preparar manuais de qualidade os quais, miraculosamente, aparecem por todo o lado em cursos dados pelos mais diversos «profissionais»?

Claro que nem toda a gente tem a vontade, o talento e a dedicação de fazer um trabalho asseado. Mas como todo o mundo tem obrigação de apresentar obra bem feita, há que não questionar a origem dos manuais que se apresentam (afinal o pessoal do IEFP tem muito que fazer e não pode preocupar-se em controlar a honestidade das pessoas, não é verdade?). Dá muito trabalho ver se os manuais ou o material apresentado já apareceram noutros casos.

Para quê ralar-me? Se os formadores deixarem de apresentar coisas originais, paciência. Quem vier atrás que feche a porta.

Na busca destes esclarecimentos, ouso perguntar mais uma vez:

QUEM ME ACODE?

Pensem nisto. Até amanhã!


sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Funcionários Públicos



Rezava o Expresso há dias atrás que, «No próximo ano os funcionários públicos vão ser mais penalizados que os privados»

COITADINHOS!!!



«… o empregado público é um indivíduo que recebe da sociedade o encargo de amargar a vida aos outros indivíduos»
(Pitigrilli – Loura Dolicocéfala, Cap. X)

Sábias palavras. Não há um de nós, seja empresário, trabalhador por conta própria ou simples empregado, que não tenha tido vontade de «esganar» um desses burocratas, seja das Finanças, da Segurança Social, do IEFP ou de outro qualquer serviço público.

Sinceramente, salvo honrosas excepções (que há muitas, felizmente), não sinto a menor preocupação, a menor solidariedade por esses personagens.

Os de categorias inferiores, que se encaixaram no sistema a maioria das vezes através da sempre eterna «cunha», em números desmesurados para o trabalho que lhes cabe, chegam tarde e a más horas, saem à hora ou antes dela, fique o que fique para fazer, saem para o cafezinho, para as comprinhas, para o lanchezinho a qualquer hora e os cidadãos que se arranjem. Ganham mais, muito mais do que os colegas das empresas privadas, mas isso não os motiva a prestarem um serviço de excelência a quem, no fim de contas, lhes paga os vencimentos. Pelo contrário, na sua mesquinhez, sentem-se os donos do povo…

Os de categorias mais elevadas, mal pagos face aos colegas das empresas privadas, roídos pela inveja (quantas vezes provocada pela própria incompetência) de não terem conseguido um lugar ao sol, infernizam a vida de quem precisa deles, estando sempre prontos a estender a mão para o agasalho de umas luvas… que sem luvas nada se faz neste país.

E, o pior de tudo, segundo a Constituição, é que NÃO PODEM SER DESPEDIDOS!

E quando é que a Assembleia da República põe fim a estes privilégios?

Estamos mal? Pois estamos. Mas a verdade é que, QUANDO OS SUBORDINADOS FALHAM A CULPA É DOS CHEFES. E todos nós sabemos a qualidade dos chefes que temos… E fomos nós que os colocámos lá…

Ao fim e ao cabo, «Cada povo tem o governo que merece» (Joseph de Maistre)

...

O que se disse acima foi forte? Pois foi, mas dirige-se fundamentalmente aos inúmeros BUROCRATAS que emperram as engrenagens do Estado, que nos fazem perder milhões desnecessariamente, que infernizam a vida de todos os utentes.

Não é justo, de modo algum, incluir nesse número os muitos médicos, professores, engenheiros, economistas, enfermeiros, técnicos e tantos mais funcionários públicos que, com sacrifício das suas vidas pessoais, se esforçam por prestar (contra ventos e marés) um serviço de qualidade à sociedade aliviando as agruras que todos enfrentamos.

A todos estes para quem a Ética e a Honra não são palavras vãs, BEM HAJAM

E, por hoje, é tudo. Até amanhã!








 

terça-feira, 21 de agosto de 2012

FOGO...!


 

 

VAMOS FALAR DE FOGOS FLORESTAIS?


Mais uma vez o país está mergulhado no drama sazonal dos fogos florestais e, mais uma vez, as entidades responsáveis se movimentam de forma irresponsável contra algo que anualmente acarreta milhões e milhões de prejuízo. Sobretudo numa época de crise em que todos os cêntimos são poucos para a combater.

Os fogos são uma guerra como qualquer outra. Como a militar, como a política, como a de marketing. Todas elas se regem pelos mesmos princípios já que todas elas têm por finalidade aniquilar um inimigo.

Não sou bombeiro mas, na minha vida profissional tive que estudar Clausewitz (Da Guerra) e Sun Tzu (A Arte da Guerra) além de muitas mais obras sobre a minha actividade. E, em todas elas se advoga que, quando o inimigo (neste caso o fogo) surge, se deve atacá-lo com todas as forças disponíveis já que é o momento em que ele se encontra mais vulnerável.

E a que é que assistimos no combate aos incêndios? Dado o alerta são chamados os bombeiros que, por trilhos e estradas sinuosas (quando as há) levam horas a chegar ao incêndio. Enquanto o fogo, sem controlo nem oposição se desenvolve a alastra até assumir proporções catastróficas. E que neste ano, nomeadamente no Algarve foi deixado “à solta” por mais de 30 horas.

O que fazer? Há um ou dois anos, assisti na TV a uma reportagem passada numa serrania do Algarve em que se tinha declarado um incêndio entretanto dado como extinto. A reportagem estava junto a um helicóptero de combate a incêndios. De súbito irrompeu um reacendimento a umas centenas de metros dali. O helicóptero descolou e numa única passagem, em poucos SEGUNDOS arrumou com o assunto. Ou seja, atacou-se o fogo com meios PESADOS deixando-se aos bombeiros a tarefa de fazer o rescaldo.

Pois bem, porque razão não se atacam os incêndios de imediato com meios aéreos que levam poucos minutos a chegar, não dando tempo a que ele alastre e dando tempo aos bombeiros (infantaria) para chegar e finalmente dominar os fogos? Quanto tempo e dinheiro não se poupariam? A quantas famílias humildes se poupariam os horrores da miséria?

Rezam as estatísticas que nos últimos 10 anos ardeu em Portugal uma área equivalente à da Bélgica. Por quanto tempo mais os «donos» deste país nos vão deixar arder a caminho da bancarrota? E o que lucram todos esses incompetentes com isso no meio de toda a nossa desgraça. 


Vamos deixar-nos de poupar cotos de vela e trabalhar a sério?


Nas nossas casas, quando algo se incendeia, não estamos à espera que cheguem os bombeiros para atacar as chamas. Vamos tentar apagá-las com o que estiver à mão tentando evitar que elas alastrem. E não colocamos gasolina próximo de um fogão a gás. Porque não procuramos desmatar essas florestas antes que elas peguem fogo?

Meios disponíveis não faltam!

Porque não mobilizar os presos de delito comum (não de delitos de sangue) para ajudarem na desmatagem? Procurem-se voluntários nas prisões que já tenham cumprido uma parte da pena. Com pulseiras electrónicas, claro. Isso até poderia ser um prémio de bom comportamento que os tornava úteis à sociedade e os retirava do ambiente pesado do cativeiro. Tentativas de fuga acabariam com a hipótese de voltarem a sair, além de terem um agravamento da pena.

O mesmo se poderá dizer de utilizar quem usufrui do Rendimento Social de Inserção que agora (finalmente) vai ser obrigado a prestar serviço à sociedade. Se o trabalho de desmatagem for pesado, isso será um forte incentivo para procurarem um trabalho mais agradável e fugirem ao desemprego. Como pode isso ser feito? Acampamentos nas áreas problemáticas com recurso ao material militar que agora não é utilizado em tempos de paz.

E os soldados nos quarteis? Porque não colaboram também quando não têm ocupações militares? Podem colaborar nas desmatagens como se fosse um treino de campanha diferente que os retira para acampamentos fora dos aquartelamentos. Voluntários não hão-de faltar já que, quantos deles, estarão a defender os seus próprios lares...

Tanta coisa que se pode fazer com tanta gente desocupada...

Vamos pensar nisso? São horas de acabar com compadrios e chamar os bois pelos nomes!

E, por hoje, é tudo. Até amanhã!


P.S. Acabo de constatar que a «internacionalização» deste blogue se estendeu à Bélgica. Benvindos sejam. Faço votos de que estas linhas que escrevo vos possam fazer companhia e vos liguem ainda mais a este nosso Portugal!

Ler mais: http://expresso.sapo.pt/fogo-perto-das-casas-em-santa-cruz=f740980#ixzz246q4FGlE











segunda-feira, 20 de agosto de 2012

IEFP: Vamos falar de Desemprego?


Muito se tem falado de desemprego...


De falências, de crise, de situações difíceis. Mas, estranhamente, ninguém fala de pouca vontade de trabalhar.

Porque neste país não falta trabalho. Há muito para fazer, muito que construir. E muita necessidade de obra feita, pequenas obras do dia-a-dia, ajudas temporárias aqui ou ali. Mas as pessoas apenas querem «emprego», salário ao fim do mês (quer façam muito ou quer vejam passar os comboios) e quanto mais alto for melhor e depois há que «lutar pelos seus direitos» sem se deterem minimamente a pensar que a Vida é uma moeda de duas faces: Direitos e DEVERES! E nestes últimos ninguém fala.

Portugal é um país envenenado por décadas de propaganda progressista em que se acenou às massas com um paraíso de trabalhar pouco, de direitos inalienáveis e de obrigações só para os outros. E o resultado está à vista.

Toda a gente quis ser «doutor» ou «engenheiro» a qualquer custo (até Sócrates e Miguel Relvas). Em nome de uma «democracia da incompetência» facilitou-se o estudo até níveis escandalosos, deu-se quase o direito aos alunos de maltratarem os professores, proliferaram as universidades privadas com cursos sem qualidade e sem saída profissional e todos esses pseudo-licenciados, desempregados de colarinho branco, vêem-se, de repente com um «canudo» na mão que lhes não serve para nada quando esperavam encontrar à sua frente uma passadeira vermelha para uma carreira recheada de honrarias e prestígio, com vénias servis dos colegas menos graduados.

Pura ilusão demagógica. Quando alguém sai de uma universidade, aquilo que tem (ou deve ter) é uma ferramenta: um cérebro treinado que lhe permite, com o seu esforço, ir mais além do que os demais. Uma licenciatura é uma coisa linda; mas se não conseguirmos ser nada sem ela, também nunca seremos nada com ela. A via do sucesso não tem elevadores: sobe-se degrau a degrau. A menos que se tenha estômago para ser mais um dos «boys» de certos partidos políticos sempre prontos a arranjar uns tachitos para os amigos atentos, veneradores e obrigados (e inúteis) que vivem à custa do erário público numa vida de sanguessugas.


Os Centros de (des)Emprego

Por razões profissionais (Formação) tenho tido muitos contactos com o IEFP, suas delegações e centros de emprego. E tenho-me dado ao cuidado de manter os olhos abertos e observar e analisar o que se passa à minha volta. E, salvo honrosas excepções de alguns profissionais que se preocupam com o drama alheio, infelizmente há muita gente que se preocupa com o seu próprio ego e os demais… que se arranjem.

A realidade é que, quanto maior for uma instituição, maior é a probabilidade de que o nível médio do seu pessoal seja cada vez mais… mediano. E, em termos nacionais, o IEFP é «apenas» gigantesco.

Como motivar os técnicos

Um dos problemas maiores para levar as pessoas a cumprir com empenho e dedicação as missões que lhes estão confiadas e, pura e simplesmente, uma questão de motivação. Se as pessoas não se sentirem compensadas quando lutam para atingir os patamares mais elevados da Pirâmide de Maslow, elas tendem a regredir para níveis inferiores como é bem sabido.

E, na realidade, aquilo a que se assiste nos Centros de Emprego, é a uma atitude passiva dos quadros que se limitam a receber as candidaturas e as ofertas de emprego e a procurarem compatibilidades através do sistema informático. O IEFP faz propaganda, mas não actua no terreno.

Mas a verdade é que existem muito mais ofertas de emprego semanalmente publicitadas nos jornais diários (JN, Diário de Notícias, Correio da Manhã) e semanários (Expresso Emprego). Seria uma atitude bem mais eficaz se os técnicos do IEFP assumissem uma atitude proactiva e tentassem actuar junto das empresas que manifestam essas necessidades, oferecendo a sua bolsa de candidaturas e procurando convencer as empresas das vantagens que lhes adviriam de recrutar pessoal através do IEFP.

E como levar esses técnicos a agir dessa maneira? Deixemo-nos de ilusões, as pessoas só actuam com dedicação se se sentirem recompensadas nos seus esforços, seja de que modo for. Há portanto que recompensar quem se esforça. Como?

Em primeiro lugar, vejamos quem lucra se os técnicos trabalharem com afinco e colocarem trabalhadores desempregados:

1. Lucra o Estado através dos impostos recolhidos directamente do trabalho dessas pessoas (IRS) e indirectamente do consumo que elas farão com o dinheiro dos salários (IVA)

2. Lucra a Segurança Social que deixa de pagar Subsídios de Desemprego e, pelo contrário, passa a recolher as contribuições obrigatórias das empresas e dos trabalhadores.

Gera-se portanto um fluxo financeiro positivo do qual se pode (e deve) retirar uma parte para recompensar os esforços de quem merece. Vamos adiantar uma proposta de sugestão.

Por cada desempregado que o técnico coloque (em trabalho efectivo ou temporário) receberá como incentivo:

• Ao fim de 6 meses de permanência consecutiva do trabalhador na empresa, a Segurança Social recompensa o técnico com 25% do desconto do trabalhador no 6º mês

• Ao fim de 12 meses de permanência consecutiva do trabalhador na empresa, a Segurança Social recompensa o técnico com 50% do desconto do trabalhador no 12º mês

• Ao fim de 18 meses de permanência consecutiva do trabalhador na empresa, a Segurança Social recompensa o técnico com 75% do desconto do trabalhador no 18º mês

• Ao fim de 24 meses de permanência consecutiva do trabalhador na empresa, a Segurança Social recompensa o técnico com 100% do desconto do trabalhador no 24º mês

• Se o trabalhador passar à efectividade, sem prejuízo dos prémios anteriores, receber após o final dos 2 anos 100% do desconto do trabalhador sobre o subsídio de férias ou subsídio de Natal, conforme o que ocorrer em primeiro lugar .

• Estes prémios mantêm-se se, mudando o trabalhador de empresa (por exemplo por convite para uma outra empresa para um emprego mais atractivo) se mantiverem sem descontinuidade as contribuições para a Segurança Social.
Um esquema deste tipo incentiva o técnico a:

1. Esforçar-se por colocar no activo tantos trabalhadores quantos possíveis.

2. Procurar activamente, por todos os meios, empresas carenciadas para colocação de trabalhadores no desemprego.

3. Zelar pelo acompanhamento desses trabalhadores para que sejam diligentes e permaneçam na empresa o máximo de tempo possível.

4. Procurar criar as condições para que os trabalhadores por si colocados passem à efectividade).

5. Procurar que esses trabalhadores se valorizem profissionalmente através de acções de formação válidas e úteis para a sua profissão para que constituam mais valias para as empresas que os contrataram e que possam ajudá-los a progredir na carreira.

E quanto aos «Profissionais do Desemprego»?

Todos conhecemos a excessiva protecção que Decreto-Lei 220/2007 tem concedido a muitos casos. Essa excessiva protecção leva os mais ladinos a sentirem uma grande impunidade para recusar hipóteses de trabalho ou para as aceitarem por períodos limitados voltando depois a desempregar-se e a gozarem novo período de «férias pagas» à custa dos descontos de quem trabalha e que espera, a seu tempo, gozar das regalias a que tem pleno direito.

Para esses algo de radical se impõe no âmbito daquele decreto, e a sugestão que apresento cobriria os seguintes pontos:

1. Deixaria de haver Formação Profissional inútil. Se um qualquer curso de formação não tem aplicabilidade a curto prazo para satisfazer uma necessidade específica do mercado, ele pura e simplesmente não é ministrado. Caso contrário não passa de uma esmola disfarçada. E há muita gente que vive sucessivamente dessas esmolas coleccionando cursos inúteis. Que muitas vezes não têm qualquer qualidade ou utilidade ou nem sequer são dados (por entidades formadoras particulares) antes são um meio de muita gente viver à custa do FSE sem qualquer contributo útil para o País.

2. Salvo caso de força maior devidamente comprovado, deixaria de ser possível rejeitar propostas de emprego angariadas pelo IEFP situadas a uma distância inferior a 1 hora de trajecto do local de residência utilizando os transportes públicos.

3. Se o valor do vencimento proposto for inferior ao valor do Subsídio de Desemprego, a Segurança Social complementaria o vencimento até àquele valor. Isto permitiria, por um lado, reduzir o esforço da Segurança Social (que aliás iria entretanto receber as contribuições da empresa e do trabalhador) e contribuiria para os cofres do Estado através dos impostos aplicáveis: IRS, IRC, IVA.

4. Exceptuando caso de doença comprovado por junta médica, qualquer recusa de emprego implicaria o corte imediato do Subsídio de Desemprego.

5. Esse corte seria igualmente aplicado caso o trabalhador se despedisse ou fosse despedido de mais de um trabalho num período de 12 meses a contar da primeira data de admissão


E quanto ao «Subsídio Social de Desemprego»?

Neste caso muito tem que ser feito já que o Estado despende milhões que necessitam de ser controlados, uma vez que saem dos bolsos dos contribuintes que não têm obrigação de sustentar os parasitas que se aproveitam das facilidades pensadas para pessoas de bem.

Assim:

1. No caso de cidadãos estrangeiros, o País não tem obrigação de os sustentar. Promover-se-ia o respectivo repatriamento.

2. No caso de desempregados crónicos em condições de trabalhar, proceder-se-ia como no caso anterior: os técnicos do IEFP procurar-lhes-iam colocação que não poderia ser recusada

3. Este subsídio só poderia ser atribuído a pessoas comprovadamente necessitadas.

Aumento de criminalidade?

Uma possível consequência desta rigidez, poderia ser um aumento da pequena criminalidade e da mendicidade por parte dos inimigos do trabalho.

Aqui impõem-se que os Tribunais sejam mais diligentes e rigorosos, não promovendo o arquivamento desses casos para reduzirem o seu trabalho para só se dedicarem a casos que considerem mais graves.

Se não se reprime a pequena criminalidade à nascença como medida profiláctica, mais tarde julgar-se-ão os mesmos infractores por crimes bem mais graves. E de quem é a culpa? A nossa legislação protege demasiado os direitos dos criminosos e muito pouco os direitos das vítimas. Quem redigiu essas leis com alguma intenção o fez pelo que haverá que tomar medidas correctiva.

As dificuldades que a Lei impõe a quem quer trabalhar

Vou agora referir um conjunto de preceitos legais que dificultam a obtenção de emprego por quem efectivamente quer trabalhar. E, para o ilustrar, vou referir um caso que se passou com pessoa das minhas relações e que, portanto, conheço em primeira-mão.

Há alguns anos esse amigo ficou desempregado por cessação do contrato de trabalho. Passou a receber subsídio de desemprego e começaram a aparecer-lhe ofertas de trabalho (saliento, ofertas de trabalho e não ofertas de emprego) que francamente lhe interessavam para iniciar vida nova mas que, para começar (eram contratos pontuais de formação) não tinham a continuidade necessária para assegurar um valor equivalente ao subsídio de desemprego. Era um trabalho que interessava sobremaneira mas que a Segurança Social o proibia de aceitar sob pena de perder o subsídio de desemprego. Pediu então um parecer jurídico a um Professor da Faculdade de Direito da U.P. e, mediante esse parecer, conseguiu que a Segurança Social lhe consentisse, informalmente, que pudesse ministrar esses cursos sendo o respectivo valor descontado do Subsídio de Desemprego sempre que os realizasse.

Os valores foram subindo com o tempo e houve inclusivé meses em que já ele não recebia qualquer montante da Segurança Social. O Subsídio aplicado deste modo durou 4 (quatro) anos e alavancou uma nova carreira e actividade profissional (como profissional liberal).

No entanto (pasme-se!) quando a pessoa em causa entregou os papéis para se reformar, foi-lhe exigido que devolvesse a TOTALIDADE do subsídio recebido acrescido de juros sob a justificação de que tinha estado a trabalhar enquanto o recebia.

Claro que o assunto acabou em tribunal tendo a Segurança Social desistido da acção e dando o assunto como encerrado em vésperas de início do julgamento.

Este conflito de disposições legais, (como muitos outros que existem), também obriga a que muita gente desempregada e que quer trabalhar se veja impedida de o fazer por não ter ao seu dispor os meios que esse amigo teve para se libertar das teias da burocracia vigente.

Senhores políticos, sindicalistas e demais entidades envolvidas, vamos pensar nisso? Ou vamos continuar sentados à sombra da bananeira a viver à tripa forra à custa do Zé Povinho?

E, por hoje, é tudo. Até amanhã!


P.S. Fiquei muito honrado por constatar que este blogue já é «internacional» e tem leitores na Alemanha, França e E.U.A. Um abraço muito especial para quem me lê de tão longe. É um estímulo precioso para continuar. Desejo-vos as maiores felicidades. Bem hajam!



domingo, 19 de agosto de 2012

Metro de Lisboa: será verdade?


De um colega de profissão, antigo deputado, recebi a seguinte informação que passo a transcrever:

(quote)

*Estes são os salários dos funcionários do Metro de Lisboa:

  • Secretária de Administração *3.753,59€
  • Mestre Serralheiro *2.969,30
  • Maquinista de manobras *2.785,17
  • Maquinista *2.587,25
  • Fiscal *2.020,66
  • Motorista *1.939,09
  • Enfermeiro *1.892,65
  • Agente trafego *1.642,41
  • Desenhador *1.547,09
  • Auxiliar *1.476,86
  • Os maquinistas ainda recebem um subsidio que varia entre 317 e 475,50 euros para abrir e fechar as portas.
  • Os maquinistas fazem 3 horas por dia de condução.
  • Os funcionários do metro, à semelhança com o que acontece com os funcionários da Carris e da Transtejo, quando se reformam têm a pensão  igual à do último salário recebido no activo;
  • Quando estão de baixa têm direito a médico ao domicilio e recebem 100% do salário;
  • Os Maquinistas têm direito a um subsídio por cada quilómetro percorrido mais 68 euros se não faltar mais de 5 horas; e se não faltarem no mês todo mais um prémio de 223 euros;
  • Os empregados e reformados viajam gratuitamente assim como os cônjuges, os pais, filhos, enteados e irmãos que os trabalhadores tenham …
  • Como resultado só no ano passado o prejuízo foi de 390 milhões de euros...


  •   *****
    (unquote)


    Por muita confiança que me mereça a fonte de informação, ainda assim me custa a acreditar. Custa-me a acreditar que nas condições dramáticas de crise em que estamos exista uma «aristocracia operária» sustentada pelos nossos impostos e que não tenha a vergonha, a decência, a humanidade de parar de fazer exigências descabidas e imorais. Quando tantos idosos sobrevivem com pensões de miséria...

    Será mesmo verdade? Alguém me pode esclarecer?


    

    sábado, 18 de agosto de 2012

    E que tal uma greve de Engenheiros?

    E que tal uma greve de Engenheiros?

    Greve, greve, greve…! Há dezenas de anos que esta palavra fustiga os Portugueses por dá cá aquela palha, pelos motivos mais fúteis numa guerra pelo poder dos Sindicatos e Centrais Sindicais. A irresponsabilidade reina sem freio, sempre a pensar-se no seu próprio umbigo e sem a menor consideração pelos direitos e pelas necessidades dos outros.

    No entanto há uma classe que NUNCA fez greve: a classe dos Engenheiros. E que, no entanto, se enveredassem por essa via, as consequências seriam catastróficas e colocariam o País de joelhos. Já alguém se deteve uns segundos para pensar nas consequências de uma greve geral dos Engenheiros?

    • Não haveria electricidade
    • Não haveria água
    • Não haveria gás
    • Não haveria telecomunicações
    • Não haveria hospitais, nem unidades de saúde, nem centros de diagnóstico
    • Não haveria televisão
    • Não haveria Internet
    • Não haveria transportes
    • Não haveria combustíveis
    • Não haveria telefones nem telemóveis
    • Não haveria 112 (PSP, GNR, INEM, Bombeiros)
    • Não haveria informática
    • Não haveria serviços bancários
    • Não haveria Bolsa de Valores
    • Não haveria Multibanco
    • Não haveria comércio de qualquer tipo (as caixas não funcionam sem electricidade)
    • Não haveria restaurantes nem hotelaria (idem)
    • Não haveria alarmes
    • Não haveria elevadores
    • Não haveria iluminação pública
    • Não haveria qualquer restrição à criminalidade
    • Não haveria empresas a trabalhar, nem serviços públicos… nem NADA!

     Porque não há NENHUMA actividade humana que não dependa da Engenharia.

      
    Por isso, senhores políticos, sindicalistas, empresários, banqueiros, por favor deixem-se de olhar para os vossos próprios umbigos, abandonem os vossos mesquinhos interesses partidários, as vossas reles ambições pessoais, as vossas gananciazinhas privadas e pensem, EM PRIMEIRO LUGAR no vosso País e na situação dramática em que ele está.

      
    Antes que apareça alguém que acorde o monstro adormecido. Porque uma greve de Engenheiros será a mãe de todas as greves. Foi um abalo a greve dos médicos? Pois foi. Mas esta será MUITO PIOR...

    Pensem nisso…!